Estou de longe, apenas observando alguns servidores de alto prestígio e escalão do Estado recebendo mais de R$ 200 mil por mês. E é para causar espanto mesmo: há casos que ultrapassam os R$ 230 mil mensais.
Tudo isso acima do teto constitucional estabelecido pela própria Constituição. As justificativas apresentadas são inúmeras — e, curiosamente, sempre aparecem embaladas em termos técnicos difíceis de contestar para quem está do lado de fora.
Trata-se de um órgão com autonomia financeira própria, comandado por algumas figuras que, por vezes, se comportam quase como semideuses da administração pública. E nem é do Judiciário que estou falando.
Este colunista teve acesso a uma lista que ocupa mais de duas páginas, recheada de nomes de “deuses e semideuses” do serviço público. Não são duas ou três pessoas. São várias.
Enquanto isso, professores brigam por reajuste, policiais reclamam de falta de estrutura, servidores da Saúde enfrentam jornadas exaustivas e o cidadão comum segue pagando a conta de um sistema que parece funcionar em velocidades diferentes, dependendo do sobrenome ou do cargo ocupado.
O mais curioso é que tudo isso acontece dentro da legalidade aparente. Auxílio aqui, indenização ali, verbas retroativas acolá. Quando se somam os penduricalhos, o teto constitucional vira quase uma peça decorativa — bonito no papel, inútil na prática.
E não se trata de demonizar o serviço público ou questionar carreiras importantes para o funcionamento do Estado. O debate é outro: até que ponto remunerações tão distantes da realidade da população são moralmente aceitáveis em um estado pobre como o Acre?
Em um lugar onde milhares de famílias sobrevivem com um salário mínimo, descobrir supersalários acima de R$ 200 mil provoca indignação inevitável. Afinal, não é apenas sobre números. É sobre a sensação de privilégio institucionalizado.
A impressão que fica é simples: para alguns, o teto é limite. Para outros, é apenas sugestão.


