Dezenas de barqueiros responsáveis pelo transporte escolar de alunos da rede estadual de ensino em Tarauacá decidiram paralisar as atividades nesta quarta-feira (27), em protesto contra atrasos salariais que, segundo os trabalhadores, se arrastam há mais de dois anos.
A suspensão dos serviços afeta diretamente estudantes ribeirinhos que dependem diariamente das embarcações para chegar às escolas.
Em nota pública divulgada pelos trabalhadores, os barqueiros afirmam que a decisão foi tomada após sucessivos descumprimentos de acordos relacionados aos pagamentos. Eles relatam dificuldades financeiras, falta de condições para manutenção das embarcações e até problemas para garantir o sustento das próprias famílias.
“Trabalhar e não receber é desumano”, afirmam os trabalhadores no documento.
Os transportadores também denunciaram que, no início do ano letivo, houve uma reunião com representantes da empresa Suply, responsável pelo serviço, onde ficou acordado que seriam realizados dois pagamentos mensais: um referente ao mês corrente e outro para quitar débitos atrasados. Segundo os barqueiros, o compromisso não foi cumprido.
Ainda conforme a nota, muitos dos trabalhadores são agricultores rurais e precisaram deixar suas atividades no campo para atuar no transporte escolar.
“Somos trabalhadores rurais, deixamos nossas plantações para trabalhar para o governo e, se não recebemos pelo nosso trabalho, como vamos sobreviver?”, questionam.
Sem recursos para alimentação das famílias e manutenção das embarcações, os profissionais afirmam que a paralisação foi a única alternativa encontrada.
Os trabalhadores pedem que o Governo do Acre e a empresa responsável resolvam a situação com urgência, garantindo o pagamento dos valores atrasados e o retorno do transporte escolar para os estudantes das comunidades ribeirinhas.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria de Estado de Educação e da empresa citada na nota.


