A Inglaterra está em declínio. A crise política se acentua, com 7 Primeiros Ministros desde a votação do Brexit em 2016, 5 Primeiros Ministros desde a efetivação da saída da União Europeia em 2020, o que não resultou em maiores benefícios para o país, com o aumento do custo de vida devido às taxas de importação de produtos e serviços da Europa. Adicionalmente, como tendência geral, de 1980 para cá aumenta progressivamente a desigualdade social, como indicado no “World Inequality Report”, como tendência geral das economias ocidentais, que têm nos levado à radicalização política.
A Inglaterra, a França e os Estados Unidos são os berços da democracia moderna. Bacon, em seus “Essays” de 1597 a 1625, nas ideias de ciência e do progresso, precede Descartes com o seu “Discurso do Método” de 1637. Locke, com o seu “Dois Tratados sobre o Governo” de 1689, precede Montesquieu com “O Espírito das Leis” em 1748. E Adam Smith, com “A Riqueza das Nações” em 1776, era contemporâneo de Rousseau, com o seu “Contrato Social” em 1762.
Se os Franceses melhor formataram na literatura os fundamentos da Democracia, os Ingleses, na prática, inauguraram a prática democrática na Europa na instituição do Parlamentarismo no século XVII. A Reforma Protestante, em 1517, com Lutero, lançou as bases do que viria ser o desenvolvimento econômico e social dos países ocidentais. Como descrito na obra de Max Weber, “A Ética Protestante e o Espirito do Capitalismo”, na Inglaterra iniciou-se a separação do “sagrado” e do “secular”, ambos legítimos, possibilitando a “ação racional” dos homens em seus objetivos individuais e sociais. Em 1689, a Revolução Gloriosa introduziu o Parlamentarismo como forma de representatividade e de governo. Em 1760, inicia-se a Revolução Industrial, abrindo as rotas do desenvolvimento. A Revolução Americana data de 1775 a 1783, e a Revolução Francesa de 1788 a 1789. Durante o século XIX, a Inglaterra prospera com o primeiro “Factory Act” em 1802, e o segundo “Factory Act” em 1833, com benefícios para os trabalhadores, enquanto a França passa por períodos de conturbação política, somente se estabilizando a partir de 1870 com a Terceira República.
De 1940 a 2020, a cada 20 anos a Inglaterra teve uma média de 4 Primeiros Ministros por cada período, que se sucederam em eleições no Parlamento. De 2020 a 2026, em um período de somente 6 anos, a Inglaterra passa por 5 Primeiros Ministros, devido a sucessivas crises institucionais.
A Inglaterra decai, assim como boa parte da Europa Continental, na diminuição da participação das classes médias nas economias dos países, com o surgimento de lideranças radicais à direita que congraçam a insatisfação social. Londres votou contra o Brexit, mas o “cpuntry side” venceu o referendo. Na Inglaterra, o Brexit é um agravante.
Decai o paradigma de uma grande nação.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”


