O Acre segue como um dos principais redutos da população indígena brasileira. Dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (18) mostram que o estado concentra 13.929 dos 14.412 indígenas da etnia Kaxinawá (Huni Kuĩ) identificados no país, o equivalente a aproximadamente 96,7% de toda a população desse povo no Brasil.
O levantamento aponta que os maiores contingentes de indígenas Kaxinawá estão nos municípios de Jordão, com 3.980 pessoas, Santa Rosa do Purus, com 2.938, Feijó, com 2.400, Tarauacá, com 2.045, e Rio Branco, com 782 integrantes da etnia.
Os números reforçam a importância do Acre para a preservação da cultura Huni Kuĩ, considerada uma das mais representativas da Amazônia brasileira. A presença expressiva da etnia também ajuda a explicar a riqueza cultural e linguística registrada pelo estado.
O Censo revelou que o Acre passou de 57 para 80 etnias indígenas identificadas entre 2010 e 2022, um crescimento de 40,3% em pouco mais de uma década. O aumento acompanha uma tendência observada em diversas regiões do país e reflete tanto o fortalecimento da autodeclaração indígena quanto o aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação utilizados pelo IBGE.
A diversidade também aparece no campo linguístico. Em 2022, foram registradas 41 línguas indígenas faladas por indígenas com cinco anos ou mais de idade no estado. No levantamento anterior, realizado em 2010, o número era de apenas dez línguas identificadas.
O resultado coloca o Acre entre os estados brasileiros com maior riqueza linguística proporcionalmente à sua população. Entre os idiomas presentes no território acreano estão línguas associadas a povos tradicionais como os Huni Kuĩ, Ashaninka, Noke Koi, Yawanawá, Jaminawa, Puyanawa, Nukini, Arara, Manchineri e Kulina.
Os dados também mostram que as línguas indígenas continuam presentes entre as novas gerações. Entre os indígenas de 2 a 19 anos residentes no Acre, 55,18% declararam falar ou utilizar uma língua indígena, um dos maiores percentuais do país. O índice coloca o estado entre os poucos onde mais da metade da população indígena jovem mantém contato direto com os idiomas tradicionais.

