Belo Horizonte – Os 13 militares do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) que embarcaram na manhã desta sexta-feira (26/6) para a Venezuela levam na bagagem a experiência adquirida em algumas das maiores tragédias registradas nos últimos anos. Os militares participaram da operação de resgate após o desabamento de um lar de idosos no bairro Jardim Vitória, em Belo Horizonte, ocorrido no início deste ano, que deixou 12 mortos.
A equipe também atuou nas operações de resposta ao rompimento da barragem em Brumadinho, nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, na tragédia provocada pelas chuvas na Zona da Mata mineira e, em alguns casos, integrou a missão brasileira enviada à Turquia após o terremoto que atingiu o país em 2023.
Os bombeiros mineiros vão integrar a força-tarefa brasileira mobilizada para atuar nas áreas atingidas pelos terremotos registrados no país nesta semana.
Segundo o Corpo de Bombeiros, esse histórico de atuação em cenários de alta complexidade reforça a capacidade técnica da corporação para responder rapidamente a desastres de grandes proporções, tanto no Brasil quanto no exterior.
Missão humanitária
A missão humanitária é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), responsável pelas ações de cooperação humanitária do Governo Federal.
Os bombeiros mineiros atuarão ao lado de militares dos Corpos de Bombeiros do Paraná e de São Paulo, formando a equipe brasileira BRA-01, especializada em operações internacionais de busca e salvamento urbano (USAR, na sigla em inglês).
O grupo foi mobilizado após a Venezuela ser atingida, na última quarta-feira (24), por dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, que provocaram o colapso de edificações, interrupção de serviços essenciais e deixaram regiões como La Guaira e Caracas em situação de emergência.
Os militares mineiros pertencem ao Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres (BEMAD), unidade especializada em ocorrências de grande complexidade. A equipe reúne profissionais capacitados em busca e salvamento urbano, resposta a desastres, atendimento pré-hospitalar, logística, gestão operacional e apoio humanitário.
Estrutura especializada para operações em áreas devastadas
Durante a missão, os militares seguirão preparados para atuar com autonomia em ambientes de alto risco, levando equipamentos específicos para operações em estruturas colapsadas.
Entre as capacidades da equipe estão:
a busca técnica e localização de vítimas presas sob escombros, escoramento emergencial de edificações, corte e rompimento de concreto, elevação de cargas, extração de vítimas, atendimento médico inicial e suporte logístico.
A força-tarefa embarca ainda com equipamentos de iluminação, sistemas de comunicação, materiais para estabilização de estruturas e ferramentas especializadas para operações em locais de difícil acesso.
O planejamento prevê que a equipe permaneça preparada para atuar diante de possíveis réplicas sísmicas, instabilidade estrutural, interrupção de serviços essenciais e necessidade de permanência prolongada nas áreas afetadas. Por isso, os militares foram estruturados para operar com autonomia operacional e logística durante todo o período de empenho.
Além das ações de busca e salvamento, os bombeiros brasileiros poderão colaborar na avaliação dos danos provocados pelos terremotos, no planejamento das operações, no georreferenciamento das áreas atingidas, na organização das frentes de trabalho e no apoio à população afetada.
A atuação será realizada de forma integrada com as autoridades venezuelanas e organismos internacionais de resposta a desastres, respeitando as prioridades definidas pelo país e os protocolos diplomáticos estabelecidos pelo Governo Federal.
Para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, a missão reforça a tradição da corporação em operações humanitárias nacionais e internacionais, colocando a experiência dos militares mineiros a serviço da preservação de vidas e do apoio às populações atingidas por grandes desastres naturais.


