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Diretora de Anatomia do Caos compara CPI da Covid a BBB: “Era viciada”

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Diretora de Anatomia do Caos compara CPI da Covid a BBB: “Era viciada”

Quando a CPI da Covid-19 chegou ao Congresso Nacional em abril de 2021, a atenção dos brasileiros estava voltada para as discussões que logo dominaram as redes sociais à época. Ainda mais ligados na web durante o isolamento social, os internautas passaram a acompanhar o debate sobre a emergência sanitária que tirou mais de 700 mil vidas como um reality show, assistindo aos parlamentares protagonizarem vídeos virais com discursos aos berros e respostas atravessadas aos pares.

Foi este triste fenômeno que inspirou a diretora Dandara Ferreira a realizar o documentário Anatomia do Caos e resgatar o episódio que escancarou as diferenças entre as afirmações públicas das autoridades e o que de fato ocorria nos bastidores.

“Tinha um interesse muito grande em acompanhar a CPI. Eu era viciada. Acabou o Big Brother [Brasil] e a CPI virou o negócio que eu assistia o dia inteiro quando estava em casa sem ter o que fazer”, relembra em entrevista ao Metrópoles.

O interesse se tornou indignação e logo Dandara era uma das muitas que quebravam o isolamento para acompanhar e registrar as sessões no Congresso Nacional, que ocorreram de abril a outubro de 2021. “Eu decidi pegar uma câmera e filmar a CPI como se fosse um reality show. Porque, naquele momento, ela se tornou um microcosmo da pandemia. Ali estavam reunidos os personagens centrais, os principais documentos, os conflitos, as contradições e as perguntas que o país precisava naquele momento.”

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Cena do documentário Anatomia do Caos

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Cena do documentário Anatomia do Caos

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Dandara Ferreira, cineasta e diretora de Anatomia do Caos

Divulgação/Flora Negri

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Cena do documentário Anatomia do Caos

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Cena do documentário Anatomia do Caos

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Cena do documentário Anatomia do Caos

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As observações de Dandara não se limitaram à sala da comissão. As maiores descobertas vieram ao percorrer os corredores e gabinetes, quando os parlamentares não estavam sob a vigilância da transmissão ao vivo da TV Senado. “Quando a câmera não está ligada, meio que todo mundo tem uma boa relação nos bastidores. Eles falavam do jogo de futebol e perguntavam da família. Mas quando a câmera está ligada, [os parlamentares] vestem as máscaras e incorporam aqueles personagens que a gente assistiu na televisão“, ressalta.

Bolsonaro foi o “vilão da pandemia”?

Um dos “personagens” mais presentes ao longo de Anatomia do Caos é Jair Bolsonaro, presidente da República à época da CPI. A primeira impressão é de que, se este fosse um filme de ficção, o ex-presidente poderia ser considerado um vilão. A diretora, porém, acredita que esta é uma forma de reduzir o impacto que a obra busca trazer.

O documentário não é sobre o Bolsonaro, mas ele é uma figura central porque ocupava a presidência durante a crise sanitária. Não foi só por isso, mas os números de popularidade de Bolsonaro caíram muito por conta da pandemia , tanto que foi o único presidente da redemocratização a não ser reeleito.”

“Muita gente foi responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros, mas nunca ninguém foi punido. Bolsonaro, por exemplo, não chegou a ser responsabilizado pela pandemia, mesmo que tenha sido preso pelo 8 de Janeiro. E eu acho que a atuação dele na pandemia foi muito mais grave que a tentativa de golpe de Estado“, declara.

Além de Bolsonaro, muitas outras figuras e episódios importantes para o cenário político da época ganham destaque na produção: as investigações sobre o “gabinete paralelo” que aconselhava o ex-presidente; a convocação do empresário Luciano Hang, fundador da varejista Havan para depoimento; a participação de parlamentares como Simone Tebet (PSB-SP) e Rogério Carvalho (PT-SE), que dão depoimentos ao documentário; e a importância dos familiares das vítimas, que acompanharam atentamente as discussões para impedir que as mortes caíssem no esquecimento.

“O filme, na verdade, é sobre uma estrutura de poder e uma vulnerabilidade coletiva. É sobre a responsabilidade histórica e justiça. Porque esquecer uma tragédia não quer dizer superá-la. Porque democracia também é memória”, declara Dandara Ferreira.

Anatomia do Caos estreia com sessões de debates

O lançamento de Anatomia do Caos nos cinemas será marcado por um circuito de exibições seguidas de debates com a presença da diretora. O filme chega primeiro ao Distrito Federal, no dia 30 de junho, com uma sessão de pré-estreia no Cine Brasília, a partir das 19h.

Convite para sessão especial do filme Anatomia do Caos no Cine Brasília

Também estão previstas exibições em capitais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Manaus (AM), Recife (PE), Curitiba (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) a partir de 2 de julho. As datas podem ser conferidas no perfil da produtora nas redes sociais.

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