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Feminicídios crescem em MG e 2026 pode bater recorde

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Feminicídios crescem em MG e 2026 pode bater recorde

Belo Horizonte – Entre janeiro de 2019 e maio de 2026, o estado de Minas Gerais contabilizou um total de 2.725 vítimas de feminicídio, abrangendo tanto casos consumados quanto tentados. O levantamento, baseado em dados integrados de segurança pública, aponta que a capital mineira concentra o maior volume de registros no estado.

Praticamente todos os dias, ou na capital ou em cidades do interior de Minas, há casos de tentativas de feminicídios ou fatos consumados. Os autores quase sempre são homens motivados por ciúmes, ou por sentimentos de rejeição após o término de relacionamento.

Situação do ano de 2026

Nos primeiros cinco meses de 2026, Minas Gerais já registrou 148 vítimas e o mês de fevereiro registrou 23 feminicídios consumados, o maior número registrado para este mês específico, desde o início da computação dos dados em 2019. Já o mês de abril apresentou o menor índice de casos consumados do relatório com cinco ocorrência.

Se a tendência de 2026 se confirmar, região pode registrar o maior número de feminicídios tentados e consumados da série histórica.

Esses números preocupam pesquisadores da área e evidenciam falhas na rede de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. A avaliação é da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das coordenadoras da Rede Feminina de Estudos sobre Violência, Justiça e Prisões, Ludmila Ribeiro.

Segundo a pesquisadora, os dados mostram uma mudança importante em relação aos anos anteriores. “Historicamente, havia uma certa estabilidade entre os casos de feminicídios tentados e consumados. Agora, em 2026, o que vemos é um aumento. Se essa tendência se confirmar, este será o ano com a maior quantidade de feminicídios tentados e consumados da nossa história”, afirma.

Para Ludmila, o crescimento dos casos revela que, apesar dos avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha, ainda existem obstáculos importantes para que a legislação cumpra plenamente seus objetivos de prevenir, punir e erradicar a violência doméstica.

A especialista explica que cerca de 90% dos feminicídios são classificados como feminicídios íntimos, quando o crime é cometido pelo companheiro ou ex-companheiro da vítima em razão de conflitos no relacionamento.

Ranking estadual

Belo Horizonte lidera o ranking estadual com 347 registros totais no período analisado. Na Região Metropolitana (RMBH), a violência é acentuada em cidades como Betim (27 casos consumados) e Contagem (21 casos consumados).

No interior, o destaque negativo fica para Uberlândia, que na leitura dos dados mais recentes (2024-2026) assumiu a segunda posição estadual em volume de ocorrências, superando cidades da Grande BH.

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Matéria sobre mulher desaparecida e jogada em penhasco

Metrópoles / Reprodução

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Matéria sobre mulher encontrada decapitada

Metrópoles / Reprodução

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Matéria sobre mulher encontrada decapitada

Metrópoles / Reprodução

Tentativas Superam Crimes Consumados

Uma característica marcante dos dados é que, na maioria dos anos, o número de feminicídios tentados é superior ao de consumados. Em 2024, 248 mulheres sobreviveram a ataques. Em 2023, houve uma exceção nesse padrão, pois o o número de mortes, um total de 186, ultrapassou o de tentativas (168).

Um dos principais problemas apontados pela pesquisadora é a baixa efetividade das medidas protetivas.

De acordo com estudos realizados em Belo Horizonte, muitas vítimas de feminicídio já haviam registrado diversas ocorrências de violência doméstica antes do assassinato. “Em média, essas mulheres tinham sete registros de violência doméstica e chegaram a solicitar medida protetiva. Mesmo assim, terminaram sendo vítimas de feminicídio consumado”, destaca.

Na avaliação da pesquisadora, o Estado precisa investir em novas tecnologias para monitorar automaticamente o descumprimento das medidas protetivas, reduzindo a sobrecarga sobre as mulheres. Segundo Ludmila, a fiscalização das medidas acaba recaindo sobre a própria vítima.

“Quando se impõe a medida protetiva, a responsabilidade pela fiscalização se torna toda da mulher. É ela quem precisa verificar se o agressor está cumprindo a determinação, acionar a polícia e comunicar qualquer descumprimento. Isso faz com que ela deixe de ser apenas vítima e passe a ser também responsável pela execução da medida”, afirma.

Na avaliação da pesquisadora, o Estado precisa investir em novas tecnologias para monitorar automaticamente o descumprimento das medidas protetivas, reduzindo a sobrecarga sobre as mulheres.

Diversidade e Metodologia

O sistema de monitoramento mineiro destaca-se por incluir em suas estatísticas dados de mulheres trans e travestis, garantindo que a identidade de gênero seja respeitada nos registros oficiais. Os dados são extraídos de bases integradas como o REDS e o PCnet, envolvendo órgãos como a Polícia Civil e a Polícia Militar.

Para os casos consumados, a tipificação abrange tanto a violência doméstica e familiar quanto o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Já o registro de tentativas é mais restrito, focando em contextos de violência doméstica no momento da lavratura da ocorrência.

Relação com o Autor

A maioria dos crimes registrados possui um componente relacional direto. O sistema acompanha vínculos que vão desde cônjuges, namorados e ex-companheiros até relações de parentesco como filhos, irmãos e netos, além de casos de coabitação e relacionamentos extraconjugais.

As autoridades reforçam que o preenchimento correto dos boletins de ocorrência é fundamental para a fidedignidade dos dados e para a elaboração de políticas públicas de combate à violência contra a mulher em todo o estado.

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Glenielle Lourenço foi agredida dentro de um carro

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Ana Cláudia, de 41 anos, foi estuprada, torturada e jogada de um penhasco

Reprodução

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Thaís Ramos Gonçalves, de 31 anos, morta pelo companheiro em MG

Redes Sociais / Reprodução


Minas Gerais (2019–2026), veja os números de ocorrências:


Locais de Atenção Constante (2019–2026)

Ao longo de todos os anos, os dados detalhados indicam que municípios como Belo Horizonte, Contagem, Betim, Uberlândia e Ribeirão das Neves aparecem de forma recorrente em todas as listas anuais de ocorrências, tanto em casos consumados quanto tentados.

Ludmila Ribeiro ressalta que incentivar apenas a denúncia não é suficiente. “Hoje as mulheres denunciam mais, mas o Estado ainda demonstra dificuldades para fiscalizar efetivamente as medidas protetivas. Precisamos pensar em novas formas de proteção para que essa responsabilidade deixe de recair sobre quem já sofreu a violência”, alerta.

Para ela, somente uma atuação integrada entre segurança pública, educação, saúde e assistência social poderá reduzir de forma consistente os índices de feminicídio no país.

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