A manutenção de temperaturas extremas em academias prejudica o rendimento físico e aumenta o risco de lesões em frequentadores durante os exercícios. Segundo o especialista em treinamento físico Tiago Matos e o engenheiro de climatização João Nakata, o equilíbrio térmico nos centros de ginástica é essencial para a segurança dos alunos.
O alerta surge porque ambientes abaixo de 10°C deixam músculos e tendões rígidos, exigindo aquecimento prolongado, enquanto locais acima de 30°C causam desidratação e fadiga precoce. Para resolver o problema, os profissionais recomendam a estabilização do ar-condicionado na faixa ideal de 20°C a 25°C.
Entenda
Faixa ideal: estudos indicam que a temperatura entre 20°C e 25°C (com ápice em 24°C) é a que melhor equilibra o conforto e o rendimento.
Perigo no frio: ambientes abaixo de 10°C contraem a musculatura, deixando o corpo propenso a estiramentos se o aquecimento não for ampliado.
Desgaste no calor: exercitar-se acima de 30°C ou em locais abafados eleva o risco de superaquecimento, exaustão e queda severa de desempenho.
Solução tecnológica: o uso de aparelhos com tecnologia inverter ajuda a ajustar a refrigeração conforme o fluxo de alunos, evitando picos.
Segundo Tiago Matos, o segundo ponto de maior impacto na rotina dos treinos envolve a engenharia do ambiente e a umidade do ar, que deve permanecer entre 40% e 60%. “Quando a umidade está alta (acima de 60-70%), a evaporação do suor fica comprometida, aumentando a sensação de calor e o risco de superaquecimento.”
Nakata, engenheiro especialista em aplicação da General HVAC Solutions Brasil, explica que o corpo dissipa calor através da evaporação do suor. Se o sistema de refrigeração estiver desregulado ou mal dimensionado, o aluno cansa mais rápido.
“Um planejamento adequado de climatização deve considerar as particularidades de cada espaço, já que as áreas de musculação, salas de cardio e vestiários possuem fluxos de ocupação e demandas térmicas completamente diferentes ao longo do dia”, afirma o engenheiro.
Para os profissionais, o controle térmico correto também influencia diretamente na saúde financeira do negócio e na retenção dos clientes. Sistemas mal planejados geram gastos excessivos com energia elétrica e exigem manutenções corretivas frequentes, além de afetar a percepção de qualidade do local.
“O aluno percebe quando o ambiente está abafado, gelado demais ou com ar mal distribuído”, destaca o engenheiro João Nakata, lembrando que o conforto térmico dita a permanência do usuário na academia.
As recomendações encontram respaldo em diretrizes internacionais de saúde e arquitetura corporativa. O American College of Sports Medicine reforça que treinar em locais quentes exige cuidados redobrados para mitigar os impactos da exaustão térmica, enquanto pesquisas publicadas no periódico Building and Environment confirmam que os 24°C são o ponto de virada para a eficiência metabólica.
O consenso entre os especialistas indica que o equilíbrio operacional é o único caminho para garantir o sucesso dos treinos.
As academias precisam monitorar ativamente as oscilações de público, ouvir o feedback dos matriculados e vistoriar os filtros e dutos de ar. Ajustar os termostatos de acordo com a atividade exercida em cada sala protege os atletas e consolida uma rotina de exercícios segura e produtiva.

