Em torno de 20% a 30% da população do Brasil tem esteatose hepática, segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Mais conhecida como gordura no fígado, a condição é “traiçoeira”, conforme define a gastroenterologista Maria Júlia Colossi. A médica destaca que a doença é “quase totalmente silenciosa e assintomática” nos estágios iniciais e intermediários.
Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a especialista avalia como maior mito acreditar que os exames de sangue laboratoriais de rotina bastam para o diagnóstico. “A verdade é que as enzimas hepáticas (TGO/AST e TGP/ALT) podem estar normais mesmo quando o paciente já possui fibrose avançada ou inflamação grave no fígado”, endossa.
A médica afirma que, como não há dor, a condição costuma ser descoberta por acaso durante a realização de ultrassonografia abdominal. Ela enfatiza que os sinais clínicos mais visíveis, muitas vezes, indicam a presença de resistência à insulina associada, e não no fígado em si, como a Acantose nigricans (manchas escuras aveludas no pescoço ou axilas) e o aumento da circunferência abdominal.
De acordo com a mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sintomas como fadiga intensa ou sinais físicos evidentes, a exemplo de baço aumentado, tendem a aparecer quando a gordura no fígado já evoluiu para cirrose. A especialista defende que a prevenção primária foca em evitar o ganho de peso e o estresse metabólico.

Cuidados
Evitar a esteatose hepática requer adotar algumas medidas, principalmente entre os adultos jovens, faixa etária em que a gordura no fígado tem aumentado a prevalência.
Abaixo, confira os cuidados com potencial de ajudar a evitar a doença:
Adotar um padrão alimentar saudável
Maria Júlia aconselha seguir modelos como a dieta mediterrânea por priorizar alimentos in natura, como vegetais, frutas, legumes, peixes, azeite e nozes; e evitar opções ultraprocessadas, carnes processadas, refrigerantes e sucos de caixinhas, que são ricos em frutose.

Praticar exercícios físicos
A médica reitera que o sedentarismo por si só é um risco: “Deve-se realizar tanto exercícios aeróbicos quanto de resistência (musculação), acumulando no mínimo 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana”. Ela orienta reduzir o tempo sentado, sugerindo a estratégia de fazer caminhadas curtas entre as atividades em que fica sentado.
Limitar ou evitar o consumo de álcool
O álcool atua em conjunto com fatores metabólicos como a obesidade para acelerar e agravar as lesões no fígado. “O uso abusivo deve ser evitado a todo custo”, defende a especialista.
Consumir café
Com base em estudos, Maria Júlia Colossi ressalta que tomar em torno de três xícaras de café — com ou sem cafeína — por dia demonstrou ter um efeito protetor sobre o fígado, reduzindo o risco de formas avançadas da doença.

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