O historiador Liandro Antiques, responsável por uma biografia que contará a história do serial killer Lázaro Barbosa, afirmou que a obra não busca homenagear, exaltar ou justificar os crimes cometidos pelo criminoso.
À coluna, o pesquisador explicou que o projeto tem caráter documental e investigativo e pretende compreender os fatores sociais, familiares, culturais e institucionais que marcaram a trajetória de Lázaro.
Segundo ele, a proposta também busca contextualizar os fatos e evitar que a história seja baseada apenas em especulações e informações incompletas.
“A história não se ocupa apenas dos exemplos de virtude, mas também dos episódios que desafiam a sociedade a refletir sobre suas próprias fragilidades e contradições. O projeto tem caráter documental e investigativo”, disse.
Liandro prosseguiu: “A proposta não é construir um mito, nem transformar um criminoso em protagonista admirável, mas registrar um fenômeno social que despertou interesse público e gerou inúmeras interpretações, muitas vezes baseadas em especulações e informações incompletas. Nesse sentido, o livro se insere no campo da pesquisa histórica e documental, comprometido com a apuração dos fatos, a contextualização dos acontecimentos e a reflexão crítica sobre suas consequências.”
Segundo o historiador, a obra também pretende fomentar o debate sobre exclusão social, violência, estrutura familiar, sistema prisional, segurança pública e os desafios enfrentados por comunidades do interior.
Liandro foi o responsável por pedir acesso a três inquéritos relacionados ao caso Lázaro, conforme mostrou a coluna.
Os três pedidos foram acolhidos por juízes das comarcas de Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, que destacaram que, como os autos não tramitam sob sigilo, não há prejuízo às investigações com a liberação do material para fins de pesquisa histórica e documental.
Projeto
A elaboração da biografia ocorre paralelamente a outro projeto sobre o caso, que deve ser divulgado nos próximos meses.
Uma produtora de São Paulo prepara a série documental Invisível — Os passos de Lázaro Barbosa. A produção, conduzida de forma reservada pelos diretores, ainda está em fase de pesquisa.
As duas produções avançam enquanto permanece arquivado o inquérito que investigou a morte de Lázaro, instaurado para apurar suspeitas de excessos cometidos por policiais militares durante a operação. A investigação foi encerrada sem esclarecer pontos considerados essenciais sobre a ação.
Lázaro morreu em 28 de junho de 2021. Durante a operação, os policiais efetuaram 125 disparos. A perícia localizou 14 projéteis no corpo do criminoso, embora ele tenha sido atingido por 38 tiros.
O serial killer ficou 20 dias foragido após assassinar quatro integrantes da mesma família em Ceilândia (DF). Em 9 de junho, Lázaro invadiu a chácara da família Vidal e matou Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, Gustavo Marques Vidal, de 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15. A mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade, de 43 anos, foi sequestrada.
O corpo dela foi encontrado três dias depois, a poucos metros da residência, com um tiro na cabeça e indícios de violência sexual.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o Ministério Público identificou a ausência de diligências básicas, como a oitiva de testemunhas e os depoimentos dos próprios policiais envolvidos na ação. Também não constam nos autos laudos periciais considerados essenciais, como o exame cadavérico e o registro detalhado do local da morte.
Lázaro chegou a ser socorrido com vida antes de morrer no hospital, mas o inquérito não contém relatórios médicos completos. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios.

