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Ministério analisa aumento de mortes para decidir futuro da Faixa Azul

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Ministério analisa aumento de mortes para decidir futuro da Faixa Azul

A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) analisa relatório enviado pela cidade de São Paulo, pioneira na instalação da Faixa Azul, para decidir sobre o futuro da faixa exclusiva para motos. Como mostrou a coluna, as vias que a receberam tiveram aumento no número de acidentes, de mortes, de atropelamentos e de vítimas.

De acordo com a Senatran, o período de testes da Faixa Azul foi oficialmente encerrado em 31 de março de 2026 e cada município deve apresentar um relatório consolidado contendo a avaliação técnica dos trechos onde a sinalização foi implantada.

São Paulo, que tem 221 quilômetros de Faixa Azul, já enviou o seu relatório, produzido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O documento, que faz o balanço final comparando dados de antes da implantação da Faixa Azul em cada via com os de depois da instalação, mostra piora em todas as estatísticas analisadas.

As mortes passaram de 57 “antes” da instalação da faixa exclusiva para 68 depois, um acréscimo de 19,2%. Apesar disso, a conclusão da prefeitura é que a Faixa Azul se consolidou “como uma tecnologia de preservação da vida”.

Para os pedestres a situação é ainda pior. Dez pessoas morreram atropeladas nessas vias antes da instalação da Faixa Azul, número que disparou para 25 depois do projeto, um expressivo aumento de 150%.

Também houve aumento tanto no número de atropelamentos com vítimas não fatais (que passaram de 125 para 155, 24% a mais) quanto de acidentes com vítimas não fatais envolvendo carros e motos (2016 antes, 2.295 depois, aumento de 13,8%). Em todos os nove recortes de números totais calculados pela CT os índices pioraram com a Faixa Azul.

A prefeitura de São Paulo, porém, não divulgou publicamente esses números de mortes e tem insistido que a Faixa Azul torna o trânsito mais seguro. Para isso, passou usar uma fórmula proposta por um estudo acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina, chamada “Taxa de Severidade”, que divide o número de acidentes, com pesos distintos, pela multiplicação entre período de referência, volume diário de veículos e extensão de uma via.

Apesar de todos os índices medidos (sinistros, acidentes com vítimas, atropelamentos, mortes) terem tido aumento maior que o aumento no fluxo de motos (10,9%, segundo a CET) nas vias com Faixa Azul, a prefeitura conseguiu chegar a um número que a permite dizer que a faixa exclusiva tornou essas ruas e avenidas mais seguras. Para isso, calculou a taxa por via e, depois, calculou a média entre essas taxas.

Para chegar a tal número, a CET deu peso igual a vias com grande fluxo de veículos, como a Vinte e Três de Maio (que teve alta de 2,8 para 3,6) com vias bem menores, como a rua Santa Eulália, de dois quarteirões, que teve três acidentes não fatais antes da Faixa Azul e nenhum depois, vendo seu índice cair de 30 para 0. Assim, uma rua de dois quarteirões compensa, sozinha, 30 vezes a alta na avenida que teve 155 acidentes.

Apoiada nesse índice positivo, único tornado público, a prefeitura tem afirmado que a Faixa Azul salva vidas e cobrado pressa da Senatran para liberar a faixa exclusiva em mais vias.

A secretaria do Ministério dos Transportes, porém, diz que ainda aguarda o recebimento dos documentos de outros municípios que solicitaram a prorrogação do prazo para o envio do balanço final. Cidades como São Bernardo do Campo (SP), Santo André (SP) e Fortaleza (CE) também têm a Faixa Azul de forma experimental.

“A Senatran está analisando os relatórios já recebidos com o objetivo de verificar a consistência das informações e consolidar evidências técnicas que subsidiem a próxima etapa do processo. Com base nessa avaliação, será definida a continuidade da Faixa Azul em caráter experimental ou o avanço para sua regulamentação definitiva”, explicou o órgão.

“Caso a adoção permanente seja aprovada, caberá ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) conduzir o processo regulatório. A medida permitirá a implementação da Faixa Azul em âmbito nacional, observados os critérios técnicos e as normas de segurança viária”, continuou.

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