Representantes do setor de energia solar protestaram, na manhã desta terça-feira (30/6), em frente à sede da Neoenergia Brasília para denunciar atrasos na conexão de sistemas de geração distribuída à rede elétrica.
A manifestação reuniu mais de 100 integradores, empresários, instaladores e profissionais do setor. De acordo com a Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES), organizadora do ato, o protesto foi motivado pelo aumento das reclamações envolvendo a geração distribuída (GD), modalidade em que o próprio consumidor produz energia, geralmente por meio de placas solares instaladas em residências, empresas ou propriedades rurais.
“Tem consumidores que já instalaram placas solares e aguardam há mais de 600 dias para que a Neoenergia conclua o processo de conexão”, afirmou Lucas de Paula, membro da ABES. Segundo ele, enquanto isso não acontece, os consumidores não conseguem começar a gerar energia nem obter a economia esperada na conta de luz.
Lucas afirma que os problemas vão além da demora para conectar os sistemas à rede elétrica. “O consumidor fica sem informação, os protocolos desaparecem, há demora nas vistorias, problemas no faturamento e créditos de energia que deixam de ser compensados. Isso gera insegurança tanto para quem investiu quanto para as empresas que atuam no setor”, disse.
Após a manifestação, representantes da ABES foram recebidos pela diretoria da Neoenergia Brasília para apresentar as principais demandas do setor e cobrar medidas para reduzir os atrasos e melhorar o atendimento aos consumidores.
O que diz a Neoenergia
Em nota, a Neoenergia Brasília informou que, como resultado da reunião, vai criar canais exclusivos de atendimento para demandas relacionadas a vistorias, faturamento e compensação de créditos de energia.
A empresa afirmou ainda que está atualizando seus sistemas e reconheceu que a transição gerou impactos, “especialmente em faturamento e compensação de créditos”, mas disse que os problemas já estão sendo tratados com prioridade.
Sobre os atrasos na conexão das usinas, a concessionária explicou que o processo envolve etapas técnicas e regulatórias e informou que cerca de 50% dos projetos apresentados pelos clientes possuem pendências técnicas, o que impacta os prazos de conclusão.
Por fim, a Neoenergia afirmou que está “reforçando equipes, acelerando análises e aperfeiçoando processos” para corrigir inconsistências e melhorar o atendimento.

