A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) investiga a tentativa de homicídio contra Aparecida Francisca dos Santos, conhecida como Dona Cida, em Mairiporã, na Região Metropolitana de São Paulo. O principal suspeito é o filho adotivo dela, Nicolas dos Santos Nunes, de 22 anos, preso na quinta-feira (25/6). Segundo a investigação, o objetivo do crime era ficar com a herança da vítima.
Mensagens obtidas pelas autoridades mostram que a namorada de Nicolas, uma adolescente de 17 anos, incentivava o companheiro a matar a mãe adotiva. Nas conversas, a jovem pressionava o investigado a acelerar o plano e afirmava que, após a morte de Dona Cida, os dois poderiam viver juntos sem interferências da família.
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Em um dos trechos da conversa, a adolescente escreve: “Se livra logo dessa puta”.
Em outra mensagem, tenta convencer Nicolas de que ele superaria a morte da mãe. “Você já pensou como vai ser nossa vida depois que ela morrer? Vamos ter uma casa pra morar só nós dois”, afirmou.
Vítima começou a apresentar sintomas
- As investigações apontam que Nicolas teria colocado pequenas doses de um veneno, ainda não identificado, na comida da mãe durante semanas. A vítima passou a apresentar vômitos, tonturas, fortes dores abdominais e episódios frequentes de mal-estar.
- A situação começou a ser investigada depois que uma parente desconfiou dos sintomas e levou Dona Cida ao hospital. Exames indicaram a possibilidade de envenenamento, e um boletim de ocorrência foi registrado.
- As mensagens também mostram que o casal discutia diferentes formas de matar a vítima.
- Eles comentavam sobre o uso de veneno para ratos e veneno para formigas, reclamavam da demora para que a substância fizesse efeito e cogitavam outros meios caso o plano falhasse.
Em uma conversa, Nicolas afirma ter preparado o veneno e envia uma foto da substância ao lado de um prato de comida. “Pronto, veneno pronto. Tô nervoso, amor. Tive que macetar, era em grão”, escreveu.
Ele chegou a filmar a mãe ingerindo a comida envenenada.
A adolescente também chegou a ameaçar terminar o relacionamento caso Nicolas não matasse a mãe. Em resposta, ele afirmou que cometeria o crime e chegou a sugerir roubar uma espingarda caso o envenenamento não desse resultado.
Suspeito confessou o plano
Durante o interrogatório, Nicolas confessou que colocou veneno para formigas na comida da mãe e do padrasto, mas negou ter usado chumbinho. Ele também declarou que a ideia do crime partiu da namorada, que teria sugerido matar Dona Cida com veneno ou faca.
Apesar da tentativa de transferir a responsabilidade para a adolescente, a PCSP apura a participação de ambos no planejamento e na execução do crime.
Nicolas também admitiu ter feito movimentações financeiras com cartões bancários da mãe sem autorização.
Caso segue sendo investigado
A adolescente foi ouvida na presença de um responsável legal e poderá responder por ato infracional equivalente aos crimes investigados.
A polícia pediu a internação provisória da jovem na Fundação Casa, a conversão da prisão em flagrante de Nicolas em preventiva e a quebra do sigilo dos celulares apreendidos.
Após sobreviver ao suposto envenenamento, Dona Cida solicitou medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha. A polícia paulista segue investigando quais substâncias foram utilizadas, por quanto tempo o envenenamento ocorreu e se há outros envolvidos no caso.

