O ex-deputado Washington Reis (MDB) e a irmã Jane Reis (MDB), pré-candidata a vice-governadora do Rio de Janeiro na chapa de Eduardo Paes (PSD), são alvo da segunda fase da Operação Anáfora, deflagrada na manhã desta terça-feira (30/6).
Nesta etapa, a ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao desvio de recursos públicos, sobretudo verbas destinadas à Saúde no estado. A operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, além de Duque de Caxias.
Segundo a PF, as apurações avançaram após a primeira fase da Operação Anáfora, que teve como foco um esquema de desvio de dinheiro na contratação de uma cooperativa pela Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias.
Na ocasião, a PF apontou suspeitas de desvios em contratos que ultrapassaram R$ 563 milhões e cumpriu mandados contra investigados, entre eles o então ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, e o empresário Mário Peixoto.
Nesta segunda fase, agentes da PF identificaram que Washington e Jane Reis atuavam na lavagem de dinheiro por meio da “WR Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda.” que tinha como estrutura operacional a empresa Laticínio Vale Carioca no esquema de corrupção na saúde municipal.
Nesta nova fase, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outras infrações que venham a ser identificadas ao longo da investigação.
O Metrópoles tenta contato com os investigados.
Modus Operandi para lavagem de dinheiro
De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, Jane Reis é apontada pela investigação como a principal operadora financeira na empresa” WR Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda.”, que tem capital social de R$ 800 mil.
A investigação aponta que a lavagem de dinheiro era operacionalizada por meio da estrutura do Laticínio Vale Carioca. O laticínio funcionava em um complexo industrial na Avenida Beira Rio, onde Washington Reis é proprietário de diversos galpões.
A PF identificou que a empresa tem fortes características de ter sido utilizada puramente para a ocultação de valores ilícitos. A corporação ainda reuniu indícios de que o ex-deputado era o verdadeiro dono do negócio, incluindo mensagem de áudio na qual ele afirmava fazer parte da administração do Laticínio Vale Carioca.
Além do núcleo familiar, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) do Rio expediu quatro mandados de busca e apreensão contra aliados diretamente vinculados ao principal investigado.


