O vereador do PT de São Paulo Senival Moura, preso por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), pediu afastamento do partido neste sábado (27/6) para “se dedicar à sua defesa” e não “vincular os últimos acontecimentos” à legenda, de acordo com nota assinada pelo presidente do diretório municipal, Hélio Rodrigues.
Na última quinta-feira (25/6), dia da prisão, o PT já havia dito que o caso seria encaminhado ao Conselho de Ética do partido, o que poderia resultar em medidas disciplinares, como o afastamento anunciado neste sábado e até a expulsão.
“O Diretório Municipal do PT de São Paulo não compactua com qualquer prática ilícita e reafirma que todos os fatos devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com respeito à lei e às garantias constitucionais”, escreveu o órgão interno na ocasião.
Senival Moura foi preso na operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em parceria com o Ministério Público do estado contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião.
Segundo as investigações, a concessionária, que opera 50 linhas na zona leste da capital, transportando em média 262 pessoas por dia, teria Senival como uma espécie de sócio oculto.
Na representação que deu origem à operação, os delegados citaram conversas entre suspeitos sobre supostos pagamentos ao vereador. Nos diálogos, o parlamentar seria referenciado como “extrema”, “veio” e “presidente”.
Jurado de morte pelo PCC
O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, disse em entrevista coletiva que Senival Moura havia sido jurado de morte pelo PCC por desviar dinheiro da facção, mas foi perdoado após devolvê-lo. O diretor da empresa apontado como operador do vereador, Adauto Soares Jorge, não teve a mesma sorte e foi morto a tiros em uma padaria na zona leste.
“Vereador foi perdoado pelo partido em razão do ressarcimento do que ele havia desviado”, afirmou Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em entrevista coletiva. O delegado, no entanto, disse que não há informação sobre qual teria sido o valor ressarcido.
A morte de Adauto, em 2020, foi o ponto de partida para as investigações. Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, foi apontado como autor dos disparos.
O Ministério Público acredita que o crime foi motivado por “quebra de confiança” financeira. Integrantes da facção teriam descoberto que Adauto estaria desviando valores da Transunião para subsidiar um “caixa dois” para a campanha de reeleição de Senival Moura, em 2020, em detrimento dos repasses que deveriam ser feitos ao PCC.
Diante disso, o operador Leonel Martins teria sido escalado para resolver a questão por meio do tribunal do crime, que resultou na ordem de execução.










