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Vereador preso recebeu doação de campanha de empresários de ônibus

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Vereador preso recebeu doação de campanha de empresários de ônibus

Alvo de operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus de São Paulo, o vereador Senival Moura (PT-SP) foi preso na quinta-feira (25/6).

Apontado pela investigação como um líder oculto da empresa Transunião, o parlamentar recebeu doações de campanha em 2016, no total de R$ 18 mil, de ao menos seis donos de viações que aparecem nas investigações da Polícia Civil. São eles:

O terceiro mandato de Senival, conquistado nas eleições de 2016, coincide com o período em que a apuração aponta a consolidação da estrutura empresarial e financeira sob suspeita na Transunião. Enquanto o vereador se legitimava nas urnas, o núcleo dirigente da empresa, composto por vários dos doadores da campanha dele, realizava transações suspeitas para conferir uma aparência de regularidade à companhia.

Segundo as autoridades, a Transunião era inflada artificialmente para ocultar a movimentação financeira real e facilitar a fraude vinculada ao tráfico de drogas da facção criminosa.

Senival chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 2007, como suplente da eleição de 2004. Depois, foi reeleito sucessivamente nos pleitos de 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024, e exerce atualmente o sexto mandato.


Doadores de campanha de Senival


Operação

A operação de quinta-feira (25/6) é fruto de uma investigação iniciada em 2020, após o assassinato do então presidente da empresa Transunião, Adauto Soares Jorge. Além do vereador Senival Moura, outros quatro mandados de prisão foram expedidos pela Justiça paulista.

Agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), cumpriram as determinações judiciais na região metropolitana paulista e no município de Extrema, em Minas Gerais.

Segundo a representação policial, obtida pelo MetrópolesSenival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos.

A investigação identificou ainda que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com a remuneração oficial.

Conforme o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar a Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que ele estava desviando valores em benefício de Senival.

A investigação ainda apontou que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, o que sugere a instrumentalização para garantir os interesses do vereador.

A autoridade policial também ressaltou que Senival exerce atualmente os cargos de 1º secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.

O que diz a defesa do vereador

Em nota, o advogado Marcio Sayeg, que representa o vereador Senival Moura, afirmou que “a medida causa enorme surpresa, sobretudo porque foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos e exige que todos os fatos sejam rigorosamente esclarecidos pelas autoridades competentes”.

O texto aponta que a defesa está adotando todas as providências jurídicas cabíveis. “O vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”, acrescentou o comunicado.


Quem são os alvos

Pedidos de prisão temporária

Afastamento da Transunião

Suspensão de atividade econômica


De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, ficou comprovada a existência de um núcleo paralelo para tomar decisões relativas à Transunião, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. As autoridades também ressaltam que a própria mudança societária da Transunião teve origem ilícita, já que houve um salto do capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara.

Em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou duas organizações criminosas que lavavam recursos ilícitos do PCC provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos por intermédio da UPBus e da Transwolff. Essas duas empresas de ônibus são responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros.

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