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A 2 mil metros nos Andes, uma cidade sem ruas para carros recebeu 15 mil moradores, transformou uma escadaria em avenida principal, espalhou casas coloridas pela encosta e funcionou ao lado da maior mina subterrânea de cobre do mundo

A 2 mil metros nos Andes, uma cidade sem ruas para carros recebeu 15 mil moradores, transformou uma escadaria em avenida principal, espalhou casas coloridas pela encosta e funcionou ao lado da maior mina subterrânea de cobre do mundo

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A 2 mil metros nos Andes, uma cidade sem ruas para carros recebeu 15 mil moradores, transformou uma escadaria em avenida principal, espalhou casas coloridas pela encosta e funcionou ao lado da maior mina subterrânea de cobre do mundo

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 28/07/2026 às 20:18

Indústria, Mineração

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Erguida em 1905 nos Andes chilenos para os trabalhadores de El Teniente, Sewell virou uma cidade vertical sem carros

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Erguida em 1905 nos Andes chilenos para os trabalhadores de El Teniente, Sewell virou uma cidade vertical sem carros. Uma ferrovia levava moradores, alimentos e equipamentos até uma escadaria central cercada por casas coloridas, enquanto a altitude, a neve, o risco de incêndio e o isolamento moldavam a rotina de uma população que chegou a 15 mil pessoas.

Sewell funcionou sem ruas para carros em uma encosta dos Andes situada a cerca de 2 mil metros de altitude. No lugar de avenidas, escadas e passagens ligavam edifícios de madeira pintados com cores vivas.

Construída em 1905 pela Braden Copper Company, empresa de mineração dos Estados Unidos, Sewell ficava cerca de 60 quilômetros a leste de Rancagua, no Chile. As informações foram divulgadas pela UNESCO, agência das Nações Unidas para educação e cultura.

No auge, a cidade reuniu cerca de 15 mil moradores ao lado de El Teniente, reconhecida como a maior mina subterrânea de cobre do mundo. A geografia definiu como as pessoas moravam, trabalhavam, recebiam suprimentos e circulavam diariamente.

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A escadaria central assumiu o papel de avenida principal

Quem chegava à estação ferroviária encontrava uma grande escadaria central subindo pela montanha. Ela organizava a cidade e cumpria a função normalmente ocupada pela avenida principal.

A escadaria central assumiu o papel de avenida principal

Passagens saíam da escadaria e levavam a praças, edifícios e escadas menores. Esse sistema conectava diferentes níveis da encosta e permitia que os moradores alcançassem casas, serviços e espaços públicos.

A ausência de carros não resultava de uma proibição. O terreno era íngreme demais para veículos com rodas, fazendo da circulação de pedestres uma necessidade presente no planejamento de Sewell desde sua construção.

A ferrovia sustentava uma cidade isolada nos Andes

A estação ferroviária funcionava como porta de entrada para o assentamento. O trem mantinha Sewell ligada ao vale e à cidade de Rancagua, distante cerca de 60 quilômetros.

Moradores, alimentos, materiais e equipamentos chegavam pela ferrovia. Depois do desembarque, pessoas e cargas precisavam seguir pelas escadas e passagens que atravessavam a encosta.

O funcionamento dependia de duas estruturas complementares. A ferrovia resolvia o acesso externo, enquanto a rede de escadas cuidava do deslocamento interno numa cidade sem ruas convencionais.

El Teniente aproximou moradia, trabalho e serviços

El Teniente era a razão para Sewell existir. A cidade foi planejada para manter trabalhadores e serviços perto da operação de cobre, distante dos grandes centros urbanos.

Uma mina subterrânea retira minério por caminhos abertos dentro da montanha. Essa atividade exigia trabalhadores próximos, fazendo com que moradia e trabalho ocupassem o mesmo ambiente industrial.

Alguns edifícios reuniam casas nos andares superiores e serviços na parte baixa. As praças entre as construções ofereciam espaços de encontro e ajudavam a criar uma comunidade que não se limitava ao trabalho na mina.

Madeira e cores vivas enfrentavam neve, fogo e clima extremo

As construções de Sewell eram feitas principalmente de madeira e apareciam em verde, amarelo, vermelho e azul. As cores fortes deram identidade ao conjunto e tornaram a encosta facilmente reconhecível.

O frio, a neve e o isolamento dificultavam reparos e abastecimento. Manter edifícios habitáveis durante todo o ano exigia cuidados permanentes com as estruturas.

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A UNESCO, agência das Nações Unidas para educação e cultura, registra que o uso amplo de madeira aumentava o risco de incêndio. A altitude e o clima severo também exigem manutenção rigorosa do patrimônio preservado.

Sewell lembra vilas mineradoras brasileiras, mas possui diferenças importantes

Sewell pode ser comparada às vilas empresariais construídas perto de minas e grandes operações industriais brasileiras. Esses assentamentos reuniam trabalhadores, moradias e serviços perto do local de produção.

A semelhança aparece na ligação direta entre emprego, casa e organização urbana. A atividade econômica influenciava a rotina dos moradores e a maneira como a cidade funcionava.

A grande diferença estava na encosta dos Andes. Sewell precisou adotar um desenho vertical, sustentado por escadas e passagens, enquanto antigas vilas brasileiras foram adaptadas a outros tipos de relevo e circulação.

A saída dos moradores não transformou Sewell em cidade fantasma

Sewell perdeu população quando a empresa considerou mais eficiente transferir trabalhadores para Rancagua. A mudança não representou o encerramento de El Teniente, mas reduziu gradualmente a função residencial da cidade.

Sewell funcionou sem ruas para carros em uma encosta dos Andes situada a cerca de 2 mil metros de altitude.

Parte das construções foi removida antes de a conservação ganhar prioridade. O núcleo restante recebeu o reconhecimento de Patrimônio Mundial e passou a preservar a história dos moradores e da mineração chilena.

O termo cidade fantasma não explica completamente a situação. O conjunto recebe manutenção e visitação controlada, enquanto a área industrial permanece ligada à atividade mineradora.

Uma cidade vertical que continua desafiando o planejamento urbano

Sewell reuniu 15 mil moradores a 2 mil metros de altitude sem depender de ruas para carros. Ferrovia, escadas, casas coloridas e espaços públicos permitiram que uma comunidade inteira funcionasse numa encosta marcada pelo isolamento.

Se Sewell reuniu 15 mil pessoas sem ruas para carros, o que ela pode ensinar às cidades atuais sobre mobilidade e relevo? Comente e compartilhe.

Fonte

UNESCO


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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