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A China enviou uma imagem criptografada por 12.900 quilômetros usando um microsatélite quântico, compartilhou 1 milhão de bits seguros numa única passagem e abriu caminho para uma rede global capaz de detectar tentativas de interceptação

A China enviou uma imagem criptografada por 12.900 quilômetros usando um microsatélite quântico, compartilhou 1 milhão de bits seguros numa única passagem e abriu caminho para uma rede global capaz de detectar tentativas de interceptação

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A China enviou uma imagem criptografada por 12.900 quilômetros usando um microsatélite quântico, compartilhou 1 milhão de bits seguros numa única passagem e abriu caminho para uma rede global capaz de detectar tentativas de interceptação

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/07/2026 às 22:10

Atualizado em 28/07/2026 às 22:11

Curiosidades

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Microsatélite quântico chinês conectou estações na China e na África do Sul, distribuiu mais de 1 milhão de bits seguros em uma passagem orbital e permitiu transmitir imagens criptografadas por 12.900 quilômetros, em um avanço que aproxima redes quânticas globais da operação em larga escala.

Ao conectar pontos separados por mais de 12.900 quilômetros, a China estabeleceu uma ligação quântica entre estações terrestres instaladas no país e na África do Sul, usando um microsatélite compacto como parte central da infraestrutura de comunicação.

Durante uma única passagem orbital, o sistema distribuiu chaves criptográficas em tempo real, compartilhou até 1,07 milhão de bits seguros e permitiu a transmissão de imagens protegidas entre os dois continentes, segundo o estudo publicado na revista Nature.

Desenvolvido para reduzir uma das principais barreiras à expansão das comunicações quânticas por satélite, o equipamento espacial diminuiu tanto o tamanho da carga instalada em órbita quanto a estrutura necessária para acompanhar, receber e processar os sinais em solo.

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De acordo com os pesquisadores, a carga quântica do microsatélite pesa aproximadamente 23 quilos, enquanto cada estação terrestre portátil tem cerca de 100 quilos, dimensões muito inferiores às observadas nas primeiras demonstrações realizadas com sistemas maiores.

Como funciona a distribuição quântica de chaves

Em comparação com tecnologias anteriores, essas medidas representam uma redução superior a dez vezes no peso da carga espacial e a cem vezes no peso das estações terrestres, ampliando as possibilidades de transporte, instalação e operação em diferentes localidades.

Graças à miniaturização, a tecnologia pode ser integrada a satélites menores e operada com equipamentos menos complexos do ponto de vista logístico, condição considerada essencial para aumentar o número de terminais terrestres e ampliar a cobertura dos futuros enlaces.

Conhecida pela sigla QKD, a distribuição quântica de chaves utiliza estados quânticos de partículas de luz para criar e compartilhar uma sequência secreta entre dois pontos, em vez de depender somente do envio convencional de senhas por redes tradicionais.

Depois de gerada, essa sequência é usada para criptografar e decifrar as informações transmitidas, enquanto qualquer alteração relevante nos estados físicos enviados pode elevar a taxa de erros percebida pelos participantes e indicar uma possível tentativa de interceptação.

No teste intercontinental, a própria conexão quântica produziu a chave empregada na proteção das imagens enviadas entre China e África do Sul, associando a demonstração científica a uma aplicação concreta de comunicação segura em uma distância continental.

Para realizar essa transmissão, os pesquisadores adotaram o método one-time pad, no qual a mensagem é combinada com uma chave secreta utilizada uma única vez, cujo nível de proteção depende de confidencialidade, tamanho adequado e ausência de reutilização.

Processamento ocorreu durante a passagem orbital

Enquanto o microsatélite atravessava a área de cobertura, os pesquisadores combinaram o canal quântico com uma comunicação óptica bidirecional entre o espaço e o solo, permitindo processar dados, corrigir inconsistências e formar a chave antes do término do contato.

Esse processamento em tempo real é decisivo porque satélites em órbita baixa permanecem visíveis para cada estação durante períodos limitados, exigindo que o enlace seja estabelecido, alinhado e utilizado dentro de uma janela operacional relativamente curta.

Ao longo dessa janela, sistemas ópticos acompanham o movimento rápido do equipamento no céu e mantêm a transmissão direcionada entre a carga espacial e o terminal terrestre, mesmo enquanto a distância e o ângulo de comunicação mudam continuamente.

Durante uma única passagem, o conjunto compartilhou 1,07 milhão de bits de chaves seguras, demonstrando que o sistema compacto não apenas recebeu sinais quânticos, mas também produziu material criptográfico suficiente para executar uma comunicação protegida no próprio experimento.

Conexão quântica uniu China e África do Sul

Separadas por mais de 12.900 quilômetros sobre a superfície terrestre, as duas localidades não precisaram de uma fibra óptica contínua entre elas, pois o microsatélite participou da infraestrutura usada para estabelecer as chaves nas duas extremidades da conexão.

Embora as fibras ópticas continuem presentes em redes quânticas terrestres, a perda de sinal aumenta conforme a distância percorrida, o que torna os satélites uma alternativa complementar para cobrir grandes separações geográficas com menos trechos de transmissão em solo.

Nesse modelo, a maior parte do percurso óptico ocorre fora das redes terrestres, mas a expansão depende de equipamentos menores, estações transportáveis e operações repetíveis, capazes de acompanhar diferentes passagens e atender pontos distribuídos por várias regiões do planeta.

O resultado entre China e África do Sul ampliou o alcance geográfico já demonstrado pela tecnologia e mostrou que um sistema compacto pode unir terminais localizados em hemisférios distintos, preservando a geração e o compartilhamento das chaves durante a operação.

Tecnologia avança após os testes do satélite Micius

Antes dessa demonstração, o satélite chinês Micius já havia comprovado a viabilidade de diferentes experiências de comunicação quântica entre o espaço e a Terra, servindo como referência para o desenvolvimento de equipamentos mais leves e estruturas terrestres portáteis.

No novo trabalho, a equipe concentrou esforços em três requisitos apontados como essenciais para ampliar o sistema: reduzir a massa embarcada, facilitar o deslocamento das estações e executar a troca segura de chaves enquanto o enlace ainda permanecia ativo.

Projetada para acompanhar o satélite, receber os sinais e participar da formação da chave, a estação de aproximadamente 100 quilos pode ser transportada com menos complexidade do que as estruturas utilizadas nas primeiras demonstrações da tecnologia.

Mesmo com a redução de peso, cada local de instalação continua exigindo condições adequadas de operação, rastreamento óptico e comunicação com o equipamento em órbita, além de coordenação precisa durante os minutos em que o satélite permanece visível.

Já a carga quântica de cerca de 23 quilos foi concebida para integração a plataformas espaciais existentes ou a pequenos satélites, característica importante para projetos de constelações formadas por diversos equipamentos operando em órbita baixa.

Com vários satélites, seria possível ampliar a frequência de passagens e atender mais estações terrestres, mantendo a combinação entre canais quânticos, responsáveis pela distribuição das chaves, e canais clássicos usados no transporte de dados e no controle da operação.

Imagens criptografadas demonstraram o uso prático

No experimento, essa integração ocorreu por meio da multiplexação da comunicação óptica convencional com a quântica, permitindo que os dois tipos de canal participassem da mesma operação realizada entre o microsatélite e os terminais instalados no solo.

Em vez de limitar o teste à medição de partículas de luz ou à apresentação de taxas de sinal, a equipe usou a chave gerada para proteger imagens, transformando o resultado técnico em uma demonstração reconhecível de comunicação entre continentes.

A transmissão das imagens mostrou, de forma concreta, como uma chave criada por um enlace quântico pode ser aplicada a um conteúdo real, mantendo a proteção entre pontos localizados em hemisférios diferentes e separados por milhares de quilômetros.

Publicado na Nature, o estudo descreve o microsatélite e as estações portáteis como uma base técnica para redes formadas por constelações, nas quais múltiplos equipamentos poderiam aumentar a disponibilidade dos enlaces e alcançar diferentes regiões do planeta.

A passagem de um experimento intercontinental para uma infraestrutura ampla exige multiplicar satélites, distribuir terminais terrestres e coordenar enlaces ópticos, enquanto o resultado obtido entre China e África do Sul comprova a operação compacta em longa distância.

Se chaves quânticas puderem ser distribuídas por constelações de pequenos satélites entre continentes, que mudanças essa infraestrutura poderá provocar na segurança de governos, empresas e usuários diante do crescimento das comunicações digitais e das tentativas de interceptação?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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