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A gasolina que sai da bomba a partir deste sábado, 1º de agosto, tem 32% de etanol, e quem tem carro antigo ou não flex pode enfrentar corrosão, mangueira ressecada, falha na partida e conta de manutenção mais alta

A gasolina que sai da bomba a partir deste sábado, 1º de agosto, tem 32% de etanol, e quem tem carro antigo ou não flex pode enfrentar corrosão, mangueira ressecada, falha na partida e conta de manutenção mais alta

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A gasolina que sai da bomba a partir deste sábado, 1º de agosto, tem 32% de etanol, e quem tem carro antigo ou não flex pode enfrentar corrosão, mangueira ressecada, falha na partida e conta de manutenção mais alta

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 31/07/2026 às 11:21

Atualizado em 31/07/2026 às 11:28

Economia

Gasolina passa a ter 32% de etanol neste sábado. Veja quais carros correm risco de corrosão e falha na partida e o que fazer para proteger o seu

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A mistura obrigatória sobe de 30% para 32% de etanol anidro por decisão do CNPE, com validade de 180 dias. Carros flex não devem sentir diferença relevante, mas modelos antigos, importados e movidos só a gasolina concentram as dúvidas técnicas, e o MPF já foi à Justiça.

A partir deste sábado, 1º de agosto de 2026, a gasolina comum vendida nos postos brasileiros passa a ter 32% de etanol anidro na composição, contra os 30% que valiam desde agosto do ano passado. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética em 14 de julho de 2026, tem validade inicial de 180 dias e pode ser prorrogada uma vez por igual período, conforme reportagem de Guilherme Xavier publicada pelo ND Mais em 31 de julho e nota do próprio colegiado.

Dois pontos precisam ficar claros logo de saída. O primeiro é que a frota flex, que responde pela esmagadora maioria dos carros de passeio em circulação no país, foi projetada para operar com ampla variação de etanol e não deve sentir diferença relevante. O segundo é que a medida está sob contestação judicial, porque o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública em 22 de julho pedindo a suspensão da nova mistura.

O que muda exatamente na bomba

A sigla técnica da mistura anterior era E30, e a nova é E32. A conta é simples: cada 100 litros de gasolina comum passam a conter 32 litros de etanol anidro, dois a mais que antes. O restante é gasolina A, o combustível derivado de petróleo puro que sai da refinaria.

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Há um detalhe da especificação que merece atenção e que raramente aparece nas manchetes. A norma do E32 admite variação, e o teor pode chegar a 34% dentro da tolerância prevista. Isso significa que o motorista não abastece necessariamente com exatamente 32%, e sim dentro de uma faixa. Foi justamente esse ponto que virou um dos argumentos da ação judicial contra a medida.

Por que o governo decidiu subir o percentual agora

A justificativa oficial tem duas pernas. A primeira é conjuntural: reduzir a dependência de combustível fóssil num momento de volatilidade e custo elevado no mercado internacional de petróleo, cenário agravado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Menos gasolina A na mistura significa menos gasolina importada.

A segunda é estrutural. A Lei do Combustível do Futuro autoriza elevar a mistura de etanol na gasolina até um teto, e o conselho vem usando essa margem por etapas. A E30 substituiu a E27 em 1º de agosto de 2025, depois de testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Menos de um ano depois, o governo subiu mais um degrau, e é exatamente essa velocidade que está no centro da controvérsia.

Quem realmente precisa se preocupar

Aqui vale separar a frota. Carros flex, produzidos no Brasil em massa desde 2003, têm sistema de gerenciamento eletrônico que identifica a proporção de álcool e ajusta injeção e ignição sozinho. Para eles, a expectativa técnica é de funcionamento normal, e a variação de dois pontos percentuais é pequena diante da faixa que esses motores já suportam.

O grupo sob dúvida é outro e é bem menor: veículos movidos exclusivamente a gasolina, sobretudo os fabricados antes da era flex, modelos importados desenvolvidos sob especificação estrangeira e motocicletas, muitas das quais seguem sem tecnologia flex. Esses projetos foram calculados para teores bem menores de álcool, e é neles que se concentram as preocupações levantadas pela Anfavea, pelo Ministério Público Federal e por engenheiros do setor de reparação.

Os problemas apontados para carros antigos e não flex

O primeiro e mais provável é o aumento de consumo. O etanol tem poder energético menor que a gasolina, então mais álcool na mistura significa, em tese, mais litros para percorrer a mesma distância. Esse efeito não depende de o carro ser antigo, embora seja mais perceptível em motores sem calibração específica.

Os demais dizem respeito a material e durabilidade. O etanol anidro absorve umidade do ambiente, e essa água pode alcançar o sistema de alimentação e favorecer corrosão em peças metálicas. Há ainda o risco de ataque a elastômeros, ou seja, mangueiras, vedações e borrachas de projetos antigos, que podem inchar, endurecer ou ressecar conforme o material. Somam se a isso o desgaste prematuro da bomba de combustível, possíveis falhas no sistema de injeção eletrônica e dificuldade na partida a frio, já que o álcool evapora com mais dificuldade em baixas temperaturas. O somatório desses itens é o que se traduz em conta de manutenção mais alta.

O que o governo e o setor sucroenergético respondem

O Conselho Nacional de Política Energética refuta a existência de dano. Em nota, o colegiado informou que os testes avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões, tanto em laboratório quanto em condições reais de uso, e que o E32 apresentou comportamento equivalente ao de misturas com menos etanol, sem impacto relevante no funcionamento dos veículos, incluindo os equipados com motores não flex.

A Unica, União da Indústria de Cana de Açúcar e Bioenergia, sustenta que a aprovação foi precedida de avaliação técnica ampla, conduzida conforme a Lei do Combustível do Futuro e baseada em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia. A entidade afirma ainda que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida reduz importação de gasolina e amplia o uso de combustível renovável produzido no país.

O que diz a ação do Ministério Público Federal

O procurador da República em Uberlândia, Cléber Eustáquio Neves, protocolou a ação civil pública em 22 de julho de 2026, com pedido de liminar, atribuindo à causa o valor de 500 milhões de reais em danos coletivos. O argumento central é que o governo teria usado os estudos feitos para validar a E30, apoiando se na margem de tolerância de dois pontos percentuais, sem produzir avaliação específica para o novo padrão.

A ação pede perícia técnica independente e multidisciplinar para avaliar a metodologia dos estudos, a representatividade da frota analisada, os impactos ambientais e a compatibilidade com diferentes categorias de veículos. Um dos trechos resume a lógica do pedido: como o consumidor não escolhe o combustível para o qual seu carro foi projetado, caberia ao Estado garantir a segurança do produto vendido. Até o dia 31 de julho, nenhuma decisão havia suspendido a medida, e a mudança segue prevista para começar normalmente.

Como reduzir o risco se o seu carro não é flex

As recomendações práticas são simples e nenhuma delas exige oficina especializada. Manter as revisões em dia é a primeira, porque filtro e vedação em bom estado absorvem melhor qualquer variação de combustível. Rodar com o carro com frequência é a segunda, já que combustível parado no tanque por semanas favorece justamente a absorção de umidade.

Vale ainda evitar acelerar logo depois da partida, avaliar com o mecânico a troca por filtros compatíveis com maior teor de etanol e ficar atento a sinais como falhas, marcha lenta irregular e aumento repentino de consumo. Aditivos estabilizadores ou anticorrosivos podem ajudar, mas só devem ser usados com indicação técnica para o motor específico. Velas mais resistentes melhoram a ignição, mas não corrigem incompatibilidade de material no sistema de alimentação.

Guarde o comprovante, porque isso pode importar

Um cuidado pouco lembrado envolve a papelada. Garantia de fábrica cobre defeito de fabricação, e não dano causado por combustível fora da especificação do veículo, o que costuma virar zona cinzenta em discussões com concessionária e seguradora.

Se o carro começar a apresentar sintomas mecânicos nos próximos meses e você suspeitar de relação com o combustível, o caminho é documentar. Guarde os cupons fiscais de abastecimento, anote posto, data e quilometragem, registre por escrito os sintomas e a data em que apareceram, e leve esse histórico à oficina. Sem esse registro, qualquer discussão posterior sobre responsabilidade fica sem base.

E você, tem carro flex ou movido só a gasolina? Conta aqui nos comentários se você notou diferença no consumo desde que a mistura subiu para 30%, no ano passado, e se acha que o governo deveria ter esperado mais testes antes de aumentar de novo.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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