Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Abelha rainha deposita excesso de pesticida em ovos para se proteger

abelha-rainha-deposita-excesso-de-pesticida-em-ovos-para-se-proteger

Abelha rainha deposita excesso de pesticida em ovos para se proteger

De acordo com um estudo liderado pela Universidade da Califórnia, Davis, as abelhas rainhas depositam o excesso de pesticidas em seus ovos para protegerem suas próprias vidas. O que pode afetar o futuro de novas gerações e alterar o funcionamento da colmeia.

Publicada na revista Current Biology e divulgada em comunicado para a imprensa nesta quinta-feira (2/7), a pesquisa documenta pela primeira vez hábitos desenvolvidos pela abelha rainha quando exposta a uma quantidade muito grande de pesticida. Ela absorve essa contaminação e a transfere para os ovos, processo chamado pelos cientistas de “descarregamento materno”.

O autor sênior do estudo, Sascha Nicklisch, que é professor associado do Departamento de Toxicologia Ambiental da UC Davis, destacou que isso nunca havia sido demonstrado anteriormente.

“Para se proteger, a abelha rainha deposita essas substâncias químicas em seus ovos e se livra delas. Ninguém havia demonstrado isso em abelhas melíferas antes”, disse em comunicado.

Como a colmeia responde aos pesticidas

Anteriormente, acreditava-se que as abelhas operárias, além de cuidar e alimentar as rainhas e larvas, também protegiam a colmeia de pesticidas vindos dos alimentos. Mas, segundo a pesquisa, há um limite para essa proteção.

Quanto mais exposição à substância tiver a colmeia, menor será a capacidade das operárias de fazer esse filtro, pois elas ficam sobrecarregadas. Dessa forma, as rainhas acumulam as toxinas e as transferem para os ovos.

Com isso, os pesquisadores alertam que os ovos ficam tão cheios dessas substâncias que não se desenvolvem da forma que precisam, o que pode acarretar um ponto crítico na colmeia e comprometer a próxima geração de abelhas, já que a rainha é a única a pôr ovos.

Como foram feitos os testes

O estudo foi conduzido pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) e pelo Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA-ARS).

Para entender o quanto os pesticidas podem ser prejudiciais para a colmeia, os cientistas criaram um recipiente de plástico cônico com fundo telado, as “nanocolônias”. Esses recipientes foram compostos por uma abelha rainha e 60 operárias.

Nas nanocolônias, os insetos receberam pólen, água e alimentos contaminados com o pesticida metil paration, que continha marcadores radioativos de baixa intensidade para fazer esse rastreamento.

Os resultados indicaram uma queda na defesa da colmeia em uma medição de 10 dias. No primeiro dia, as operárias filtraram 95% das substâncias; já no décimo dia, essa porcentagem caiu quase 10% (86%).

Segundo o cientista do LLNL Bruce Buchholz, um dos autores do artigo, a pesquisa só pôde ser feita por conta da medição dos marcadores radioativos até o nível atômico, por meio de espectrometria de aceleração biológica (BioAMS).

“Com o BioAMS, podemos detectar níveis muito baixos de pesticidas. As concentrações de pesticidas que usamos não eram letais e eram ambientalmente relevantes para aquelas encontradas na natureza”, relatou Bruce, em comunicado.

As descobertas são consideradas fundamentais para apicultores e produtores rurais em relação ao manejo de pragas, pois as abelhas rainhas podem pôr de 1.500 a 2.000 ovos por dia, um número que mantém vivas as colmeias, que são capazes de polinizar aproximadamente um terço da produtividade agrícola mundial.

Sair da versão mobile