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Adeus ar-condicionado tradicional: tecnologia francesa não possui condensadora, usa evaporação indireta, potência térmica de 2 kW com baixo consumo elétrico e quer substituir o ciclo de compressão por resfriamento com água em ambientes de até 40 m²
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 22/07/2026 às 18:30
Ciência e Tecnologia
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O Caeli One utiliza água em vez de gás refrigerante, promete entregar 2 kW de refrigeração com consumo de até 80 W e pode custar entre R$ 14 mil e R$ 18 mil.
Um equipamento francês de climatização pretende entregar potência térmica equivalente a 2 kW utilizando apenas 30 W no modo econômico e até 80 W na configuração de maior desempenho. Batizado de Caeli One, da Caeli Energie, o sistema abandona o compressor de gás dos aparelhos tradicionais e recorre à evaporação de água para retirar calor do ar.
A fabricante afirma que essa arquitetura pode alcançar uma eficiência cinco vezes superior à de condicionadores convencionais. O resultado, porém, não é constante: temperatura, ventilação e, principalmente, umidade influenciam diretamente a capacidade de resfriamento.
Em locais secos, o processo tende a funcionar melhor. Já em regiões onde o ar contém muita umidade, a evaporação se torna mais difícil e o equipamento pode perder parte considerável do rendimento anunciado.
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Caeli One não funciona como um split convencional
O aparelho não utiliza o ciclo tradicional baseado na compressão e expansão de um fluido refrigerante. Em seu lugar, o sistema capta o ar quente do lado externo e o conduz por um trocador térmico umedecido.
Parte do calor é empregada na evaporação da água, reduzindo a temperatura antes de o ar ser enviado para dentro do ambiente. Segundo a empresa, o processo ocorre sem acrescentar umidade perceptível ao espaço climatizado. A tecnologia recebe o nome de resfriamento adiabático indireto.
A diferença central está na forma como o calor é removido. Em um equipamento convencional, um compressor movimenta o gás refrigerante entre os componentes. No Caeli, a troca térmica depende da água e das condições do ar externo.
Fabricante afirma entregar 16 W de refrigeração por watt consumido
A Caeli declara um coeficiente de desempenho de 16. Isso significa que, nas condições previstas pela empresa, cada watt de eletricidade utilizado pode produzir até 16 W de capacidade de resfriamento. Para comparação apresentada pela própria fabricante, esse índice seria aproximadamente cinco vezes superior ao de aparelhos tradicionais.
O consumo divulgado varia conforme o modo selecionado:
Esses números representam a proposta técnica do produto, mas não garantem que o mesmo desempenho seja reproduzido em qualquer local. O resultado final depende das condições ambientais enfrentadas durante o uso.
Umidade elevada é a principal limitação
O funcionamento depende da capacidade da água de evaporar. Quando o ambiente externo já apresenta grande concentração de umidade, esse processo ocorre com menor eficiência.
Nessas condições, a redução de temperatura pode ficar abaixo da promessa apresentada para climas mais favoráveis. A situação se inverte em regiões quentes e secas. Quanto mais baixa a umidade disponível, maior tende a ser o potencial de evaporação e, consequentemente, a retirada de calor.
Isso significa que o Caeli One não deve ser analisado apenas pela potência nominal. Antes da instalação, é necessário considerar o comportamento climático da região onde será utilizado.
Sistema dispensa gás refrigerante
A ausência de fluido refrigerante está entre os principais argumentos ambientais da tecnologia. Como não há compressor operando com gás, o aparelho elimina uma das estruturas mais características dos modelos convencionais. Também não utiliza uma unidade condensadora pesada instalada no exterior.
Outro ponto destacado pela empresa é a ausência de descarga direta de calor para fora do imóvel. Condicionadores tradicionais retiram energia térmica do ambiente interno e a liberam no lado externo. No Caeli, a proposta é evitar esse lançamento de calor, reduzindo sua contribuição para o aquecimento do entorno urbano.
Formato foi pensado para ambientes de até 40 m²
O modelo divulgado possui aproximadamente 1,10 metro de altura e adota uma estrutura oval, distante do formato retangular normalmente associado a aparelhos split ou de janela. A capacidade equivalente a 2 kW foi projetada para espaços residenciais com área aproximada entre 20 e 40 metros quadrados.
A dimensão adequada dependerá das condições em que o aparelho será instalado. Temperatura externa, ventilação e umidade podem modificar a quantidade de refrigeração efetivamente entregue. Por isso, dois ambientes com a mesma metragem podem apresentar resultados diferentes.
Equipamento utiliza água durante a operação
A redução do consumo elétrico não elimina o uso de outro recurso. Para produzir o efeito de resfriamento, o aparelho precisa evaporar água.
A fabricante informa que o consumo acumulado durante uma temporada fica entre 1 e 2 metros cúbicos em uma aplicação residencial média com potência térmica correspondente a 2.000 W.
O volume deve ser considerado junto com a economia de energia, principalmente em locais onde o fornecimento de água representa uma preocupação.
Mesmo utilizando água, o sistema não possui dreno nem depende de bomba de elevação.
Instalação exige conexão hidráulica e passagem de ar
O processo de montagem não segue exatamente o mesmo padrão de um ar-condicionado split.
O imóvel precisa receber perfurações destinadas aos dutos ou às saídas responsáveis pela circulação do ar. Também são necessárias ligações de energia e abastecimento de água.
A ausência da condensadora externa modifica a obra, mas não significa que o aparelho possa ser simplesmente colocado no ambiente e ligado à tomada.
Antes da instalação, é preciso definir:
- entrada e saída de ar;
- ponto de alimentação elétrica;
- conexão de água;
- posição do equipamento;
- passagem dos dutos.
O fabricante indica uma intervenção anual para manter o funcionamento dentro das condições esperadas.
Críticas questionam se o desempenho se aproxima de um ar-condicionado
A proposta também desperta dúvidas sobre a capacidade de substituir um aparelho convencional em diferentes climas.
Em discussões realizadas em fóruns, alguns usuários resumem o princípio do equipamento como uma superfície umedecida atravessada por uma corrente de ar. A crítica sugere que a solução não entregaria o mesmo resultado de um sistema tradicional.
A comparação, no entanto, precisa considerar que o Caeli utiliza resfriamento adiabático indireto, e não simplesmente a introdução de ar úmido no ambiente.
Ainda assim, a dependência das condições externas permanece como um fator técnico relevante. O produto pode apresentar bom desempenho em determinados locais e resultados mais limitados em outros.
Ausência de calor externo diferencia a proposta
Nos aparelhos convencionais, a unidade externa libera para o ambiente o calor retirado do interior do imóvel. O Caeli One foi desenvolvido para operar sem essa condensadora. Segundo a empresa, isso evita o lançamento de calor nas áreas externas de casas e edifícios.
A característica pode ser especialmente relevante em regiões urbanas com grande concentração de equipamentos de climatização. A proposta não se limita, portanto, a reduzir o consumo de eletricidade. Ela também busca modificar a forma como o sistema interage termicamente com o entorno.
Preço pode chegar a R$ 18 mil no Brasil
O produto ainda não possui comercialização oficial no mercado brasileiro. Uma eventual compra dependeria de importação ou da chegada de unidades por meio de representantes. O valor indicado fica entre 2.500 e 3.000 euros.
Na estimativa apresentada pelo Diário do Comércio, o custo no Brasil poderia variar de aproximadamente R$ 14 mil a R$ 18 mil. Esse preço posicionaria o equipamento acima de diversas soluções convencionais, apesar da promessa de consumo elétrico reduzido.
A avaliação econômica precisaria considerar o valor inicial, a utilização de água, a instalação e a economia de energia ao longo do tempo. O Caeli One propõe uma mudança significativa na climatização residencial ao retirar o compressor e o gás refrigerante do sistema.
Sua eficiência anunciada é elevada, mas está vinculada a condições específicas. O desempenho tende a favorecer ambientes secos e pode cair quando a umidade externa aumenta.
A ausência de unidade condensadora, o consumo elétrico entre 30 W e 80 W e a capacidade de atender espaços de até 40 m² tornam o projeto tecnicamente diferente dos aparelhos disponíveis no mercado tradicional.
Por outro lado, o preço estimado, a necessidade de conexão de água e a sensibilidade ao clima impedem que a tecnologia seja tratada como uma substituição universal.
O Caeli One apresenta uma alternativa de baixo consumo baseada em evaporação indireta. Sua viabilidade depende menos de uma promessa isolada de eficiência e mais da compatibilidade entre o equipamento, o ambiente e as condições climáticas do local de instalação.
Com informações do Olhar Digital
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

