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Adolescente de 17 anos foi enterrado há cerca de 2.500 anos com mais de 4 mil peças de ouro, mas análise do DNA do Homem Dourado revelou indícios de que famílias da elite cita transmitiam poder e prestígio entre gerações e controlavam territórios e recursos
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/07/2026 às 00:45
Atualizado em 28/07/2026 às 00:46
Curiosidades
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Estudo genômico indica que o jovem provavelmente nasceu dentro de uma linhagem privilegiada da sociedade cita
O O brilho de mais de 4 mil ornamentos transformou o Homem Dourado em um dos maiores símbolos arqueológicos do Cazaquistão.
Agora, seu DNA ajuda os pesquisadores a entender como famílias da elite transmitiam poder, prestígio e autoridade entre gerações.
A revista Science Advances publicou o estudo em 3 de julho de 2026. A equipe analisou 85 indivíduos da Idade do Ferro da Eurásia Central.
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A juventude do Homem Dourado reforça essa interpretação. O adolescente morreu aos 17 anos e provavelmente já ocupava uma posição privilegiada desde o nascimento.
Túmulo preservou milhares de ornamentos de ouro
Trabalhadores descobriram o túmulo em 1969, enquanto construíam uma garagem perto de Issyk, no sudeste do Cazaquistão.
Saqueadores haviam violado parte do grande kurgan. Entretanto, uma câmara lateral permaneceu intacta e protegeu o esqueleto do adolescente.
O túmulo data do período entre 400 e 300 a.C. Seu interior reunia armas, objetos cerimoniais e mais de 4 mil ornamentos de ouro.
As peças compunham um traje elaborado e um cocar com aproximadamente 70 centímetros. A estrutura apresentava diferentes figuras de animais.
Além disso, uma tigela de prata carregava uma inscrição ainda não decifrada.
A riqueza do sepultamento originou o nome Homem Dourado. Posteriormente, sua imagem tornou-se um símbolo nacional do Cazaquistão.
DNA esclarece identidade do Homem Dourado
Durante décadas, os ossos não ofereceram dados suficientes para determinar com segurança o sexo biológico do adolescente.
A análise de 2026 apresentou os primeiros dados genômicos do Homem Dourado. Mesmo com baixa cobertura, o DNA apontou maior probabilidade de sexo masculino.
A pesquisa também reforçou a idade aproximada de 17 anos. O jovem não teria vivido tempo suficiente para construir uma longa trajetória de conquistas pessoais.
Segundo a antropóloga genética Ainash Childebayeva, a pouca idade sugere que o adolescente herdou sua posição social.
Entretanto, os pesquisadores não identificaram parentesco direto entre o Homem Dourado e os demais indivíduos examinados.
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Caio Aviz
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Famílias concentravam poder entre os povos citas
Ayshin Ghalichi liderou a equipe que analisou 85 pessoas de 20 sítios arqueológicos da Eurásia Central.
O conjunto incluía 38 integrantes da elite e 47 indivíduos de sepultamentos mais simples. As datações situavam essas pessoas entre 900 e 200 a.C.
A pesquisa apresentou cinco resultados principais:
- Integrantes da elite tinham probabilidade 11 vezes maior de possuir parentesco entre si;
- Túmulos de diferentes regiões da estepe abrigavam irmãos;
- Sepultamentos privilegiados reuniam pais, filhos, avós e netos;
- Grandes túmulos monumentais também abrigavam crianças;
- Mulheres representavam quase metade da elite analisada.
A concentração de parentes nos túmulos mais ricos aponta para dinastias familiares. Assim, essas linhagens preservavam poder e prestígio entre gerações.
Mulheres também ocupavam posições de destaque
Mulheres compunham quase metade do grupo de elite. O resultado contraria a imagem de uma sociedade controlada exclusivamente por guerreiros homens.
A descoberta também reforça relatos do historiador grego Heródoto. Seus registros descrevem mulheres citas em posições relevantes e durante combates.
Os pesquisadores ainda identificaram um irmão e uma irmã com sinais de elevado prestígio em seus sepultamentos.
Dessa forma, o status alcançava diferentes integrantes da família. Os grandes kurgans preservavam a memória e a autoridade dessas linhagens.
Os citas não deixaram registros escritos próprios. Por isso, relatos estrangeiros e sepultamentos espalhados pela estepe sustentam grande parte do conhecimento disponível.
Agora, o DNA amplia a compreensão dessa sociedade marcada por hierarquias, centros de poder e redes familiares organizadas.
Na sua opinião, quantas outras descobertas arqueológicas ainda podem ter suas histórias transformadas pela análise do DNA antigo?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

