Cerca de 100 alunos dos 8° e 9° anos do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 8 de Taguatinga visitaram, nessa segunda-feira (6/7), a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. A atividade teve como proposta aproximar os estudantes da produção artística local e ampliar o contato com a arte e com a identidade cultural do Distrito Federal.
A exposição segue aberta ao público até 17 de julho e conta com apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF).
Turno matutino
Durante o passeio, os alunos percorreram a mostra gratuita, que reúne obras de mais de 40 artistas do Distrito Federal. A inciativa permitiu que os jovens conhecessem diferentes linguagens artísticas e refletissem sobre questões de pertencimento, representatividade e ocupação dos espaços culturais.
Para a professora Rafaela Dib, esse tipo de atividade representa um ganho notável para a rotina na sala de aula. “Sempre que há exposições artísticas, faço questão de trazer os alunos, pois muitos não têm essa oportunidade. É uma sementinha que plantamos para tirá-los um pouco da rotina escolar, apresentando a eles o mundo da subjetividade que a arte revela”, afirma ao Metrópoles.
“Lá em cima, ao observarem várias obras, cada um percebeu algo diferente. Muitas dessas coisas eu havia apresentado no início do ano, e eles adoraram. Alguns até comentavam: ‘Olha aquilo ali, parece o que você falou!’. É muito gratificante ver a teoria na prática, vivenciar a realidade e ampliar o repertório deles. Considero isso essencial”, prosseguiu.
A docente relata também que acha interessante observar o movimento dos alunos. Além de permanecerem comentando entre si, passam a espalhar para pessoas que estão de fora. “A ideia é exatamente essa. Percebemos que, quando alguém começa, passa a conversar com o outro, que interage com os pais e com os amigos de fora. Dessa forma, vamos ampliando esse conhecimento”, comenta.
Dib ainda acrescenta que essa dinâmica tem surtido efeito no interesse dos estudantes pelos conteúdos.
“Eles se interessam muito, tanto que a gente os vê falando sobre isso a semana inteira. Muitos fizeram questão de vir logo que souberam do passeio, dizendo: ‘Professora, eu quero ir! Eu quero ir!’. Então, vejo que tudo isso está dando certo. A gente insere a arte, e o resultado está funcionando”, conclui.
Turno vespertino
A viagem pelo universo das artes ganhou um significado ainda mais profundo para os estudantes com altas habilidades do CEF 8. Acompanhados pela professora Jaqueline Leão, que atua no programa especializado da escola, os jovens puderam enxergar a mostra como um espelho de suas próprias potencialidades.
“Eu quis trazê-los para que eles vissem como a cena contemporânea artística de Brasília vale a pena e que é um caminho para eles também. Na sala de aula, muitos acham que arte é brincadeira ou sem futuro. Uma exposição com artistas brasilienses maravilhosos abre um espectro gigante de inspiração e possibilidades”, destacou a docente.
Jaqueline, que inclusive já foi aluna do renomado artista ceilandense Antônio Obá, ressalta que o incentivo é a chave para transformar o talento em realidade, especialmente para quem enfrenta vulnerabilidade social.
“Arte se aprende e tem a ver com cultura. Tenho crianças com grande dificuldade financeira, mas com muito talento. Trazê-las aqui é mostrar que elas podem crescer e, por que não, viver de arte?”.
Memes, técnicas e inspiração real
Para os estudantes, a exposição quebrou a barreira de que a arte é algo distante ou focado apenas em moldes do passado. A estudante Rafaela Cabral, de 12 anos, se encantou ao ver a cultura digital transportada para as telas. “O que eu mais gostei foram os quadros de memes. Me lembrou de quando eu era pequenininha. Eu ri muito”, contou.
Para ela, que também desenha, a visita trouxe um alívio criativo. “Ver o trabalho de outros artistas mostra que cada um tem seu traço, seu estilo, e que eu não preciso me cobrar. A arte é livre. É uma expressão, não é uma coisa para ser perfeita”, refletiu a jovem.
Metrópoles Arte
A exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional Claudio Santoro com mais de 200 obras de Sergio Camargo. A mostra permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 a 13 de março de 2026.
O sucesso do projeto consolidou o espaço como um importante centro de difusão cultural e abriu caminho para novas mostras que valorizam a produção artística nacional e local.
A nova edição reafirma o compromisso do Metrópoles em fomentar a cultura local e ampliar o acesso do público a iniciativas culturais em espaços emblemáticos da cidade. O projeto reforça a relevância da arte contemporânea na construção da identidade cultural da capital e no reconhecimento de Brasília como um importante polo criativo do país.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De 19 de maio a 17 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 10h às 20h, com entrada gratuita

