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Alunos de uma escola pública construíram do zero um carro que não gasta uma gota de combustível, atravessaram mais de mil quilômetros em cinco dias sob o sol e voltaram para casa com algo que já virou rotina
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/07/2026 às 01:33
Atualizado em 30/07/2026 às 01:47
Curiosidades
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Os alunos da Greenville High School, no Texas, venceram a etapa final do Solar Car Challenge 2026 em Fort Stockton, na quinta-feira 24 de julho, e fecharam a prova de 657 milhas com o oitavo título nacional em doze anos de participação, além de prêmio técnico e homenagem ao capitão.
Os alunos da equipe Iron Lions, da Greenville High School, escola pública da cidade de Greenville, no Texas, chegaram a Fort Stockton na tarde de quinta-feira, 24 de julho de 2026, e cravaram o primeiro lugar na etapa final do Solar Car Challenge deste ano, segundo reportagem publicada pelo jornal Herald Banner, assinada por Travis Hairgrove em 24 de julho de 2026. Ao completar o trecho de 115 milhas, cerca de 185 quilômetros, saindo de San Angelo, o grupo acumulou um total aproximado de 657 milhas, o equivalente a 1.057 quilômetros percorridos.
Com o resultado, os alunos conquistaram o oitavo campeonato nacional nos doze anos em que a Greenville High School participa da competição, conforme o mesmo veículo. A prova foi disputada em cinco dias de estrada pelo oeste do Texas, e o carro usado pela equipe, batizado de Aurora, foi projetado e construído pelos próprios estudantes.
Da largada em Fort Worth até a linha final em Fort Stockton
O ponto de partida não foi a estrada, e sim a fila de inspeção. Vinte e quatro equipes de diferentes estados chegaram ao Texas Motor Speedway, em Fort Worth, no dia 15 de julho, para uma sequência de vistorias, testes e ajustes técnicos. Apenas 17 delas conseguiram largar na corrida de domingo. O número diz muito sobre o nível de exigência: sete carros ficaram para trás antes de rodar um metro em competição, barrados por critérios de segurança e desempenho.
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Os alunos de Greenville passaram por esse filtro e seguiram viagem. O último trecho, entre San Angelo e Fort Stockton, tinha 115 milhas, e foi nele que a equipe assegurou a primeira colocação da etapa final. Ao cruzar o ponto de chegada na tarde de quinta-feira, o somatório de toda a prova batia em torno de 657 milhas. Mais de mil quilômetros movidos apenas pela luz do sol, sem um litro de combustível fóssil no percurso.
O Aurora, um carro feito por adolescentes
O veículo que levou o título não veio de fábrica nem foi montado com kit pronto. O Aurora é projeto e construção da própria equipe, e o Solar Car Challenge de 2026 marcou apenas a segunda vez que ele apareceu em uma competição oficial. A estreia tinha acontecido no ano anterior, no Bridgestone World Solar Challenge, prova disputada no interior da Austrália.
Isso significa que os alunos encararam mais de mil quilômetros de asfalto texano com um carro ainda jovem, em fase de amadurecimento técnico, contra rivais experientes. A liderança do volante foi dividida: cinco estudantes se alternaram na direção ao longo dos cinco dias de prova, cada um assumindo turnos no cockpit apertado do Aurora. Em nota divulgada, a equipe resumiu o sentimento da chegada: “Finalmente concluímos o projeto depois de dedicarmos tanto tempo ao nosso carro, trabalhando em equipe. Todo o esforço valeu a pena.”
A briga na divisão avançada
Na categoria em que competiram, chamada divisão avançada, os alunos de Greenville tinham quatro adversários diretos, e nenhum deles era iniciante. O segundo lugar ficou com o Okemos Solar Racing Club, de Okemos, no Michigan. O terceiro posto foi do Poly Solar Car, de Pasadena, na Califórnia.
Também estavam na disputa a Palo Alto Solar Car and Racing, de Palo Alto, e a Garage 803 Racing, de Mountain View, ambas californianas. A geografia dos concorrentes ajuda a medir o tamanho do feito: duas das equipes rivais vêm do coração do Vale do Silício, região com acesso privilegiado a engenharia, financiamento e mentoria de tecnologia. O título nacional acabou no interior do Texas, em uma escola da rede pública.
Prêmio técnico e a Ordem da Célula Solar
Quando as equipes se reuniram para o banquete de premiação na noite de quinta-feira, o troféu de primeiro lugar da divisão avançada não foi o único item que os alunos levaram para o ônibus. A equipe também recebeu o Prêmio William Shih, entregue a quem demonstra o mais alto nível de desempenho técnico do evento.
Houve ainda um reconhecimento individual. O capitão da equipe, Ethan Kiowski, foi incluído na Ordem da Célula Solar, distinção do Solar Car Challenge concedida por liderança, conhecimento e entusiasmo. Kiowski foi um dos cinco estudantes que se revezaram na direção do Aurora durante a corrida. Ele terminou a semana com três coisas nas mãos: o título por equipe, o prêmio técnico coletivo e a própria homenagem.
Doze anos para virar potência nacional
Oito campeonatos em doze anos de participação não acontecem por acaso, e é aí que a história da Greenville High School deixa de ser um caso isolado de sorte para se tornar um dado consistente. A escola construiu um programa, não um evento pontual. Cada geração de estudantes recebe um carro em desenvolvimento, aprende a diagnosticar problemas, reconstrói o que não funciona e entrega o projeto para a turma seguinte.
O modelo explica por que a equipe consegue chegar a uma prova de mais de mil quilômetros com um veículo próprio e ainda ganhar o prêmio de desempenho técnico. Os alunos não estão apenas dirigindo. Estão lidando com célula solar, gestão de energia, aerodinâmica, freios, telemetria e estratégia de corrida, decidindo em tempo real quanta bateria gastar em cada subida e quanto guardar para o trecho seguinte. É engenharia aplicada com nome, sobrenome e boletim escolar.
Uma escola pública no centro da conversa sobre energia
Existe um recado que vai além do troféu. A competição nasceu para aproximar adolescentes de ciência e engenharia e para ampliar o debate sobre fontes alternativas de energia. Quando um grupo de alunos de escola pública atravessa o oeste do Texas com um carro alimentado por sol, essa proposta sai do discurso e ganha um resultado mensurável em milhas rodadas.
O detalhe da localização torna a cena mais interessante ainda. O Texas é território histórico do petróleo, e foi justamente por lá que o Aurora rodou por cinco dias sem depender de uma bomba de combustível. A geração que vai lidar com a transição energética já está no volante, literalmente, e nesse caso ela ainda não tem idade para votar.
Na mensagem divulgada após a vitória, os estudantes fizeram questão de dividir o mérito com a cidade: “Esta corrida não seria possível sem vocês, que estão aí em casa torcendo por nós. Chegou a hora de trazer este troféu para vocês.”
O oitavo título nacional dos Iron Lions coloca uma pergunta incômoda sobre a mesa. Se um grupo de alunos de escola pública consegue projetar, construir e levar um carro solar por mais de mil quilômetros, vencendo equipes de regiões muito mais ricas, o que falta para que esse tipo de projeto exista em mais escolas? Estrutura, verba, professor disposto a ficar até tarde na oficina, ou apenas a decisão de tentar?
E você, o que acha desse caso? Sua escola ou a escola dos seus filhos teria condições de montar uma equipe assim? Vale mais investir em projetos práticos como esse ou em conteúdo tradicional de sala de aula? Deixe sua opinião nos comentários e conte se você conhece alguma iniciativa parecida por aqui.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

