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Ameaçados de pagar pedágio para circular dentro da própria cidade, moradores de São Bernardo do Campo foram à luta, o governo de São Paulo recuou e mandou arrancar o pórtico do free flow da Imigrantes do lugar, livrando 30 mil pessoas da cobrança diária

Ameaçados de pagar pedágio para circular dentro da própria cidade, moradores de São Bernardo do Campo foram à luta, o governo de São Paulo recuou e mandou arrancar o pórtico do free flow da Imigrantes do lugar, livrando 30 mil pessoas da cobrança diária

8 min de leitura

Ameaçados de pagar pedágio para circular dentro da própria cidade, moradores de São Bernardo do Campo foram à luta, o governo de São Paulo recuou e mandou arrancar o pórtico do free flow da Imigrantes do lugar, livrando 30 mil pessoas da cobrança diária

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 22/07/2026 às 21:42

Atualizado em 22/07/2026 às 21:45

Economia

Moradores do Pós-Balsa pressionaram e o pórtico do free flow da Imigrantes vai mudar de lugar. Isenção temporária e cobrança a partir de 1º de agosto.

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O pórtico instalado no km 29 da Rodovia dos Imigrantes vai sair do lugar depois da pressão de moradores da região do Pós-Balsa, em São Bernardo do Campo. Até a mudança ser concluída, quem vive na área terá isenção da tarifa mediante cadastro. O free flow começa em 1º de agosto.

O governo de São Paulo decidiu tirar do lugar um dos pórticos do pedágio eletrônico free flow da Rodovia dos Imigrantes depois de manifestações de moradores da região do Pós-Balsa, no distrito de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo. O equipamento foi instalado no km 29, no sentido capital, e do jeito que estava obrigaria quem vive na área a pagar tarifa cheia apenas para chegar ao centro do próprio município.

A decisão saiu de reuniões entre a prefeitura de São Bernardo do Campo, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do estado, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo e a concessionária Ecovias Imigrantes. O pórtico será reposicionado para um ponto mais próximo do trecho de serra, preservando o acesso local. Nada disso altera o calendário: a cobrança pelo free flow começa em 1º de agosto de 2026 no Sistema Anchieta-Imigrantes.

O pórtico do km 29 e o problema que ele criou

A Rodovia dos Imigrantes não é só ligação entre São Paulo e a Baixada Santista. Em um trecho específico, ela é a rua de quem mora do outro lado da Represa Billings. Com o pórtico no km 29, qualquer deslocamento entre a região do Pós-Balsa e a área urbana de São Bernardo do Campo passaria a ser cobrado como se fosse viagem de serra.

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A Imigrantes é a única ligação por terra entre essas comunidades e o restante da cidade. A alternativa é a travessia de balsa, operada pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia, o que significa depender de horário e de fila para resolver qualquer coisa fora do bairro, de consulta médica a compra de mantimento.

Foi esse desenho que gerou a reação dos moradores. Não se tratava de motorista de passeio evitando pedágio de viagem, e sim de gente pagando tarifa de rodovia para circular dentro do próprio município, todos os dias, ida e volta.

O detalhe que costuma escapar de quem olha o mapa de longe é que o trecho serve a dois públicos completamente diferentes ao mesmo tempo. Para o motorista que desce para o litoral, aquele quilômetro é apenas mais um pedaço de viagem. Para quem vive do outro lado da represa, é o único caminho para trabalhar, estudar e chegar ao posto de saúde. Um mesmo pórtico atende os dois, e é por isso que a posição exata dele deixa de ser detalhe técnico e vira questão de mobilidade urbana.

Quem são os 30 mil moradores do outro lado da represa

A região não é um bairro só. Segundo a prefeitura de São Bernardo do Campo, o Pós-Balsa reúne cerca de 30 mil moradores distribuídos por áreas rurais como Capivari, Curucutu, Santa Cruz, Taquacetuba e Tatetos, além de quatro aldeias indígenas: Tekoa Guvrapaiu, Tekoa Kuruay Rexakã, Tekoa Nhamandu-Mirim e Tekoa Pinheiroty.

Boa parte desse território está em área de proteção de mananciais, condição que limita ocupação e infraestrutura e ajuda a explicar por que existe uma única estrada de acesso. É uma população do tamanho de uma cidade média inteira dependendo de um trecho de rodovia de tráfego pesado para tarefas cotidianas.

O pórtico ainda está lá, e a concessionária tem até 90 dias

Aqui entra o ponto que muita gente vai errar ao comentar a notícia. O equipamento do km 29 não foi removido ainda. O que existe até agora é a decisão de retirá-lo e recolocá-lo em outro ponto, mais próximo da serra, e o local exato desse novo endereço sequer foi divulgado.

O prazo também não é imediato. A concessionária tem até 90 dias para retirar o pórtico do km 29, e não há data confirmada para a conclusão da mudança. Ou seja, o free flow entra em operação no dia 1º de agosto com o equipamento ainda instalado onde os moradores não queriam.

É exatamente por isso que existe a solução de transição descrita a seguir. Sem ela, a promessa de preservar o acesso local ficaria só no papel durante os primeiros meses de cobrança.

A isenção temporária existe, mas depende de um cadastro que ainda não saiu

Enquanto a transferência não se conclui, os moradores da região poderão pedir isenção da tarifa. A condição é fazer um cadastro específico, e é justamente aí que mora a lacuna: até a divulgação do caso, o governo paulista não havia informado como será o procedimento, quais documentos serão exigidos, quem exatamente terá direito ao benefício nem por qual canal a solicitação deve ser feita.

A expectativa é que essas orientações apareçam antes da entrada em operação do sistema, pelos canais oficiais do governo estadual e da Ecovias. Para quem mora na região, esse é o item da lista que realmente precisa ser acompanhado nos próximos dias, porque sem cadastro concluído a isenção não se aplica sozinha.

Vale registrar também o caráter do benefício. O próprio governo classificou a isenção como temporária, ligada ao período de transição até o pórtico mudar de lugar. Depois da mudança, a lógica passa a ser outra: o acesso local fica fora do alcance da cobrança pela própria posição do equipamento.

Como funciona o free flow e por que ele muda a rotina de quem dirige

Free flow significa fluxo livre, e o modelo dispensa praça de pedágio e cancela. O motorista segue em velocidade normal e a cobrança acontece por um pórtico com câmeras e sensores, que lê a placa do veículo ou a tag eletrônica colada no para-brisa.

Quem tem tag recebe o débito automático. Quem não tem precisa pagar depois, pelos canais disponibilizados pela concessionária e dentro do prazo estabelecido. Não pagar dentro do prazo pode gerar autuação por evasão de pedágio, infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro.

A promessa do modelo é reduzir fila, melhorar a fluidez e encurtar o tempo de viagem. A contrapartida é que a responsabilidade pelo pagamento passa a ser inteiramente do motorista, sem cancela para lembrá-lo disso. Para moradores acostumados a passar por ali várias vezes por semana, a mudança tem um efeito adicional: cada passagem vira um lançamento, e o esquecimento sai caro.

Quanto vai custar: R$ 40,60 partidos em duas cobranças

A tarifa não sobe, muda de forma. Hoje o Sistema Anchieta-Imigrantes cobra R$ 40,60 apenas na descida da serra. Com o free flow, o valor passa a ser dividido em duas cobranças de R$ 20,30, uma na subida e outra na descida, substituindo o modelo concentrado em uma única praça.

Para quem faz o trajeto completo de ida e volta, a conta final é a mesma. A diferença aparece para quem percorre apenas um dos sentidos, situação em que o motorista paga metade em vez do valor cheio. Os pórticos foram instalados no km 33 da Via Anchieta e no km 29 da Imigrantes, nos dois sentidos, e é o equipamento da Imigrantes no sentido capital que será reposicionado.

A divisão em duas cobranças ajuda a entender por que a posição do pórtico virou o centro da discussão. Em uma praça física, quem não passa pela cabine não paga, e o traçado do acesso local resolvia sozinho a questão. No modelo eletrônico, basta cruzar a linha invisível do sensor para gerar cobrança, e é por isso que alguns metros de diferença no posicionamento decidem se 30 mil moradores pagam ou não pagam para ir ao centro da cidade.

Quem sentou à mesa e como a decisão foi tomada

A mudança não saiu de uma canetada isolada. Ela foi definida após reuniões que reuniram a prefeitura de São Bernardo do Campo, a Secretaria de Parcerias em Investimentos, a Artesp e a Ecovias Imigrantes, depois das manifestações de moradores contrários à cobrança em deslocamentos internos do município.

Nas redes sociais, o prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, tratou o resultado como conquista do diálogo com o governo estadual e com a agência reguladora, afirmando que a retirada do equipamento atende a um pedido da população do Pós-Balsa. Do lado do estado, a justificativa oficial é conciliar a nova tecnologia de cobrança com a manutenção do acesso das comunidades, evitando impacto sobre quem usa a rodovia apenas em deslocamento local.

O que fazer até 1º de agosto

Para os moradores da região, a lista é curta e tem prazo. Acompanhar os canais oficiais do governo de São Paulo e da Ecovias para saber quando o cadastro de isenção abre, separar comprovante de residência e documento do veículo, e fazer o pedido assim que as regras forem publicadas. Sem isso, a cobrança pode ser gerada normalmente a partir do primeiro dia de operação.

Para quem apenas usa a rodovia em viagem, a orientação é outra. Vale conferir se a tag do para-brisa está ativa e com saldo, porque a partir de 1º de agosto não haverá cancela para segurar ninguém. Quem não tem tag precisa se organizar para pagar depois pelos canais da concessionária, dentro do prazo, sob risco de autuação por evasão.

Há ainda um cuidado que vale para os dois grupos. Como a leitura é feita por câmera e sensor, placa suja, danificada ou encoberta tende a virar problema de cobrança, e veículo com dados desatualizados no cadastro do proprietário pode receber a notificação no endereço errado. Nada disso é novidade em rodovias que já operam nesse modelo, mas costuma pegar de surpresa quem está vivendo a primeira semana do sistema.

O caso é um retrato de como uma decisão de engenharia de tráfego pode passar longe da vida de quem mora no lugar. Um pórtico colocado no km 29 transformaria a estrada de acesso de 30 mil moradores em rodovia tarifada de uso diário, e a mobilização mudou a rota do projeto antes mesmo de a cobrança começar. Falta a parte prática: definir o novo ponto, cumprir o prazo de até 90 dias para a retirada e publicar as regras do cadastro de isenção antes de 1º de agosto.

E você, já passou por uma situação em que uma obra ou uma cobrança nova atrapalhou o deslocamento dentro da sua própria cidade? Acha que o modelo de pedágio sem cancela vai facilitar a vida do motorista ou virar dor de cabeça com cobrança atrasada? Conta nos comentários o que você pensa sobre isso.

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pedágio


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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