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Americanos querem usar salmoura radioativa nas estradas

Americanos querem usar salmoura radioativa nas estradas

4 min de leitura

Americanos querem usar salmoura radioativa nas estradas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 26/07/2026 às 23:49

Ciência e Tecnologia

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Nova licença permite explorar e comercializar salmoura retirada de formação de petróleo e gás, enquanto estudos apontam baixa eficiência contra poeira, maior desgaste das estradas e escoamento com concentração elevada de rádio.

Uma licença concedida pelo governo da Pensilvânia para a exploração de salmoura mineral abriu uma nova discussão sobre a possível utilização, nas estradas, de água subterrânea altamente salina retirada de formações geológicas associadas ao petróleo e ao gás.

A autorização foi emitida em 12 de maio de 2026 pelo Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia, o DEP. O documento permite que a empresa BCD Properties perfure e opere o poço Danylko 6, no município de McKean, condado de Erie.

O material extraído poderá ser distribuído comercialmente como salmoura mineral. A licença, entretanto, não autoriza expressamente sua aplicação em estradas. A preocupação é que a classificação como produto, e não como resíduo da produção de petróleo e gás, crie uma nova rota para sua comercialização.

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Segundo a FracTracker Alliance, que recorreu da decisão, o poço recebeu a licença nº 049-25514 e a autorização nº 1566294. O recurso tramita no Conselho de Audiências Ambientais da Pensilvânia sob o processo 2026062.

Salmoura vem de formação associada ao petróleo e gás

A salmoura é uma água subterrânea com grande concentração de sais. Nos poços convencionais de petróleo e gás, esse líquido costuma chegar à superfície junto com os hidrocarbonetos e, por isso, também é conhecido como água produzida.

Além de sódio, cálcio e cloreto, amostras analisadas na região dos Apalaches apresentaram metais, compostos relacionados ao petróleo e isótopos radioativos naturais, principalmente rádio-226 e rádio-228.

A palavra “radioativa”, nesse contexto, não significa que o material tenha relação com usinas nucleares. A radioatividade é natural e está associada aos minerais presentes nas formações subterrâneas atravessadas pelos poços.

Ainda não foi divulgada uma análise química completa da água efetivamente produzida pelo Danylko 6. A preocupação ambiental está baseada na composição encontrada em águas retiradas de formações semelhantes e em produtos comerciais de salmoura já examinados por pesquisadores.

A Pensilvânia utilizou durante décadas águas produzidas por poços convencionais em estradas de terra e cascalho para tentar controlar a poeira. O líquido também foi aplicado em vias pavimentadas para evitar a formação de gelo.

O estado deixou de autorizar esse uso para águas residuais de poços convencionais depois que órgãos ambientais concluíram que a prática não atendia às normas aplicáveis. A utilização de resíduos provenientes de poços não convencionais, incluindo os associados ao fraturamento hidráulico, já enfrentava restrições anteriores.

Produto teve desempenho inferior em laboratório

Estudos da Universidade Estadual da Pensilvânia indicam que a água produzida apresenta desempenho inferior ao de produtos comerciais desenvolvidos especificamente para controlar poeira.

Em uma pesquisa publicada em 2024 na revista Science of the Total Environment, os cientistas aplicaram diferentes produtos em agregados usados em estradas não pavimentadas. Os testes foram realizados sob condições variadas de umidade e incluíram uma tempestade simulada.

As águas produzidas reduziram a poeira entre 10% e 85% quando a umidade relativa estava em 50%. Em condições mais secas, com umidade de 20%, apresentaram desempenho semelhante ou pior que o da água da chuva.

Quase todos os produtos comerciais avaliados reduziram a poeira em mais de 90%, independentemente da umidade. O estudo liderado por James Farnan concluiu que as águas de petróleo e gás não atendiam às recomendações para reaproveitamento benéfico como supressores de poeira.

Os pesquisadores também constataram que a elevada concentração de sódio dispersou partículas de argila e desestabilizou o material da estrada. Nos cálculos realizados a partir do experimento, o tratamento aumentou em aproximadamente 47 quilos por quilômetro a perda de sólidos durante a tempestade simulada, em comparação com a água de chuva.

Chuva transportou sais, sólidos e rádio

O escoamento dos modelos de estrada tratados com água produzida apresentou a maior concentração combinada de rádio do experimento: 83,6 picocúries por litro.

O número equivale a aproximadamente 16,7 vezes o limite federal de 5 picocúries por litro estabelecido para rádio-226 e rádio-228 combinados na água potável. A comparação dimensiona a concentração, mas não representa uma infração automática, porque o escoamento rodoviário não é regulamentado como água destinada ao consumo.

Os testes mostraram que sais solúveis e o rádio aplicado foram mobilizados durante a tempestade simulada. Os pesquisadores apontaram as partículas finas de argila e a água altamente salina como mecanismos capazes de transportar o rádio para fora do leito da estrada.

Outro estudo publicado em 2018 estimou que a aplicação de águas residuais de petróleo e gás nas estradas da Pensilvânia liberou 320 milicúries de rádio no ambiente entre 2008 e 2014.

A quantidade estimada foi mais de quatro vezes superior à atribuída às instalações de tratamento dessas águas residuais e cerca de 200 vezes maior que a relacionada aos derramamentos registrados no mesmo período.

Os trabalhos não demonstram que uma passagem breve por uma estrada tratada provoque doença imediata. A preocupação está nas aplicações repetidas, que podem transportar contaminantes para solos, sedimentos e cursos d’água ou permitir a exposição à poeira contaminada.

O futuro uso da salmoura do Danylko 6 permanece indefinido. A licença permite produzir e distribuir o material, mas sua aplicação rodoviária não foi expressamente autorizada e a classificação adotada pelo DEP continua sendo contestada administrativamente.

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Fonte

https://pubmed.ncbi.nlm.n


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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