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Anel inteligente mede glicose pelo suor, dispensa picadas no dedo e envia dados em tempo real para o celular
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 31/07/2026 às 10:18
Ciência e Tecnologia
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Anel inteligente analisa glicose e outros biomarcadores no suor, sem furar o dedo, e envia os resultados em tempo real ao celular.
Um anel inteligente desenvolvido por engenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego pode acompanhar a glicose e outros marcadores químicos presentes no suor sem exigir coleta de sangue, esforço físico ou interrupções na rotina.
O dispositivo envia as medições em tempo real para um aplicativo e pode ampliar o uso dos vestíveis no acompanhamento de doenças crônicas, especialmente em situações que dependem da observação frequente das respostas metabólicas do organismo.
A tecnologia foi apresentada em um estudo publicado na revista Nature em 23 de julho de 2026 e se diferencia dos acessórios comerciais que concentram suas funções em dados biofísicos, como movimentos e outros sinais corporais. Em vez de apenas registrar atividades, o novo anel procura revelar mudanças moleculares que podem orientar decisões relacionadas à saúde, à alimentação e ao estilo de vida.
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Anel combina glicose com outros sinais do metabolismo
O equipamento pode acompanhar simultaneamente até quatro biomarcadores escolhidos entre glicose, cetonas, lactato, vitamina C, ácido úrico e álcool. Essa capacidade permite observar diferentes processos do corpo em conjunto, oferecendo um panorama mais amplo do que seria possível com a medição isolada de apenas uma substância.
Para pessoas que precisam controlar o diabetes, a possibilidade de analisar glicose e cetonas de maneira contínua é considerada uma das aplicações mais promissoras. A combinação pode ajudar a compreender como o metabolismo reage ao longo do dia e fornecer informações úteis para decisões ligadas ao tratamento.
Joseph Wang, professor do Departamento de Engenharia Química da UC San Diego, destacou que o acompanhamento molecular em tempo real poderia apoiar escolhas mais bem informadas. O pesquisador afirmou que a leitura simultânea de glicose e cetonas teria potencial para contribuir com a definição da dosagem adequada de insulina no controle da doença.
Anel não depende de suor provocado por exercícios
Um dos desafios enfrentados por sensores baseados em suor é a necessidade de atividade física para produzir líquido em quantidade suficiente. O novo sistema contorna essa limitação por meio de um hidrogel osmótico que retira a umidade da pele de forma passiva, permitindo que a análise ocorra mesmo quando o usuário está parado ou realizando tarefas comuns.
O material produz uma pressão suave e indolor sobre a superfície da pele, coletando o suor sem perfurações. Depois de capturado, o fluido é conduzido até sensores eletroquímicos instalados em uma das partes internas do acessório, onde os componentes químicos são identificados.
Esse funcionamento transforma o anel em uma ferramenta de monitoramento discreta, pois não obriga o usuário a alterar sua rotina para gerar uma leitura. A coleta contínua também permite realizar várias medições ao longo do período de uso, criando uma sequência de dados em vez de um resultado isolado.
Anel ajusta as medições ao metabolismo de cada usuário
As respostas elétricas produzidas pelos sensores precisam ser convertidas em concentrações compreensíveis. Para fazer isso, o sistema repete as análises e constrói parâmetros de calibração individuais, levando em consideração as características metabólicas de quem utiliza o dispositivo.
Com o passar do tempo, o anel relaciona os sinais detectados no suor aos padrões específicos do usuário. Essa personalização busca melhorar a interpretação das informações, uma vez que a mesma resposta química pode variar de acordo com condições fisiológicas particulares.
Depois do processamento, os resultados seguem diretamente para um aplicativo de smartphone. O celular funciona como uma interface de acompanhamento, reunindo os dados coletados e permitindo que as alterações sejam observadas em tempo real durante o uso.
Estrutura do anel reúne sensores em espaço reduzido
Para acomodar todos os componentes em um acessório utilizável, os pesquisadores recorreram a uma estrutura de polímero fabricada por impressão 3D. Dentro dela foi instalada uma placa eletrônica menor do que uma moeda de 25 centavos de dólar, responsável por integrar a leitura dos sensores e o envio das informações.
A miniaturização foi essencial para manter o formato semelhante ao de um anel convencional, apesar da presença do hidrogel, dos sensores eletroquímicos, do sistema de processamento e da bateria. Os componentes ficam distribuídos entre as partes da estrutura sem eliminar a proposta de uso diário.
A alimentação é feita por uma bateria flexível de óxido de prata-zinco. Com carga completa, o dispositivo pode permanecer em funcionamento contínuo por até 12 horas, período suficiente para acompanhar mudanças metabólicas durante uma parte significativa do dia.
O projeto ainda representa uma abordagem diferente daquela adotada pela maior parte dos anéis inteligentes disponíveis atualmente. Ao investigar substâncias presentes no suor, o acessório deixa de atuar apenas como registrador de sinais externos e passa a acompanhar processos químicos que mudam conforme alimentação, condições de saúde e metabolismo.
Essa capacidade poderá abrir caminho para ferramentas mais completas de acompanhamento pessoal, especialmente quando medições frequentes forem necessárias. Ao reunir coleta passiva, calibração individual e transmissão imediata para o celular, o anel desenvolvido pela UC San Diego mostra como um acessório pequeno pode transformar o suor em uma fonte contínua de informações sobre o organismo.
Fonte
Canaltech
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

