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Antártida pode provocar mais de dois metros de elevação do nível do mar até 2100 em um cenário de altas emissões, mas estudo liderado por Felicity McCormack indica que a perda de gelo ainda pode ser prevista com maior confiança nas próximas três a cinco décadas

Antártida pode provocar mais de dois metros de elevação do nível do mar até 2100 em um cenário de altas emissões, mas estudo liderado por Felicity McCormack indica que a perda de gelo ainda pode ser prevista com maior confiança nas próximas três a cinco décadas

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Antártida pode provocar mais de dois metros de elevação do nível do mar até 2100 em um cenário de altas emissões, mas estudo liderado por Felicity McCormack indica que a perda de gelo ainda pode ser prevista com maior confiança nas próximas três a cinco décadas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 23/07/2026 às 20:21

Atualizado em 23/07/2026 às 20:29

Ciência e Tecnologia

Estudo revela a previsibilidade da perda de gelo na Antártida até o século, impactando políticas de adaptação ao nível do mar.

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Estudo publicado na Nature aponta que modelos podem antecipar a perda de gelo por até cinco décadas e ajudar governos a planejar infraestrutura costeira diante da possível elevação do nível do mar com mais segurança.

A perda de gelo na Antártida permanece previsível até meados do século, segundo estudo publicado na Nature, abrindo uma janela de 30 a 50 anos para governos planejarem infraestrutura costeira e medidas de adaptação à elevação do nível do mar.

Perda de gelo pode ser estimada até meados do século

A pesquisa foi liderada por Felicity McCormack, pesquisadora da Universidade Monash e integrante do projeto Securing Antarctica’s Environmental Future, conhecido pela sigla SAEF.

O trabalho examinou até que ponto os cientistas podem prever a futura perda de gelo na Antártida e como essas projeções podem contribuir para políticas públicas e decisões relacionadas ao nível do mar.

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A equipe concentrou a análise em duas questões: quanto gelo o continente poderá perder nos próximos 30 a 50 anos e se essa mudança pode ser prevista com confiança suficiente para orientar governos e países.

Para responder, os pesquisadores avaliaram a previsibilidade da elevação do nível do mar em uma série de projeções produzidas por modelos de calotas polares para esse período.

Os resultados indicam que a perda de gelo permanece altamente previsível e consistente até meados do século. Isso permitiria estimar com maior confiança a contribuição da Antártida para o aumento do nível do mar nas próximas décadas.

Segundo McCormack, essa confiança depende da capacidade dos modelos de reproduzir corretamente as taxas de perda de gelo observadas atualmente.

“Se os modelos de calotas polares reproduzirem com precisão as taxas de perda de gelo que observamos hoje, podemos ter confiança em usar esses mesmos modelos para prever com segurança a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar nos próximos 30 a 50 anos”, afirmou.

Ela acrescentou que conhecer com maior precisão quanto e com que rapidez o nível global do mar poderá subir oferece informações importantes para o planejamento costeiro e para a formulação de políticas governamentais.

Nível do mar pode subir mais de dois metros até 2100

Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas indicam que o nível global do mar poderá subir mais de dois metros até 2100 em cenários de altas emissões.

Essa projeção considera a possibilidade de grandes partes da camada de gelo da Antártida entrarem em colapso. A trajetória exata da elevação até o final do século, entretanto, ainda apresenta elevada incerteza.

Grande parte dessa dificuldade está relacionada à velocidade com que o continente perderá gelo. No pior cenário avaliado pelo IPCC, a taxa de elevação provocada apenas pela Antártida poderá quase dobrar nos próximos 30 anos.

Uma elevação superior a dois metros colocaria um quarto das propriedades residenciais australianas em risco de inundação. Também poderia tornar grandes áreas de territórios soberanos do Pacífico inabitáveis.

O cenário ainda poderia obrigar centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo a deixar suas casas, produzindo impactos humanitários e econômicos de grande escala.

Até agora, os pesquisadores não tinham uma estimativa precisa sobre quanto a Antártida poderia acrescentar ao nível do mar nas próximas décadas, período diretamente relacionado às políticas governamentais e ao planejamento costeiro.

Previsibilidade diminui perto do fim do século

A confiança nas projeções diminui no final do século XXI, quando processos físicos capazes de acelerar a perda de gelo tornam-se mais prováveis.

Parte do gelo da Antártida está apoiada sobre rochas localizadas abaixo do nível do mar. Caso esse gelo comece a recuar rapidamente, o processo poderá tornar-se difícil de interromper ou reverter.

Depois de iniciado, esse mecanismo poderá provocar uma perda de gelo muito superior à indicada pelas projeções climáticas de curto prazo.

McCormack afirmou que aperfeiçoar a representação dos processos físicos responsáveis pelo recuo acelerado poderá reduzir a incerteza que compromete as projeções de longo prazo.

Os pesquisadores defendem que as previsões sejam apresentadas em dois períodos. O primeiro abrangeria as próximas décadas, quando a perda de gelo pode ser estimada com maior confiança.

O segundo trataria das mudanças de longo prazo, influenciadas por mecanismos de retroalimentação capazes de acelerar o recuo. A divisão permitiria usar dados mais seguros no planejamento imediato sem ocultar a incerteza crescente após meados do século.

Governos podem usar projeções no planejamento costeiro

Steven Chown, diretor da SAEF, afirmou que o período de maior previsibilidade deve ser aproveitado para ações de adaptação e investimentos em sistemas mais robustos de monitoramento da Antártida.

“A previsibilidade identificada nesta pesquisa não reduz o risco a longo prazo; em vez disso, proporciona um período definido para agir com maior confiança”, declarou.

Segundo Chown, melhorias nos sistemas de observação e nos modelos de calotas polares deverão produzir projeções mais confiáveis para os horizontes de planejamento de curto prazo.

Ele também afirmou que a Austrália está em posição de trabalhar com parceiros do Indo-Pacífico para transformar os resultados científicos em estratégias práticas de adaptação.

Os governos das ilhas do Pacífico, segundo o diretor, precisam de projeções confiáveis para tomar decisões relacionadas à infraestrutura, ao uso da terra e à possível realocação de comunidades.

McCormack defendeu a criação de um processo claro para incorporar as projeções dos modelos às políticas voltadas à elevação do nível do mar.

A pesquisadora afirmou que modelos capazes de reproduzir as observações atuais fornecem uma base confiável para o planejamento das próximas décadas. As incertezas posteriores, porém, mostram a necessidade de continuar aprimorando modelos e sistemas de observação.

O SAEF é um programa liderado pela Universidade Monash e integra o Programa Antártico Australiano. Suas pesquisas abrangem a Antártida e o Oceano Austral e buscam apoiar populações da Austrália, da região Ásia-Pacífico e de outras partes do mundo.

Materiais fornecidos pela Universidade Monash.

Fonte

https://www.monash.edu/ne


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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