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Antes de erguer um bairro novo em Jerusalém, arqueólogos escavavam um terreno rochoso quando o chão revelou uma cavidade que não parava de crescer: um túnel de 50 metros cortado à mão na rocha, grande o bastante para caber um ônibus, sem nenhum objeto dentro e sem uma única pista de quem o cavou ou por quê
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/07/2026 às 00:40
Construção
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Túnel antigo perto de Jerusalém foi achado antes de obra residencial, tem cerca de 50 metros e segue sem datação ou finalidade confirmadas.
Um túnel antigo escavado na rocha foi encontrado perto do Kibutz Ramat Rachel, ao sul de Jerusalém, durante uma escavação preventiva realizada antes da construção de um novo bairro residencial. Segundo o Times of Israel, a descoberta foi anunciada pela Autoridade de Antiguidades de Israel, a IAA, em 14 de maio de 2026, mas a idade, a autoria e a função da estrutura ainda não foram determinadas.
A passagem, que inicialmente parecia uma cavidade natural, revelou-se um túnel talhado à mão com cerca de 50 metros de comprimento. Segundo o Jerusalem Post, a estrutura chega a aproximadamente 5 metros de altura e 3 metros de largura em alguns trechos, dimensões que reforçam o mistério em torno de uma obra subterrânea que exigiu grande investimento de trabalho, mas não deixou pistas suficientes para explicar sua finalidade.
Túnel antigo perto de Jerusalém foi encontrado antes de uma obra residencial
A descoberta não aconteceu durante uma busca arqueológica planejada para encontrar uma estrutura específica. Ela surgiu em uma escavação preventiva, realizada antes da construção de um novo bairro ao norte de Ramat Rachel, etapa comum em áreas de grande sensibilidade arqueológica em Israel.
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Segundo o Times of Israel, os arqueólogos Sivan Mizrahi e Zinovi Matskevich, codiretores da escavação pela IAA, relataram que a equipe trabalhava em um terreno rochoso quando encontrou o que parecia ser uma cavidade cárstica natural. À medida que a escavação avançou, porém, a abertura revelou uma passagem longa, escavada diretamente na rocha.
O acesso ao túnel ocorre por uma escadaria antiga que desce da superfície até a entrada talhada no calcário. Parte da estrutura ainda estava bloqueada por sedimentos e desmoronamentos, o que manteve trechos sem investigação completa no momento da divulgação da descoberta.
Estrutura de 50 metros impressionou pela escala e pelo esforço de escavação
Segundo o Jerusalem Post, a passagem mede cerca de 50 metros de comprimento, com aproximadamente 5 metros de altura e 3 metros de largura em alguns pontos.
Essas dimensões afastam a ideia de uma galeria simples ou de uma abertura improvisada. Trata-se de uma estrutura ampla, escavada em rocha calcária, com espaço suficiente para a passagem de pessoas, materiais e atividades que ainda não foram identificadas com segurança.
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O enigma está justamente na relação entre escala e ausência de explicação. Abrir uma passagem desse porte à mão exigiria planejamento, tempo, ferramentas, coordenação e mão de obra organizada, mas os pesquisadores ainda não encontraram elementos capazes de apontar com precisão quem construiu o túnel ou por que ele foi feito.
Arqueólogos ainda não sabem se o túnel era obra hidráulica, pedreira ou outra estrutura
A primeira linha de investigação considerou a possibilidade de o túnel estar relacionado a um sistema de água, hipótese comum em escavações subterrâneas na região de Jerusalém. Túneis hidráulicos antigos, cisternas e canais são conhecidos em diferentes sítios da área, sobretudo em contextos urbanos e agrícolas.
Segundo o Times of Israel, essa hipótese perdeu força porque as paredes da passagem não apresentam vestígios de reboco, material normalmente usado em estruturas antigas destinadas a conduzir ou armazenar água. Sem impermeabilização, um canal desse tipo seria menos eficiente para esse uso.
Outra hipótese considerada pelos pesquisadores é a de que o local tenha funcionado como uma espécie de pedreira subterrânea. Nesse cenário, a escavação poderia ter buscado uma camada de calcário mais macio para extração de pedra ou produção de cal, mas essa explicação ainda não foi confirmada.
Ausência de objetos ligados à construção impede datação segura
O maior obstáculo para entender o túnel é a falta de evidências diretamente associadas à sua construção. Segundo o Times of Israel, os arqueólogos não encontraram artefatos claros que permitissem datar a abertura da passagem.
Em escavações arqueológicas, objetos como cerâmicas, moedas, ferramentas, restos orgânicos e inscrições costumam ajudar a definir períodos de uso ou construção. No caso do túnel de Ramat Rachel, os materiais encontrados até agora não oferecem essa segurança.
Fragmentos de cerâmica e ferramentas de sílex pré-históricas foram identificados no interior, mas os pesquisadores não os relacionaram diretamente à escavação original da estrutura. Esses objetos podem ter sido carregados para dentro do túnel posteriormente, junto com sedimentos acumulados ao longo do tempo.
Túnel pode ter centenas ou milhares de anos, mas a idade ainda não foi confirmada
A IAA descreveu a passagem como antiga, mas não apresentou uma data definitiva para sua construção. Segundo o Times of Israel, a estrutura pode ter centenas ou até milhares de anos, embora essa estimativa permaneça ampla.
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Essa incerteza é central para a importância da descoberta. Uma obra subterrânea tão grande, aberta em rocha, normalmente deixaria algum sinal de uso, descarte, ferramentas, inscrições ou camadas arqueológicas associadas ao período de atividade.
Até agora, esse elo não apareceu. Por isso, qualquer tentativa de atribuir o túnel a um período específico precisa ser tratada com cautela. O que está confirmado é a existência da estrutura, sua escala e o fato de que sua função permanece sem resposta conclusiva.
Localização perto de sítios antigos aumentou o interesse dos pesquisadores
A localização do túnel torna o caso ainda mais intrigante. Segundo o Israel Hayom, a estrutura fica a poucas centenas de metros de dois sítios arqueológicos importantes nos arredores de Jerusalém.
O primeiro é um edifício público da Idade do Ferro, relacionado ao período do Primeiro Templo, identificado no bairro de Arnona. O segundo é o Tel Ramat Rachel, sítio onde foram documentados vestígios de ocupação desde a Idade do Ferro até o período islâmico.
Essa proximidade não prova uma conexão direta, mas ajuda a explicar o interesse científico. A área foi ocupada e transformada ao longo de muitos períodos históricos, o que aumenta as possibilidades de interpretação e também torna mais difícil isolar uma única resposta para a origem do túnel.
Escavação preventiva impediu que a obra apagasse um achado raro
O caso mostra a importância das escavações preventivas em regiões com alta densidade arqueológica. A estrutura foi encontrada antes da implantação de um bairro residencial, o que permitiu registrar e investigar o túnel antes do avanço das obras.
Segundo o Times of Israel, o projeto urbano está ligado à construção de um novo bairro ao norte de Ramat Rachel. A área prevista soma cerca de 58 dunams, aproximadamente 58 mil metros quadrados, e inclui 488 unidades habitacionais, além de espaços para comércio, emprego, escola primária e creches.
A descoberta alterou a forma como o sítio será tratado. Em vez de simplesmente liberar a área para construção, as autoridades passaram a considerar a integração do túnel e de outros achados ao planejamento urbano.
Novo bairro deve integrar o túnel a um parque arqueológico público
Segundo o Times of Israel, a planejadora regional da Autoridade de Terras de Israel, Shikma Sig, afirmou que a solução prevista é incorporar o achado ao projeto urbano. A proposta é transformar o túnel e as descobertas próximas em parte de um parque arqueológico aberto ao público.
Essa decisão cria uma combinação incomum entre expansão residencial e preservação histórica. O novo bairro poderá avançar, mas com a presença de um espaço arqueológico integrado ao desenho urbano, permitindo que moradores e visitantes tenham acesso ao patrimônio descoberto no local.
A medida também evita que a estrutura seja tratada apenas como obstáculo à construção. O túnel passa a funcionar como elemento de identidade do novo bairro e como ponto de conexão entre desenvolvimento urbano e memória histórica.
Mistério permanece porque a estrutura exigiu esforço demais para não ter função clara
O aspecto mais forte da descoberta continua sendo a desproporção entre o esforço necessário para escavar o túnel e a ausência de explicação sobre sua finalidade. Uma passagem de 50 metros, com trechos altos e largos, não seria aberta por acaso.
Segundo o Jerusalem Post, a estrutura é grande o suficiente para impressionar mesmo arqueólogos acostumados a escavações na região de Jerusalém. A escala indica planejamento e uso de recursos, mas a falta de reboco, de fonte subterrânea confirmada e de artefatos datáveis impede conclusões seguras.
Por enquanto, os pesquisadores sabem mais sobre o que o túnel provavelmente não era do que sobre sua função real. Ele não foi confirmado como sistema hidráulico, não foi datado com precisão e não teve ligação comprovada com os sítios antigos vizinhos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

