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Ao perceber que mulheres esqueciam o que haviam aprendido longe da sala de aula, programa no Paquistão transformou celulares simples em professores que enviavam até 8 exercícios por dia

Ao perceber que mulheres esqueciam o que haviam aprendido longe da sala de aula, programa no Paquistão transformou celulares simples em professores que enviavam até 8 exercícios por dia

5 min de leitura

Ao perceber que mulheres esqueciam o que haviam aprendido longe da sala de aula, programa no Paquistão transformou celulares simples em professores que enviavam até 8 exercícios por dia

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/07/2026 às 21:21

Atualizado em 31/07/2026 às 21:22

Ciência e Tecnologia

Celulares simples passaram a funcionar como professores de bolso para mulheres recém alfabetizadas no Paquistão.

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Programa de alfabetização de mulheres uniu aulas presenciais, celulares gratuitos, mensagens por SMS, cópias em cadernos, testes digitais e contas na calculadora para preservar a leitura e a escrita entre participantes que encontravam poucas oportunidades de praticar fora da sala de aula.

Celulares simples passaram a funcionar como professores de bolso para mulheres recém-alfabetizadas no Paquistão. As participantes recebiam de 6 a 8 mensagens por dia, liam o conteúdo, copiavam as frases em cadernos e respondiam perguntas pelo próprio aparelho.

As informações foram divulgadas pelo Instituto da UNESCO para Aprendizagem ao Longo da Vida, instituto especializado em aprendizagem ao longo da vida. O programa começou em 2009 para impedir que a falta de leitura no cotidiano apagasse habilidades adquiridas durante a alfabetização.

A iniciativa não começou com smartphones ou aplicativos modernos. Celulares convencionais e mensagens por SMS levaram exercícios curtos até mulheres que encontravam poucas oportunidades de ler, escrever e fazer contas fora da sala de aula.

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Mulheres podiam esquecer a leitura pouco depois da alfabetização

Aprender o alfabeto e reconhecer frases simples não garantia que esse conhecimento permaneceria ativo. Quando a pessoa não encontra livros, jornais ou textos ligados à sua rotina, a falta de prática pode enfraquecer o que foi aprendido.

Primeira etapa mantinha aulas presenciais durante 2 meses / Imagem: Reprodução

O programa usou o celular para criar contato diário com palavras e números. Cada mensagem funcionava como uma pequena tarefa, capaz de acompanhar a participante dentro de casa e em outros espaços onde um livro didático nem sempre estava disponível.

A ação atendia mulheres jovens e adultas com idades entre 15 e 30 anos, sem alfabetização ou com conhecimentos muito básicos. Antes das atividades, elas faziam uma avaliação com frases simples e problemas de matemática para registrar o nível inicial de aprendizagem.

Primeira etapa mantinha aulas presenciais durante 2 meses

O programa durava 6 meses e possuía duas etapas. Nos primeiros 2 meses, as mulheres frequentavam centros comunitários de alfabetização durante 2 a 3 horas por dia, em 6 dias da semana.

As participantes aprendiam a escrever o alfabeto e a ler com atenção aos sons das letras. As facilitadoras acompanhavam as dificuldades e preparavam cada mulher para usar o telefone como ferramenta de estudo.

Os celulares gratuitos eram entregues somente depois dessa preparação. A nova fase não encerrava o contato com os centros, pois as alunas voltavam aos espaços de aprendizagem em períodos regulares e faziam uma prova mensal para medir a retenção da leitura.

Até 8 mensagens diárias levavam os exercícios para fora da sala

O serviço de mensagens curtas, conhecido pela sigla SMS, entregava pequenos textos diretamente aos aparelhos. As mulheres precisavam ler, copiar o conteúdo nos cadernos e responder às perguntas, combinando leitura no celular e escrita à mão.

Mais de 600 mensagens foram produzidas inicialmente sobre 17 assuntos. Os conteúdos incluíam matemática, saúde, conhecimentos gerais, governo local, receitas, piadas e adivinhas. Depois, outras 200 mensagens passaram a abordar educação, cultura, direitos humanos, liberdade de expressão e votação.

Até 8 mensagens diárias levavam os exercícios para fora da sala / Imagem: Reprodução

O envio de 6 a 8 mensagens por dia transformava a aprendizagem em uma atividade frequente. Em vez de depender apenas do encontro presencial, a participante recebia novos motivos para reconhecer palavras, formar frases e registrar respostas diariamente.

Sistema na internet recebia respostas e guardava os resultados

As atividades não ficavam registradas apenas nos cadernos. Um sistema na internet enviava as mensagens, recebia as respostas e armazenava os resultados dos testes feitos pelo celular. Algumas questões apresentavam alternativas, o que facilitava a correção.

O Instituto da UNESCO para Aprendizagem ao Longo da Vida, instituto especializado em aprendizagem ao longo da vida, detalhou que o sistema reunia os resultados e ajudava as equipes a acompanhar a participação. As avaliações mensais realizadas nos centros completavam esse controle.

No distrito de Sialkot, o primeiro mês terminou com 90% das participantes na faixa de 0% a 50% e nenhuma na faixa de 70% a 100%. No último mês, 14% ficaram na faixa de 0% a 50%, enquanto 39% alcançaram a faixa de 70% a 100%.

Calculadora do celular ajudava no ensino de contas simples

O aparelho também apoiava o ensino de matemática. A função de calculadora permitia praticar contas simples em uma ferramenta disponível fora do centro comunitário.

Esse aprendizado tinha utilidade em situações comuns, incluindo pequenos problemas envolvendo dinheiro. Os relatos reunidos pelo programa indicaram que as participantes ganharam confiança para ler jornais em urdu, placas e livros simples, além de realizar cálculos básicos.

As mulheres também aprenderam a usar alarme, lembretes e agenda de contatos. A experiência reuniu alfabetização, matemática e uso prático da tecnologia num aparelho muito mais simples do que os smartphones modernos.

Educação por celular ampliava a prática, mas enfrentava limites

No fim dos 6 meses, os telefones se tornavam propriedade das participantes. Elas ainda podiam continuar recebendo mensagens durante mais 6 meses, prolongando o contato com textos depois da etapa principal.

Algumas famílias resistiam à participação das mulheres e à entrega de celulares para jovens. Digitar em urdu também era difícil e demorado no começo, problema que exigiu 1 mês de treinamento com as facilitadoras.

Uma fase posterior levou conteúdos educativos instalados por meio de um programa próprio a alguns aparelhos. A base da experiência iniciada em 2009, porém, permaneceu ligada a celulares simples, SMS, cadernos e acompanhamento presencial.

A terceira fase ocorreu entre março e agosto de 2012. A lógica pode lembrar grupos educativos por WhatsApp no Brasil, mas existe uma diferença importante: a iniciativa paquistanesa foi estruturada para funcionar com mensagens comuns em celulares convencionais.

Prática constante ajudava a manter a alfabetização ativa

O programa mostrou que uma etapa inicial de aulas pode não bastar quando a leitura desaparece da rotina. Exercícios curtos e frequentes mantiveram as participantes em contato com palavras, frases, perguntas e números.

O telefone não substituía completamente a sala de aula. Ele funcionava como uma extensão do ensino, ligado aos cadernos, às facilitadoras, aos encontros nos centros e às provas mensais. A tecnologia ganhava valor porque ajudava as mulheres a continuar praticando.

Se celulares simples ajudaram a preservar a alfabetização, um projeto semelhante faria diferença no Brasil? Comente e compartilhe.

Fonte

UNESCO


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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