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Aos 101 anos, uma americana ainda dirigia e trocava o óleo do próprio carro, um Packard 1930, comprado em 1949 e mantido impecável por mais de seis décadas
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 27/07/2026 às 00:09
Curiosidades
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Nascida em 1910, a americana Margaret Dunning aprendeu a dirigir aos 8 anos e passou a vida apaixonada por carros. Já centenária, ela ainda pilotava e trocava o óleo do próprio Packard 1930, um roadster impecável que comprou em 1949 e manteve com as próprias mãos por mais de seis décadas.
Aos 101 anos, a americana Margaret Dunning ainda dirigia e fazia a própria manutenção do seu Packard 1930, um roadster que ela conservou impecável por mais de seis décadas. Moradora de Plymouth, no estado de Michigan, ela virou uma celebridade no mundo dos carros clássicos justamente por continuar trocando óleo e velas de ignição da própria mão bem depois dos 100 anos, conforme perfil publicado pela seguradora e publicação especializada Hagerty.
O carro era o xodó de uma vida inteira dedicada à direção. Nascida em 26 de junho de 1910, Dunning aprendeu a guiar aos 8 anos e passou mais de nove décadas ao volante, sem nunca perder o gosto por colocar a mão na graxa. Ela morreu em 17 de maio de 2015, aos 104 anos, a menos de um mês de completar 105, deixando para trás um dos carros mais admirados do circuito de clássicos dos Estados Unidos.
A dona de um Packard 1930 que fazia a própria manutenção
O que transformou Margaret Dunning em fenômeno não foi apenas a idade, e sim o que ela fazia apesar dela. Mesmo depois dos 100 anos, ela continuava trocando o óleo e as velas do próprio carro, debruçando-se sobre os para-lamas do veículo para alcançar o motor. Era esse detalhe, mais do que qualquer outro, que deixava os apaixonados por automóveis de queixo caído.
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O objeto de tanto cuidado era um Packard 740 Custom Eight Roadster de 1930, na cor creme, com motor de oito cilindros em linha e o charme das máquinas do período anterior à Segunda Guerra. Dunning contava que gostava especialmente da terceira marcha, dizendo que nela o carro parecia cantar, e fazia questão de tirá-lo da garagem pelo menos uma vez por mês, porque, segundo ela, os carros foram feitos para serem dirigidos. O zelo era tanto que o Packard 1930 chegou a receber a pontuação máxima de 100 pontos em uma premiação do Classic Car Club of America, algo raro no meio.
Comprado em 1949, no meio de uma história curiosa
A entrada do Packard na vida de Margaret Dunning aconteceu por acaso, em 1949. O carro estava sendo restaurado por um homem quando a esposa dele, grávida, anunciou pouco antes de a obra terminar que não pretendia criar um bebê dentro de um roadster. Foi assim que o veículo ficou disponível e acabou nas mãos dela.
A partir dali, começou uma relação que duraria o resto da vida. Ao longo de mais de seis décadas de posse, Dunning cuidou do carro com um esmero fora do comum, dando a ele quatro trabalhos de estofamento e nada menos que 22 demãos de laca aplicadas à mão. Não era um carro de garagem parado para exibição, e sim um veículo mantido em condições impecáveis por alguém que conhecia cada detalhe da própria máquina.
Aprendeu a dirigir aos 8 anos, ao lado de Henry Ford
A paixão de Margaret por automóveis nasceu na infância, numa fazenda de gado leiteiro a oeste de Detroit. Foi lá que, aos 8 anos, ela aprendeu a esterçar o Ford Modelo T do pai enquanto ele operava os controles, antes de dominar também o caminhão e o trator da propriedade. Um detalhe dá o tom da época: a família tinha como vizinho ninguém menos que Henry Ford, que às vezes aparecia para jantar e adorava as sobremesas da mãe dela.
A vida a colocou cedo atrás do volante de vez. Quando o pai morreu, Margaret tinha 12 anos, herdou o Modelo T e tirou a habilitação para poder levar a mãe, que tinha problemas nos pés e não dirigia, aonde fosse preciso. Dela também ficou uma lição do pai sobre potência, ensinada a partir dos cavalos da fazenda: enquanto se tem controle, tudo bem, mas no instante em que se perde o comando, o que se tem são cavalos selvagens. A comparação com a força dos motores ficou marcada nela para sempre, e o gosto pela velocidade rendeu, ao longo da vida, uma boa quantidade de multas.
De colecionadora a fenômeno da internet
Durante muito tempo, Margaret Dunning foi conhecida apenas nos círculos de colecionadores, dos quais participava havia décadas. Isso mudou quando um vídeo produzido pelo jornal The New York Times, por volta de 2012, começou a circular pela internet e a transformou em uma sensação nacional, admirada de costa a costa nos Estados Unidos.
A fama a levou aos grandes eventos do setor. No badalado concurso de elegância de Pebble Beach, em 2012, ela roubou a cena ao conversar de igual para igual com o apresentador Jay Leno sobre o próprio carro, e chegou a dirigir o Packard 1930 até o palco de premiação para receber um troféu. Além do roadster, Dunning reunia uma coleção que incluía um Ford Modelo T, um Modelo A de 1931 e Cadillacs de várias épocas, enquanto seu carro do dia a dia era um Cadillac DeVille de 2003.
Empresária, filantropa e sem papas na língua
Fora do universo dos automóveis, Margaret Dunning construiu uma trajetória sólida como empresária bem-sucedida, o que lhe deu recursos para se dedicar também à filantropia. Ela foi uma das responsáveis por ajudar a criar o Museu Histórico de Plymouth, sua cidade, e era lembrada pelos amigos como uma pessoa generosa, simples e sem qualquer arrogância.
A personalidade forte e o humor afiado faziam dela uma convidada disputada. Questionada certa vez sobre o segredo da longevidade, Margaret respondeu, com a franqueza de sempre, que nunca havia se casado. Entre suas amizades, dizia-se que contavam desde pessoas comuns até celebridades, uma mistura que combinava com o jeito espontâneo com que ela levava a própria fama.
Um adeus aos 104 anos e o destino do Packard
Margaret Dunning morreu no dia 17 de maio de 2015, aos 104 anos, quando ainda estava em atividade, viajando pela Califórnia. A causa foi uma queda acidental por uma escada, durante uma viagem ligada ao hobby dos carros, um evento de direção voltado à arrecadação de fundos para instituições de caridade infantis. Fiel ao próprio estilo, ela partiu na estrada, fazendo o que amava.
O destino do carro que a acompanhou por mais de seis décadas foi à altura da sua história. O Packard 740 Roadster de 1930 foi doado ao museu do Classic Car Club of America, onde passou a ser preservado como parte do legado de uma das mais famosas apaixonadas por automóveis dos Estados Unidos. Assim, a máquina que ela manteve impecável a vida inteira ganhou um lugar permanente entre os clássicos que ela tanto admirava.
Uma vida inteira ao volante do mesmo carro
Assista o vídeo
O que Margaret Dunning deixou não foi apenas um Packard 1930 impecável, e sim a imagem de uma mulher que dirigiu por mais de 90 anos e nunca deixou que a idade a afastasse do que amava. Aos 101, ela ainda trocava o óleo e as velas com as próprias mãos, provando que paixão por carro e independência não têm data de validade.
E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você teria disposição para manter e dirigir o mesmo carro por mais de 60 anos, cuidando de cada detalhe você mesmo, como fez Margaret, ou acha que hoje em dia ninguém mais cria esse tipo de vínculo com um automóvel? Comenta aqui embaixo se existe algum carro que você guardaria a vida inteira e por quê.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

