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Aos 14 anos ele era servente de pedreiro, abriu o primeiro escritório de engenharia dentro da casa dos pais, trabalhou até 18 horas por dia e transformou poucos recursos em uma construtora de 40 anos que já entregou mais de 1.200 apartamentos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/07/2026 às 17:32
Construção
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Trajetória iniciada ainda na adolescência reúne trabalho em canteiros, formação universitária, jornadas extensas e crescimento empresarial em Chapecó, atravessando cinco gerações ligadas à construção civil até chegar a uma companhia que informa ter entregado mais de 1.200 apartamentos no mercado imobiliário regional.
Ainda adolescente, Josias Antônio Mascarello entrou nos canteiros ao lado do pai, aprendeu serviços básicos de obra e avançou até a função de pedreiro, muito antes de conquistar formação universitária ou imaginar a criação de uma empresa própria.
Décadas depois, a construtora fundada por ele em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, completou 40 anos de atividade e informou ter ultrapassado 1.200 apartamentos entregues, resultado associado a uma trajetória iniciada com poucos recursos e equipe reduzida.
Segundo o histórico institucional da Construtora Catarinense, Mascarello começou a trabalhar aos 14 anos, durante o período posterior ao ano letivo, acompanhando as atividades conduzidas por seu pai, Aldo Ambrósio Mascarello, em obras realizadas na região.
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Nos canteiros, a experiência não ficou restrita aos serviços de apoio, porque o jovem passou da função de servente para a de pedreiro e começou a assumir pequenas construções e reformas por conta própria, mantendo o vínculo com o ofício familiar.
De servente de pedreiro à Engenharia Civil
Movido pelo objetivo de estudar Engenharia Civil, ele deixou Santa Catarina e seguiu para Porto Alegre, onde concluiu a graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul antes de retornar a Chapecó com formação técnica e experiência prática.
Ao voltar para a cidade, Mascarello instalou o primeiro escritório de engenharia junto à casa dos pais, espaço em que elaborava projetos arquitetônicos, estruturais, elétricos e hidrossanitários, reunindo diferentes etapas técnicas antes da criação da futura construtora.
Antes de abrir o próprio negócio, o engenheiro trabalhou aproximadamente dois anos na Soprana Empreendimentos e Construções, experiência profissional que antecedeu sua decisão de fundar uma empresa voltada inicialmente a diferentes tipos de obras em Chapecó e cidades próximas.
Construtora Catarinense começou com poucos recursos
Quando a Construtora Catarinense foi criada, em 1º de junho de 1986, a operação contava com seis colaboradores e uma secretária, enquanto os recursos financeiros limitados obrigavam o fundador a concentrar responsabilidades técnicas, administrativas e operacionais.
Na etapa inicial, Mascarello chegava a trabalhar até 18 horas por dia, sete dias por semana, segundo a companhia, acumulando funções de engenheiro civil, fiscal de obras, gestor financeiro, responsável por recursos humanos, administrador e representante institucional.
Além de acompanhar a execução dos projetos, ele precisava organizar pagamentos, contratar profissionais, negociar materiais, fiscalizar cronogramas e atender clientes, rotina que ampliava a carga diária e exigia decisões rápidas em praticamente todas as áreas da empresa.
Obras para agroindústrias impulsionaram a expansão
Por cerca de 15 anos, a expansão da construtora ocorreu principalmente por meio de obras destinadas a agroindústrias de Chapecó e da região, etapa anterior à concentração da companhia no desenvolvimento de edifícios residenciais e incorporações imobiliárias.
Entre as empresas atendidas estavam Sadia, Cooperativa Aurora e Cooperalfa, enquanto o portfólio daquele período reunia projetos industriais, comerciais e residenciais que ajudaram a fortalecer a estrutura técnica, organizacional e financeira necessária para uma mudança posterior de escala.
Esse ciclo permitiu que a operação acumulasse experiência em diferentes tipos de construção antes de avançar para o mercado imobiliário, movimento que ganhou força com a criação da Incorporações Chapecó, voltada a edifícios residenciais e salas comerciais.
Entrada no mercado imobiliário de Chapecó
A entrada nesse segmento começou por projetos menores, financiados com recursos próprios, até que a aquisição de um terreno de 3 mil metros quadrados em uma área valorizada do centro de Chapecó abriu espaço para uma expansão mais ambiciosa.
Uma virada de escala ocorreu no local, onde a construtora lançou um complexo com aproximadamente 14 mil metros quadrados, distribuído entre os residenciais América, Continental e Europa, empreendimento que consolidou sua presença em áreas nobres da cidade.
Erguido em três edifícios, o conjunto marcou a passagem para uma fase concentrada na construção e incorporação de empreendimentos residenciais, depois de anos em que a companhia havia distribuído sua atuação entre obras industriais, comerciais e habitacionais.
Sede própria ampliou a estrutura da empresa
Nas proximidades da Arena Condá, a empresa também inaugurou uma sede com cerca de 1.400 metros quadrados de área construída, reunindo atividades administrativas, técnicas e comerciais que antes funcionavam em uma estrutura significativamente menor.
Em contraste com o escritório instalado junto à residência dos pais, a sede própria representa a ampliação física de um negócio que começou de forma doméstica e passou a operar com departamentos especializados, projetos maiores e presença consolidada no mercado local.
Cinco gerações ligadas à construção civil
Com o avanço da companhia, a continuidade entre gerações ganhou espaço na estrutura societária, mantendo a família ligada às áreas técnicas, estratégicas e institucionais de uma empresa cuja origem está associada ao trabalho de pedreiros de gerações anteriores.
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, Conrado de Marco Mascarello, filho do fundador, ingressou no negócio com atuação voltada às incorporações e passou a representar a quinta geração da família ligada à construção civil.
Segundo o histórico empresarial, essa tradição remonta a antepassados italianos que já exerciam o ofício antes da instalação da família no Sul do Brasil, conexão usada pela companhia para explicar a permanência da atividade ao longo de diferentes gerações.
Mais tarde, Fabiana Mascarello Peruzzolo, filha de Josias e formada em Direito, também passou a integrar a gestão, ampliando a participação familiar em áreas administrativas e institucionais enquanto a empresa fortalecia sua atuação no mercado imobiliário de Chapecó.
Mais de 1.200 apartamentos entregues
Ao completar quatro décadas de atividade, a Construtora Catarinense informou ter superado a marca de 1.200 apartamentos entregues e atendido milhares de clientes, além de reunir no portfólio empreendimentos residenciais, obras comerciais e projetos executados para empresas.
Especializada em edifícios residenciais de alto padrão, a operação passou a concentrar lançamentos em diferentes áreas de Chapecó, incluindo projetos próprios e o complexo formado pelos edifícios América, Continental e Europa, apontado como marco de expansão.
A mudança de escala também alterou o papel exercido por Mascarello, que deixou de concentrar sozinho as rotinas financeiras, técnicas e administrativas à medida que os filhos ingressaram na gestão e novas áreas especializadas foram incorporadas à estrutura.
No início, quase todas as decisões passavam diretamente pelo fundador, desde a fiscalização das obras até o relacionamento com clientes, enquanto o crescimento posterior distribuiu responsabilidades e transformou uma equipe pequena em uma organização empresarial mais estruturada.
Hoje, a marca de mais de 1.200 apartamentos aparece ligada a uma trajetória que começou no trabalho como servente, passou pela formação em Engenharia Civil, ganhou forma em um escritório doméstico e avançou para uma construtora administrada por diferentes gerações.
Quantas empresas brasileiras de grande porte ainda preservam uma origem semelhante, marcada por trabalho operacional precoce, estrutura familiar reduzida e crescimento construído ao longo de décadas dentro do mesmo setor, da mesma cidade e entre diferentes gerações?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

