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Aos 24 anos, estudante de Engenharia transformou uma bicicleta comum, uma bomba elétrica jogada fora e pedaços de pneus numa máquina sem combustível capaz de mover 40 litros de água por minuto e empurrá-la a 26 metros de altura, ajudando agricultores a deixar de carregá-la morro acima

Aos 24 anos, estudante de Engenharia transformou uma bicicleta comum, uma bomba elétrica jogada fora e pedaços de pneus numa máquina sem combustível capaz de mover 40 litros de água por minuto e empurrá-la a 26 metros de altura, ajudando agricultores a deixar de carregá-la morro acima

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Aos 24 anos, estudante de Engenharia transformou uma bicicleta comum, uma bomba elétrica jogada fora e pedaços de pneus numa máquina sem combustível capaz de mover 40 litros de água por minuto e empurrá-la a 26 metros de altura, ajudando agricultores a deixar de carregá-la morro acima

Escrito por Ana Alice

Publicado em 25/07/2026 às 23:33

Curiosidades

Estudante transforma bicicleta e peças descartadas em bomba sem combustível que move até 40 litros de água por minuto na Guatemala. (Imagem: Reprodução)

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Uma ideia surgida em um trabalho universitário atravessou fronteiras ao mostrar como peças descartadas podem ganhar outra função, unindo engenharia simples, mobilidade e uma resposta prática para comunidades com acesso limitado à infraestrutura.

Uma bicicleta comum costuma transportar pessoas.

No projeto criado pelo então estudante de Engenharia Mecânica Jon Leary, porém, ela ganhou outra tarefa: empurrar água por mangueiras e levá-la até terrenos mais altos.

A máquina não dependia de gasolina, diesel, tomada ou bateria.

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Toda a energia necessária vinha das pernas de quem pedalava.

Leary tinha 24 anos quando o trabalho foi divulgado pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, em 28 de maio de 2010.

A ideia surgiu em uma atividade acadêmica que lhe pedia para “fazer algo útil com lixo”.

Em vez de montar um protótipo apenas para apresentação, ele combinou uma bicicleta, uma bomba centrífuga elétrica descartada, peças metálicas e tiras de borracha retiradas de pneus usados.

O resultado recebeu o nome de bicibomba movil, ou bomba móvel acionada por bicicleta.

Nos testes apresentados na época, o equipamento conseguiu deslocar 40 litros de água por minuto em terreno plano.

Quando a água precisava vencer uma elevação de 26 metros, a vazão registrada era de cinco litros por minuto.

O primeiro número equivale, em volume, a encher quatro baldes de 10 litros a cada minuto, dentro das condições usadas no ensaio.

Como a bicicleta passou a bombear água

O funcionamento começa com uma solução mecânica direta.

A bicicleta é encaixada em uma armação de metal ligada à região do eixo traseiro.

Quando chega a hora de bombear, a estrutura é virada para baixo e suspende a roda do chão, permitindo que o ciclista pedale sem sair do lugar.

A borracha do pneu traseiro encosta em uma peça giratória da antiga bomba elétrica.

Para melhorar a aderência e reduzir o risco de deslizamento, o ponto de contato também recebe borracha reaproveitada de outro pneu.

Dessa maneira, o giro da roda é transferido por atrito para a bomba, que passa a movimentar a água.

Não existe geração espontânea de energia no processo.

O sistema apenas troca a origem da força: em vez de usar eletricidade ou um motor a combustão, aproveita o movimento produzido pelo ciclista.

A roda gira, transmite rotação ao conjunto e aciona a parte hidráulica da bomba.

Essa escolha permitia reaproveitar equipamentos cujo motor elétrico já não estava em condições de uso.

A parte responsável pelo bombeamento poderia continuar aproveitável, desde que recebesse movimento de outra fonte.

No projeto de Leary, a bicicleta assumia exatamente essa função.

A bomba móvel que continuava funcionando como bicicleta

O aspecto que diferenciava a criação de modelos estacionários era a mobilidade.

Depois do uso, a armação podia ser levantada e apoiada acima da roda traseira, em uma posição semelhante à de um bagageiro.

Com isso, a mesma bicicleta voltava a circular e transportava o próprio sistema de bombeamento.

Leary explicou que a inspiração veio dos bagageiros instalados em bicicletas de viagem.

Enquanto desenhava alternativas para manter a roda traseira suspensa, percebeu que o suporte poderia cumprir duas tarefas: sustentar a bicicleta durante o bombeamento e, quando virado, ficar acomodado sobre a roda durante o deslocamento.

A primeira versão foi desenvolvida no Reino Unido e aprimorada durante uma temporada de quatro meses na Guatemala.

Nesse período, o estudante trabalhou com a organização Maya Pedal, que transformava bicicletas descartadas em máquinas acionadas pela força humana.

A entidade recebia bicicletas usadas enviadas dos Estados Unidos e do Canadá.

As peças eram reaproveitadas na construção de equipamentos como lavadoras, moinhos de milho, geradores e bombas fixas destinadas à retirada de água de poços.

A bomba móvel procurava atender a outro tipo de necessidade.

Em terrenos inclinados, retirar água de um poço não encerrava o trabalho, pois ainda era preciso transportá-la até as partes mais altas da propriedade.

Carregar recipientes morro acima exigia deslocamentos repetidos, enquanto uma bomba elétrica dependeria de uma fonte de energia disponível no local.

Reservatórios intermediários ajudavam a levar água morro acima

A bicibomba foi planejada para trabalhar em etapas.

O usuário podia enviar a água da parte baixa do terreno até um reservatório colocado no meio do caminho.

Em seguida, recolhia a armação, pedalava até esse tanque e instalava novamente o equipamento para bombear o conteúdo até o ponto seguinte.

Isso não significava que uma única operação lançaria água por uma distância ilimitada.

Na prática, os reservatórios intermediários dividiam a subida em trechos menores.

Cada etapa começava perto de um volume de água já armazenado e terminava em outro tanque, de onde o processo poderia ser repetido.

A vazão de 40 litros por minuto foi obtida em terreno plano.

Já o resultado de cinco litros por minuto correspondia ao teste com uma elevação de 26 metros.

A diferença entre os números está ligada ao trabalho necessário para elevar a água, que aumenta conforme cresce o desnível entre o ponto de captação e o destino.

A construção usava materiais encontrados em oficinas, entre eles cantoneiras, barras planas de metal, canos de selim, peças de quadros de bicicleta e uma bomba centrífuga descartada.

O processo exigia ferramentas adequadas para cortar, ajustar e soldar as partes, além de cuidados para que a estrutura suportasse o peso e a rotação da roda.

Embora empregasse peças simples, o equipamento não era apenas uma bicicleta ligada de qualquer forma a uma mangueira.

O encaixe precisava manter a roda suspensa, garantir contato com o eixo da bomba e permitir que a armação fosse recolhida sem impedir o uso normal da bicicleta.

Manual aberto permitiu reproduzir a bicibomba

Até maio de 2010, a Maya Pedal havia construído ao menos outras seis unidades após a passagem de Leary pela Guatemala, segundo a divulgação feita pela Universidade de Sheffield.

O estudante também preparou um manual de construção, disponibilizado pela organização com orientações, desenhos e uma relação de materiais necessários.

As instruções não exigiam que todas as máquinas fossem idênticas.

Como peças reaproveitadas podem apresentar tamanhos, formatos e condições diferentes, o documento funcionava como um guia para adaptações.

Oficinas interessadas no projeto precisariam ajustar medidas e encaixes de acordo com os componentes encontrados.

A distribuição aberta do manual também reduzia a dependência de um fabricante específico.

Segundo Leary, a intenção era permitir que outras pessoas tentassem construir o equipamento e ampliar o acesso às tecnologias desenvolvidas pela Maya Pedal.

Em 2015, o engenheiro escreveu que a bomba movida a pedal havia sido desenvolvida e adaptada por estudantes em parceria com a organização Butterfly Space para atender necessidades de comunidades rurais no Malawi.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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