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Aos 35 anos, italiana Francesca Antoniazzi combina vidro aquecido, latão e técnicas aprendidas ao longo de anos para produzir joias artesanais que não podem ser repetidas
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 28/07/2026 às 16:06
Curiosidades
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Joias artesanais de vidro criadas por Francesca Antoniazzi deram origem à Vitrium Veritas, marca italiana que aposta em peças únicas, produção manual e expansão digital.
Em uma oficina instalada em Bolzano, no norte da Itália, Francesca Antoniazzi combina vidro aquecido, latão e técnicas aprendidas ao longo de anos para produzir peças que não podem ser repetidas de maneira idêntica. Aos 35 anos, a artista conduz a Vitrium Veritas, marca de joias artesanais de vidro construída gradualmente enquanto ela ainda dependia de outros trabalhos para manter a renda.
A trajetória foi relatada por Francesca em entrevista ao jornal italiano il Dolomiti, que apresentou os caminhos percorridos desde a formação artística até os planos de crescimento do ateliê. O negócio nasceu sem uma transição imediata ou um investimento capaz de garantir dedicação exclusiva, avançando por meio de cursos, estágios, testes com materiais e participação em feiras.
Joias artesanais de vidro sustentam proposta baseada em exclusividade
A Vitrium Veritas trabalha com uma característica que limita a padronização, mas reforça o valor autoral: cada peça reage de maneira diferente durante o aquecimento e a modelagem. Mesmo quando Francesca parte de uma ideia semelhante, pequenas mudanças na temperatura, no tempo de trabalho e no comportamento do material alteram o resultado.
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Essa imprevisibilidade impede que o ateliê funcione como uma linha convencional de acessórios. Em vez de buscar cópias exatas, a artista utiliza as diferenças como parte da identidade comercial da marca, oferecendo produtos que mantêm traços próprios.
O nome Vitrium Veritas, traduzido como “A Verdade do Vidro”, resume essa relação com a matéria-prima. A proposta não é esconder variações ou imperfeições, mas incorporá-las a um processo em que a execução manual permanece visível.
Expansão das joias artesanais de vidro passará pelo ambiente digital
Entre os próximos passos está a criação de um site próprio, iniciativa considerada importante para ampliar o público sem depender apenas de eventos presenciais. Francesca também pretende melhorar a apresentação digital das peças, embora reconheça que fotografar individualmente uma produção formada por itens únicos exige tempo.
Os planos de crescimento incluem ainda a participação em encontros maiores dedicados à joalheria autoral. A empreendedora busca alcançar novos consumidores, mas não pretende transformar a expansão em uma produção repetitiva capaz de eliminar o caráter artesanal.
As prioridades anunciadas para a próxima fase são:
- lançar uma plataforma própria de vendas;
- desenvolver novas habilidades de comunicação digital;
- profissionalizar a apresentação das coleções;
- participar de eventos mais relevantes do setor;
- ampliar o público sem padronizar as criações;
- preservar a fabricação manual de cada unidade.
Pandemia interrompeu principal canal de comercialização
Antes de estruturar uma presença digital mais ampla, Francesca dependia fortemente das feiras para apresentar e vender seus trabalhos. A suspensão desses eventos durante a pandemia de Covid-19 atingiu diretamente a atividade e criou um dos períodos mais difíceis enfrentados pela marca.
A crise evidenciou a vulnerabilidade de negócios artesanais concentrados em canais físicos. Sem encontros presenciais, a artista perdeu espaços de contato com consumidores justamente quando ainda não possuía uma estrutura online consolidada.
A experiência também influenciou os planos atuais de diversificação. A futura loja virtual deverá funcionar como uma alternativa permanente, permitindo que as joias artesanais de vidro alcancem compradores mesmo fora do calendário de feiras.
Negócio cresceu enquanto artista trabalhava em bares
A dedicação exclusiva ao ateliê não aconteceu logo depois da formação. Durante anos, Francesca dividiu a produção com empregos como bartender e garçonete, utilizando essas atividades para sustentar a rotina enquanto desenvolvia sua técnica.
Essa fase permitiu que o negócio amadurecesse sem a obrigação imediata de gerar toda a renda necessária. Ao mesmo tempo, prolongou o caminho até a profissionalização, porque o tempo disponível para criação precisava ser dividido com outras jornadas.
O caso mostra uma trajetória comum em atividades criativas, nas quais o reconhecimento comercial costuma surgir depois de um período extenso de experimentação. A marca foi sendo construída enquanto a artista testava materiais, formatos e possibilidades de venda.
Joias artesanais de vidro exigem atenção ao tempo do material
Francesca descreve o vidro como uma matéria-prima que participa ativamente do processo de criação. Quando aquecido, ele pode ser moldado de diferentes formas, mas exige que o artesão reconheça o momento adequado para cada movimento.
Ignorar essa resposta pode causar rompimentos ou impedir que a peça alcance a forma pretendida. Por isso, a produção depende tanto do domínio das ferramentas quanto da capacidade de observar mudanças de consistência, temperatura e resistência.
O estado emocional também interfere no trabalho, segundo a artista. Como o contato com o material é direto e exige concentração, diferentes momentos pessoais podem alterar decisões tomadas durante a fabricação.
Formação reuniu técnicas de vidro e metal
O aprendizado começou em um curso chamado Vetroricerca, programa de formação artística que já não existe. Durante dois anos, Francesca teve contato com métodos variados de transformação do vidro e de integração com outros materiais.
Entre as técnicas estudadas estavam:
- termoformagem;
- manipulação de chapas metálicas;
- técnica Tiffany;
- produção de vitrais artísticos;
- modelagem com maçarico;
- combinação de vidro com elementos metálicos.
Depois dessa etapa, ela seguiu para Veneza, onde realizou um estágio voltado ao trabalho com chama. O aprofundamento no uso do maçarico se tornaria essencial para a linguagem que mais tarde adotaria na Vitrium Veritas.
Primeiro maçarico foi presente do pai
A entrada definitiva nessa técnica recebeu um impulso familiar. O pai de Francesca presenteou a filha com seu primeiro maçarico, oferecendo a ferramenta que permitiria continuar praticando fora do ambiente de formação.
O gesto teve importância técnica e emocional, pois forneceu condições para que a artista desenvolvesse autonomia. A partir dali, ela pôde repetir exercícios, criar novas formas e compreender melhor as reações do vidro aquecido.
O domínio não surgiu de uma fórmula fixa. Francesca precisou aprender a reconhecer o ponto em que o material poderia ser dobrado, unido ou resfriado sem perder a estrutura.
Descoberta do vidro ocorreu durante período de luto
O primeiro contato com esse universo aconteceu depois da conclusão do Ensino Médio artístico, em uma fase marcada pela morte da mãe. Uma amiga próxima da família encontrou o curso Vetroricerca e incentivou Francesca a participar do processo seletivo.
Ao entrar no local pela primeira vez, a jovem encontrou uma parede coberta por grânulos coloridos. A experiência despertou uma curiosidade que, com o passar dos anos, se transformaria em escolha profissional.
O curso não eliminou a dor daquele período, mas ofereceu uma nova direção. A atividade que começou como descoberta inesperada acabou conduzindo à criação de uma marca própria.
Vidro não é tratado apenas como material frágil
Uma das ideias que Francesca procura desfazer é a associação exclusiva entre vidro e fragilidade. Embora possa quebrar quando trabalhado ou manuseado de maneira inadequada, o material também possui resistência e permite aplicações variadas.
Essa combinação entre delicadeza e força aparece nas peças produzidas no ateliê. A artista utiliza o latão para complementar formas, criar estruturas e ampliar as possibilidades visuais das coleções.
O resultado final reúne materiais com características distintas, mas conectados por um processo manual. Cada joia carrega decisões tomadas durante o aquecimento, a modelagem e o acabamento.
Joias artesanais de vidro transformaram aprendizado em profissão
A Vitrium Veritas não surgiu de um plano empresarial pronto, mas da soma de formação artística, trabalho paralelo, apoio familiar e amadurecimento técnico. O negócio avançou em etapas, sem abandonar a característica que diferencia seus produtos: a impossibilidade de reproduzir duas unidades absolutamente iguais.
Agora, Francesca pretende aumentar a visibilidade da marca, profissionalizar seus canais digitais e chegar a eventos maiores, preservando o contato direto com a criação. O desafio será ampliar vendas sem transformar o ateliê em uma produção padronizada.
Ao converter uma descoberta feita durante um período difícil em atividade profissional, a artista construiu uma empresa baseada em identidade e exclusividade. As joias artesanais de vidro da Vitrium Veritas representam não apenas uma fonte de renda, mas o resultado de uma trajetória moldada lentamente por técnica, persistência e transformação pessoal.
Com informações do Diário do Litoral
Fonte
Diário do Litoral
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

