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Aos 51 anos, ele venceu o medo de não conseguir aprender, concluiu o ensino médio pela EJA, fez o Enem e entrou em Engenharia Civil na Universidade Federal de Alagoas; conheça Lucas dos Santos, um homem que precisou abandonar a escola na infância para trabalhar na roça com o pai e os irmãos para ajudar a família

Aos 51 anos, ele venceu o medo de não conseguir aprender, concluiu o ensino médio pela EJA, fez o Enem e entrou em Engenharia Civil na Universidade Federal de Alagoas; conheça Lucas dos Santos, um homem que precisou abandonar a escola na infância para trabalhar na roça com o pai e os irmãos para ajudar a família

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Aos 51 anos, ele venceu o medo de não conseguir aprender, concluiu o ensino médio pela EJA, fez o Enem e entrou em Engenharia Civil na Universidade Federal de Alagoas; conheça Lucas dos Santos, um homem que precisou abandonar a escola na infância para trabalhar na roça com o pai e os irmãos para ajudar a família

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 30/07/2026 às 17:12

Curiosidades

Lucas retomou os estudos após 30 anos, concluiu o ensino médio pela EJA e conquistou uma vaga em Engenharia Civil na Ufal aos 51 anos. Fonte: Ascom Seduc.

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Lucas retomou os estudos após 30 anos, concluiu o ensino médio pela EJA e conquistou uma vaga em Engenharia Civil na Ufal aos 51 anos.

Aos 51 anos, Lucas dos Santos Santana conquistou uma vaga em Engenharia Civil na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no Campus Sertão, depois de permanecer três décadas longe da escola. O trabalhador rural concluiu o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), participou do Enem com apoio de professores da Escola Estadual de Pariconha e alcançou o objetivo profissional que mantinha desde a infância.

A aprovação encerrou uma etapa marcada por insegurança e abriu outra que Lucas acreditava não ser mais possível. Antes de retornar à sala de aula, ele havia trabalhado na roça e no corte de cana-de-açúcar para ajudar no sustento da família. A necessidade de trabalhar o afastou dos estudos ainda quando era menino.

Ao receber o resultado, o novo universitário reagiu com surpresa, alegria e orgulho. Para ele, entrar na graduação representa a confirmação de que ainda era capaz de aprender e avançar academicamente. “É o início da realização de um sonho”, resumiu.

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Inscrição no Enem abriu o caminho de Lucas até a universidade

A aprovação de Lucas começou a ser construída antes da realização da prova. Na Escola Estadual de Pariconha, os estudantes da EJA eram incentivados a participar do Exame Nacional do Ensino Médio como uma possibilidade de continuar a formação.

O professor Sósthenes apoiou o trabalhador durante o processo de inscrição. Com esse auxílio, Lucas decidiu enfrentar uma etapa que poderia aproximá-lo do curso de Engenharia Civil, apesar dos anos vividos fora do ambiente escolar.

A decisão exigiu que ele superasse dúvidas sobre a própria capacidade. Durante muito tempo, o futuro estudante universitário acreditou que não conseguiria compreender os conteúdos ou acompanhar os colegas em sala de aula.

Esses pensamentos fizeram com que a retomada parecesse cada vez mais distante. As responsabilidades da vida adulta e a rotina de trabalho reforçavam a sensação de que o período adequado para estudar havia terminado.

Mesmo assim, o sonho de se tornar engenheiro civil permaneceu presente. Quando surgiu a possibilidade de participar do Enem, Lucas já havia reconstruído parte da confiança por meio da EJA e do apoio encontrado entre professores e amigos.

O resultado mostrou que o tempo afastado da escola não impediu a conquista da vaga. Para o alagoano, a aprovação significou alcançar aquilo que desejava desde criança e comprovar que suas dificuldades não determinavam o limite de sua trajetória.

Medo de não aprender quase impediu o retorno

Antes da matrícula na Educação de Jovens e Adultos, o principal obstáculo não estava apenas na falta de tempo. Lucas também temia não conseguir voltar a aprender depois de tantos anos concentrado no trabalho.

Ele imaginava que o ritmo dos demais alunos seria rápido demais e que os conteúdos apresentados pelos professores estariam fora de seu alcance. A insegurança se somava à ideia de que a oportunidade de frequentar uma escola já havia ficado no passado.

A experiência na EJA modificou essa percepção. Ao avançar nas atividades, Lucas percebeu que poderia recuperar conhecimentos, concluir o ensino médio e planejar uma etapa que antes parecia impossível: disputar uma vaga no ensino superior.

Lucas retomou os estudos após 30 anos, concluiu o ensino médio pela EJA e conquistou uma vaga em Engenharia Civil na Ufal aos 51 anos. Fonte: Ascom Seduc.

Depois da aprovação, ele transformou a própria insegurança em conselho para outras pessoas. “Não tenham medo”, afirmou ao defender que pensamentos positivos podem ajudar a enfrentar os receios que impedem alguém de progredir.

Na avaliação do novo universitário, muitas barreiras são fortalecidas dentro da própria mente. Por isso, ele incentiva quem interrompeu os estudos a não considerar a idade ou o tempo de afastamento como impedimentos definitivos.

A mensagem de Lucas parte de uma experiência concreta. Ele não retornou à escola imediatamente depois de deixá-la, mas somente após cerca de 30 anos, quando já acumulava uma longa trajetória de trabalho e responsabilidades familiares.

Convite de professora levou Lucas de volta à escola

O recomeço ganhou forma depois de um convite da professora de Língua Portuguesa Jéssica Barreto. Ela apresentou a Lucas o programa Vem Que Dá Tempo, criado para alcançar pessoas que haviam interrompido sua formação escolar.

A participação nessa iniciativa representou o primeiro movimento de retorno. Depois da aprovação no programa, professores e amigos da Escola Estadual de Pariconha passaram a incentivá-lo a continuar pela modalidade EJA Modular.

O apoio coletivo foi importante para que a volta não se limitasse a uma tentativa isolada. Lucas encontrou na escola uma equipe que acompanhou sua adaptação e o ajudou a percorrer as diferentes áreas necessárias para concluir o ensino médio.

Durante a EJA Modular, os estudos foram organizados nas seguintes áreas, apresentadas em ordem alfabética:

A passagem por esses componentes permitiu que o estudante recuperasse o vínculo com a aprendizagem. Cada etapa concluída diminuía a distância entre sua realidade e o antigo desejo de ingressar em Engenharia Civil.

O ambiente escolar também ofereceu estímulo para que Lucas enxergasse o ensino médio como ponto de partida, e não como encerramento. Foi nesse contexto que surgiu a inscrição no Enem e, posteriormente, a possibilidade de chegar à Ufal.

Trabalho no campo interrompeu os estudos na infância

Décadas antes da aprovação, a rotina de Lucas era determinada pelas necessidades da família. Ainda menino, ele deixou a escola para trabalhar na roça ao lado do pai e dos irmãos.

O dinheiro obtido com o trabalho era destinado a despesas básicas. Em determinado período, ele acompanhou um tio até uma usina, onde passou a cortar cana-de-açúcar para comprar roupas e calçados para si e para os irmãos, além de contribuir com os gastos da mãe.

Naquela fase, Lucas não teve a oportunidade de manter o trabalho e os cadernos na mesma rotina. A sobrevivência familiar exigia esforço imediato, fazendo com que a formação escolar fosse interrompida.

Ele recorda esse período com tristeza, principalmente pelas limitações provocadas pela falta de alfabetização. Enquanto os anos passavam, o retorno parecia mais difícil, e a vida profissional continuava ocupando o espaço que poderia ser dedicado aos estudos.

Ainda assim, o desejo de trabalhar como engenheiro civil não desapareceu. O objetivo permaneceu guardado enquanto ele enfrentava jornadas na agricultura e no corte de cana.

A conquista na Ufal dá um novo significado a essa trajetória. O menino que precisou trocar a escola pela lavoura agora inicia a preparação para estudar a área profissional que admirava desde a infância.

Escola celebra conquista como inspiração para outros alunos

A aprovação de Lucas também foi comemorada pela equipe gestora da Escola Estadual de Pariconha. A gestora-geral Bianca Pereira o descreveu como um aluno alegre, dedicado e disposto a compartilhar seus planos com professores e integrantes da equipe pedagógica.

Segundo Bianca, a notícia da vaga na Ufal trouxe felicidade à escola. Para a gestora, a trajetória mostra que o tempo transcorrido não elimina a possibilidade de retomar um objetivo.

José Hilton Figueiredo também destacou o efeito da conquista sobre outros estudantes. O gestor considera que uma aprovação como essa pode incentivar pessoas que ainda associam a realização de um sonho a uma idade determinada.

Lucas retomou os estudos após 30 anos, concluiu o ensino médio pela EJA e conquistou uma vaga em Engenharia Civil na Ufal aos 51 anos. Fonte: Ascom Seduc.

O percurso até a universidade não apagou as dificuldades enfrentadas, mas mostrou como diferentes apoios contribuíram para alterar seu rumo. O convite de Jéssica Barreto iniciou o retorno, os professores acompanharam a formação na EJA, Sósthenes ajudou na inscrição para o Enem e a equipe escolar manteve o incentivo.

Agora, a vaga em Engenharia Civil representa o começo de uma nova fase. Depois de trabalhar desde a infância, passar 30 anos distante da escola e concluir o ensino médio aos 51 anos, Lucas chega à Universidade Federal de Alagoas como exemplo de que um projeto interrompido ainda pode ser retomado.

Fonte: Tribuna Hoje

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Tribuna Hoje


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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