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Aos 7 anos ele ajudava o pai pedreiro, cresceu sonhando em ser chefe, abriu com um amigo uma modesta loja de materiais e transformou o aluguel de máquinas de obra em uma rede de 800 unidades que faturou R$ 940 milhões em um ano

Aos 7 anos ele ajudava o pai pedreiro, cresceu sonhando em ser chefe, abriu com um amigo uma modesta loja de materiais e transformou o aluguel de máquinas de obra em uma rede de 800 unidades que faturou R$ 940 milhões em um ano

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Aos 7 anos ele ajudava o pai pedreiro, cresceu sonhando em ser chefe, abriu com um amigo uma modesta loja de materiais e transformou o aluguel de máquinas de obra em uma rede de 800 unidades que faturou R$ 940 milhões em um ano

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 31/07/2026 às 15:33

Curiosidades

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Trajetória iniciada nos canteiros de obra reúne infância difícil, formação em engenharia, tentativas frustradas e a criação de um modelo de locação que ganhou escala nacional, avançou para outros países e transformou equipamentos temporários em um negócio de grande porte.

Expedito Eloel Arena começou a acompanhar o pai pedreiro ainda na infância e, anos depois, ao lado de Altino Cristofoletti Júnior, transformou uma pequena operação de materiais e máquinas na Casa do Construtor, rede com 800 unidades e faturamento de R$ 940 milhões em 2024.

A ligação com a construção civil surgiu aos 7 anos, quando ele passou a frequentar canteiros para auxiliar o pai, que tinha visão bastante limitada e precisava do filho por perto enquanto realizava serviços usados para sustentar a família.

Em meio a ferramentas, materiais e tarefas executadas manualmente, Arena desenvolveu familiaridade com a rotina das obras e passou a enxergar na engenharia um caminho profissional, embora desde cedo também demonstrasse interesse por liderança e pela criação de um negócio próprio.

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Da infância nos canteiros à formação em engenharia

Foi em Rio Claro, no interior de São Paulo, que a trajetória de Arena se encontrou com a de Altino Cristofoletti Júnior, conhecido ainda na juventude em uma comunidade religiosa onde ambos compartilhavam o desejo de cursar engenharia.

Sem recursos sobrando para a formação, Arena concluiu um curso técnico, conseguiu emprego e destinou parte da renda ao pagamento da faculdade, ao mesmo tempo que realizava serviços adicionais para complementar o orçamento e manter os estudos.

Cristofoletti seguiu percurso semelhante até concluir a graduação em engenharia civil, e a amizade construída antes da vida empresarial ganhou consistência suficiente para sustentar, mais tarde, uma sociedade marcada por decisões conjuntas e objetivos de longo prazo.

Mesmo com o diploma, as oportunidades não surgiram imediatamente, obrigando os dois recém-formados a aceitar trabalhos variados e testar diferentes formas de renda antes de encontrarem um modelo consistente, capaz de crescer de maneira estruturada.

Entre essas experiências, Arena chegou a circular de motocicleta com uma caixa de ferramentas, atendendo pequenos reparos e serviços conhecidos como marido de aluguel, enquanto buscava espaço em um mercado que oferecia poucas vagas para engenheiros no início da carreira.

Expedito Arena e Altino Cristofoletti aparecem ao lado de uma betoneira da Casa do Construtor, rede de aluguel de equipamentos no Brasil. (Imagem: Divulgação/Casa do Construtor via O Globo)

Antes de unirem esforços, ambos mantiveram empreiteiras próprias, mas as iniciativas não avançaram como esperavam, até que o contato de Cristofoletti com o sistema de franquias abriu uma possibilidade empresarial diferente para a dupla naquele momento.

Aluguel de máquinas revelou uma oportunidade

Em vez de concentrar a operação apenas na venda de materiais, os sócios perceberam que pessoas e pequenas empresas precisavam usar máquinas por poucos dias, sem assumir o custo de comprar equipamentos que permaneceriam parados depois da obra.

Betoneiras, andaimes, compactadores e ferramentas elétricas podiam ser indispensáveis em determinadas etapas, porém se tornavam despesas pouco eficientes quando o uso era pontual, o que ajudou a consolidar a proposta de oferecer acesso temporário a esses itens.

A primeira unidade da Casa do Construtor surgiu em Rio Claro, onde Arena e Cristofoletti abriram uma loja modesta e começaram a organizar o aluguel de equipamentos, enfrentando limitações de capital, manutenção constante e necessidade de ampliar o estoque.

Parte dos recursos iniciais veio de empréstimos feitos por familiares, enquanto os valores recebidos com as locações eram reinvestidos na compra de novas máquinas, permitindo que o catálogo crescesse de forma gradual e acompanhasse a procura dos clientes.

Cada equipamento precisava gerar receita suficiente para financiar a expansão seguinte, criando uma lógica contínua de reinvestimento que sustentou o crescimento inicial e reduziu a dependência de aportes externos ao longo da consolidação da empresa.

Um episódio daquele período mostra o peso de cada aquisição: Arena comprou um martelo profissional cujo preço se aproximava do valor de seu Fusca e, temendo perder a ferramenta, levava o equipamento para casa após o expediente.

Clientes precisaram entender o novo modelo

Como a locação por períodos curtos ainda não fazia parte do hábito de muitos consumidores, os fundadores precisaram explicar que alugar poderia reduzir o desembolso e evitar gastos com armazenamento, manutenção ou compra de equipamentos destinados a um único serviço.

Ao demonstrar essa vantagem prática, a empresa passou a atrair profissionais, responsáveis por reformas residenciais e pequenos negócios, criando uma base de clientes interessada em usar máquinas adequadas sem assumir os custos permanentes da propriedade.

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A franquia começou a ganhar forma depois que a operação inicial alcançou maior estabilidade, momento em que os sócios organizaram processos internos, padronizaram rotinas de trabalho e aprofundaram conhecimentos sobre logística, contabilidade, manutenção e atendimento.

Com métodos mais definidos, o modelo avançou além de Rio Claro e chegou a cidades onde pequenas reformas, obras residenciais e serviços profissionais garantiam demanda regular, permitindo que novos operadores reproduzissem a proposta em diferentes mercados.

Casa do Construtor chegou a 800 unidades

O marco da 800ª unidade foi alcançado com a inauguração de uma loja em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, consolidando uma expansão que levou a marca de uma operação local para uma rede distribuída por várias regiões.

Segundo dados da própria empresa publicados pelo InfoMoney, a Casa do Construtor realizou em média 150 mil locações mensais, registrou tíquete médio de R$ 312 e encerrou 2024 com faturamento anual de R$ 940 milhões.

A estrutura reunia 55 lojas próprias ligadas aos fundadores e mais de 740 franquias, enquanto o portfólio já ultrapassava os equipamentos tradicionais da construção civil para incluir máquinas usadas em jardinagem, limpeza pesada e outros serviços.

Fora do Brasil, a rede também passou a operar no Paraguai, no Uruguai e na Argentina, ampliando internacionalmente o alcance de um modelo baseado em locação, manutenção, transporte e disponibilidade contínua de milhares de equipamentos.

A estratégia de crescimento priorizou cidades pequenas e médias, especialmente municípios com população entre 40 mil e 150 mil habitantes, onde a empresa identificou espaço para operações padronizadas e menor presença de concorrentes com estrutura semelhante.

Ainda conforme os números apresentados ao InfoMoney, as lojas trabalhavam com margens brutas médias entre 35% e 40%, enquanto a rede estimava gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos em toda a sua operação.

Ao longo dessa expansão, Arena permaneceu ligado ao negócio construído com Cristofoletti e manteve no centro da empresa uma atividade conhecida desde a infância: o uso de ferramentas e máquinas que fazem obras e reformas avançarem.

O menino que ajudava o pai pedreiro passou a administrar uma rede apoiada justamente nos equipamentos que movimentam canteiros, enquanto a empresa transformou uma necessidade temporária de seus clientes em uma operação empresarial de grande escala.

Ao substituir a compra pelo acesso temporário, a Casa do Construtor aproximou máquinas de alto custo de quem precisa utilizá-las por períodos limitados, levantando uma questão capaz de estimular novos negócios: quantas oportunidades semelhantes ainda estão escondidas em problemas cotidianos?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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