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Aos 82 anos, Laurinha transforma a leitura em companhia contra a ansiedade e encanta milhares de pessoas com vídeos gravados pelo neto

Aos 82 anos, Laurinha transforma a leitura em companhia contra a ansiedade e encanta milhares de pessoas com vídeos gravados pelo neto

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5 min de leitura

Aos 82 anos, Laurinha transforma a leitura em companhia contra a ansiedade e encanta milhares de pessoas com vídeos gravados pelo neto

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 31/07/2026 às 10:09

Curiosidades

Laurinha, de 82 anos, encontrou nos livros uma forma de enfrentar a ansiedade e hoje conquista a internet com suas resenhas literárias. Fonte: Redes sociais.

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Laurinha, de 82 anos, encontrou nos livros uma forma de enfrentar a ansiedade e hoje conquista a internet com suas resenhas literárias.

Aos 82 anos, Maria Laura da Silva, conhecida como Laurinha, encontrou nos livros uma nova forma de ocupar os dias, controlar a ansiedade e se sentir acompanhada. Moradora de Paracuru, na Região Metropolitana de Fortaleza, ela retomou o hábito de ler em 2023 e passou a compartilhar resenhas nas redes sociais em vídeos gravados pelo neto, o professor Dioh Neto, de 36 anos, alcançando mais de 100 mil curtidas em apenas uma plataforma.

A mudança começou depois do período mais severo da pandemia, quando o isolamento provocado pela Covid-19 afetou o estado emocional da idosa. Ao perceber o aumento da ansiedade, Dioh passou a comprar livros para a avó, que rapidamente incorporou a leitura à rotina e hoje consegue terminar uma obra em dois ou três dias.

Laurinha encontrou nos livros uma nova rotina

Em outubro de 2025, Laurinha leu oito livros, um ritmo que surpreendeu a própria família e os seguidores que acompanham seus comentários. Ela não estabelece restrições de gênero, autor ou estilo literário e costuma aceitar praticamente qualquer obra que chega às suas mãos.

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Ao conversar com o Diário do Nordeste, Laurinha resumiu a relação com os livros ao dizer que lê “o que cair na rede”. Para ela, a leitura ganhou importância porque diminui a sensação de solidão e transforma as horas livres em momentos de descoberta, curiosidade e envolvimento com novas histórias.

A retomada do hábito trouxe mudanças que podem ser observadas em diferentes áreas de sua vida:

O interesse do público cresceu à medida que as resenhas passaram a mostrar reações espontâneas, comentários bem-humorados e opiniões diretas. Em uma das publicações mais assistidas, Laurinha falou sobre A Empregada, livro de Freida McFadden que também ganhou adaptação para o cinema, e demonstrou curiosidade para descobrir o motivo do comportamento de uma das personagens.

Vídeos de Laurinha despertam identificação nas redes sociais

A naturalidade da leitora tornou-se o principal atrativo do conteúdo produzido com o neto. Em vez de análises técnicas, os vídeos registram suas impressões sinceras sobre enredos e personagens, criando uma relação de proximidade com pessoas que também retomaram a leitura depois de muitos anos.

Laurinha, de 82 anos, encontrou nos livros uma forma de enfrentar a ansiedade e hoje conquista a internet com suas resenhas literárias. Foto: Redes Sociais

Os comentários deixados nas publicações mostram que parte do público se reconhece na trajetória da idosa. Há seguidores que recordam a alfabetização feita com cartilhas, os primeiros lápis recebidos na infância e as dificuldades enfrentadas por gerações que precisaram abandonar a escola ou reduzir o contato com os livros para trabalhar.

No caso de Laurinha, o gosto pelas histórias existia desde cedo, mas não encontrou espaço para crescer naquela fase da vida. O pai ensinava o alfabeto em casa, contava histórias e procurava incentivar os filhos, enquanto um lápis recebido de presente se tornou uma das lembranças mais marcantes de sua infância.

Trabalho afastou Laurinha da leitura durante décadas

Nascida em Lagoinha, distrito de Paraipaba, Laurinha mudou-se para Paracuru em 1950. A necessidade de sobreviver fez com que começasse a trabalhar muito jovem, primeiro como lavadeira e engomadeira e, posteriormente, em casas de família, onde exerceu atividades domésticas.

A leitura acabou ficando em segundo plano enquanto ela assumia responsabilidades que ocupavam praticamente todo o tempo. Laurinha tornou-se mãe de três filhos e precisou conciliar a criação da família com jornadas de trabalho prolongadas, sem a tranquilidade necessária para construir uma rotina de estudos.

A costura surgiu como outra alternativa de renda. Seu pai comprou uma pequena máquina, mas grande parte das peças ainda era feita manualmente, pois o equipamento realizava apenas alguns pontos. Depois do casamento e do nascimento dos filhos, Laurinha foi deixada pelo marido e precisou reorganizar a vida para garantir o sustento da casa.

Laurinha criou os filhos com o dinheiro da costura

A busca por trabalho levou a cearense até Fortaleza, onde conseguiu comprar uma máquina e ampliar a atividade. Durante anos, ela produziu roupas para moradores de Paracuru e ficou conhecida pelo serviço prestado na cidade, usando a costura como principal instrumento para manter a família.

O esforço repetitivo, no entanto, trouxe dores e limitações físicas. Laurinha precisou interromper os trabalhos feitos para clientes, embora tenha continuado a costurar ocasionalmente para parentes. A redução da atividade abriu espaço para uma rotina menos acelerada, mas os livros ainda não ocupavam uma posição central em seus dias.

Hoje, a antiga costureira é avó de quatro netos e bisavó de cinco bisnetos. A história familiar, o trabalho iniciado na juventude e as responsabilidades assumidas por décadas ajudam a explicar por que a leitura somente ganhou força plena quando ela já havia ultrapassado os 80 anos.

Laurinha, de 82 anos, encontrou nos livros uma forma de enfrentar a ansiedade e hoje conquista a internet com suas resenhas literárias. Fonte: Redes sociais.

Laurinha mostra que hábito pode começar em qualquer idade

Mesmo afirmando que lia com dificuldade, Laurinha nunca perdeu totalmente o interesse pelas palavras. Com a prática diária, passou a brincar que agora está “craque”, reconhecendo a própria evolução desde que os livros começaram a chegar com maior frequência à sua casa.

O neto teve papel decisivo nessa transformação. Além de incentivar a leitura durante o período de ansiedade, Dioh percebeu que a forma espontânea da avó comentar as obras poderia inspirar outras pessoas. A câmera, então, transformou um hábito doméstico em conteúdo capaz de alcançar milhares de usuários.

Essa exposição não apagou a simplicidade que marca as resenhas. Laurinha lê pelo prazer de conhecer uma história, pelo sentimento de companhia e pela possibilidade de preencher o cotidiano com novos personagens. Seu entusiasmo não depende de formação literária, de listas de obras obrigatórias ou de preferência por um único gênero.

Depois de passar a vida entre serviços domésticos, roupas para costurar e responsabilidades familiares, ela encontrou nos livros um espaço dedicado a si mesma. A trajetória de Laurinha mostra que a leitura pode nascer ou renascer em qualquer fase, transformar a relação com a solidão e oferecer novos caminhos mesmo depois de décadas nas quais o trabalho parecia ocupar todas as páginas da vida.

Com informações do Diário do Nordeste

Fonte

Diário do Nordeste


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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