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Após a esposa pedir um simples porão para batatas, construtor passa 23 anos escavando até 21 metros sob a própria casa e transforma o subsolo em complexo de 300 m² com salas, escadas e santuários talhados à mão
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/07/2026 às 22:10
Curiosidades
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Pedido doméstico aparentemente simples deu origem a uma transformação subterrânea fora do comum, construída durante décadas com ferramentas manuais e marcada por corredores, câmaras, escadas, relevos e espaços religiosos esculpidos diretamente na rocha sob uma residência nos arredores da capital armênia.
Um pedido doméstico para criar um espaço onde batatas pudessem ser armazenadas acabou dando origem a uma construção subterrânea de proporções incomuns na Armênia, transformando o subsolo de uma residência simples em um complexo escavado diretamente na rocha.
Sob uma casa de apenas um pavimento, o construtor Levon Arakelyan abriu corredores, escadas e câmaras, formando uma estrutura que alcança 21 metros de profundidade, ocupa cerca de 300 metros quadrados e reúne sete ambientes interligados.
Localizada em Arinj, nos arredores de Yerevan, a estrutura ficou conhecida como Levon’s Divine Underground e surpreende porque, vista da rua, a residência comum não revela em nenhum momento a extensão dos espaços escondidos sob o piso.
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Complexo subterrâneo foi construído sem máquinas pesadas
Segundo reportagem da Agence France-Presse, a obra exigiu 23 anos de trabalho e foi executada sem escavadeiras, perfuratrizes ou outros equipamentos pesados, com o uso de ferramentas manuais para romper e modelar o terreno durante todo o processo.
Embora o projeto tenha começado após Tosya Gharibyan pedir um porão para conservar batatas, a ideia inicial ganhou novas proporções à medida que Levon avançava continuamente no subsolo e criava passagens, salas e elementos ornamentais.
Iniciado em 1985, o trabalho aproveitou a experiência profissional de Levon como construtor e seu domínio de martelos, cinzéis e instrumentos básicos, usados para desenvolver o conjunto progressivamente sem depender de uma planta completa definida previamente.
Basalto e tufo vulcânico marcaram o avanço da escavação
Nos primeiros metros, o avanço encontrou uma camada de basalto negro, material resistente que tornou a escavação mais lenta e exigiu esforço físico contínuo, enquanto os níveis inferiores apresentaram condições diferentes para a abertura das câmaras.
Mais abaixo, o construtor encontrou tufo vulcânico mais macio, rocha comum em várias regiões da Armênia e mais favorável ao corte manual, o que permitiu ampliar os ambientes e detalhar paredes, colunas, nichos e passagens.
Além da escavação, a retirada do material tornou-se uma etapa central do projeto, pois a Agence France-Presse informou que cerca de 600 cargas de caminhão de pedras e terra foram removidas ao longo da obra.
Como o transporte entre o interior e a superfície era feito com baldes carregados manualmente, cada nova passagem exigia não apenas cortar a rocha, mas também limpar o espaço e deslocar o entulho até a saída.
Sete câmaras ganharam relevos, colunas e santuários
No interior, as sete câmaras são conectadas por corredores, curvas e escadas que descem gradualmente, enquanto padrões geométricos, relevos e ornamentos inspirados em igrejas medievais armênias ajudam a definir com precisão a identidade visual do complexo subterrâneo.
Em diferentes pontos do percurso, pequenos santuários foram talhados ao lado de nichos e áreas destinadas a velas, integrando paredes, tetos, pilares e detalhes decorativos em uma única composição esculpida diretamente na rocha ao longo do caminho.
O contraste entre a escala do resultado e a simplicidade dos instrumentos reforça o caráter incomum da obra, já que cada avanço dependia da retirada repetida de pequenas porções do terreno e do transporte manual do material.
De acordo com Tosya, Levon chegava a trabalhar até 18 horas por dia e fazia apenas pausas curtas, mantendo uma rotina intensa enquanto aprofundava os túneis e definia novas formas dentro do maciço rochoso subterrâneo.
A família também relatou que ele não seguia desenhos técnicos convencionais e dizia visualizar, durante sonhos, as formas da etapa seguinte, informação apresentada pela viúva como parte da história pessoal do construtor durante a obra.
Labirinto permaneceu escondido sob a residência
Enquanto o complexo crescia sob o terreno, a residência continuava ocupando a parte superior, o que tornou a estrutura ainda mais singular, pois a entrada do labirinto permanecia dentro da própria propriedade onde a família vivia.
Os trabalhos prosseguiram até 2008, quando Levon morreu aos 67 anos, depois de sofrer um ataque cardíaco após derrubar a última parede que separava dois túneis, segundo informações publicadas pela Agence France-Presse sobre o caso.
Depois da morte do construtor, a família preservou as passagens e transformou parte da casa em um pequeno museu, onde ferramentas, roupas, fotografias e objetos ligados à obra passaram a ser exibidos aos visitantes que chegam ao local.
Levon’s Divine Underground tornou-se atração na Armênia
Hoje, quem entra no imóvel percorre escadas e câmaras abertas sob a residência, acompanhando uma sequência de ambientes que evidencia a profundidade alcançada, o volume de material removido e o detalhamento produzido com instrumentos manuais.
Mais do que um túnel de acesso ou um depósito ampliado, o conjunto reúne ambientes com alturas diferentes, paredes trabalhadas, colunas, nichos e ligações internas que criam a aparência de um edifício escavado de cima para baixo.
Sem recorrer a máquinas pesadas, Levon alterou permanentemente o volume rochoso sob a residência e transformou o próprio terreno em parte ativa da construção, fazendo da rocha restante corredores, escadas, divisões e superfícies ornamentadas em vários níveis.
Até onde pode chegar um projeto doméstico quando um simples porão deixa de servir apenas ao armazenamento e passa a ocupar o subsolo inteiro de uma casa, reunindo salas, escadas e santuários esculpidos ao longo de décadas?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

