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Após gastar milhões na restauração do relógio astronômico de Praga, cidade foi alertada quatro anos depois de que rostos, roupas, cabelos, idades e até gêneros haviam sido alterados no calendário de 1866

Após gastar milhões na restauração do relógio astronômico de Praga, cidade foi alertada quatro anos depois de que rostos, roupas, cabelos, idades e até gêneros haviam sido alterados no calendário de 1866

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Após gastar milhões na restauração do relógio astronômico de Praga, cidade foi alertada quatro anos depois de que rostos, roupas, cabelos, idades e até gêneros haviam sido alterados no calendário de 1866

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/07/2026 às 17:33

Curiosidades

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Prefeitura descobriu quatro anos depois que rostos, roupas, cabelos, idades e até gêneros haviam sido alterados no calendário de 1866

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Com reabertura em 2018 após uma obra milionária, o relógio astronômico de Praga exibiu por quatro anos uma roda com 24 cenas que se afastava da pintura de Josef Mánes, problema ligado à falta de fiscalização da cópia histórica.

Uma restauração milionária devolveu o relógio astronômico de Praga ao público em 2018, mas um problema passou despercebido durante quatro anos. A nova cópia do calendário de Josef Mánes apresentava personagens com rostos, roupas, cabelos e até gêneros diferentes da obra criada em 1866.

A informação foi publicada pelo iROZHLAS, portal de notícias da rádio pública tcheca. A reforma completa da torre custou cerca de 61 milhões de coroas tchecas, sem incluir o imposto sobre valor agregado. Desse valor, aproximadamente 10 milhões de coroas tchecas foram destinados ao Orloj.

A controvérsia não envolveu apenas as engrenagens do relógio. O problema ficou concentrado na roda ilustrada instalada na parte inferior, onde aparecem o calendário e figuras ligadas à obra de Mánes.

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Milan Patka encontrou cerca de 20 mudanças na nova cópia

Milan Patka, integrante do Clube pela Velha Praga, percebeu as diferenças ao observar o calendário instalado na Praça da Cidade Velha. Uma cena chamou sua atenção porque um casal não aparecia mais diante de um arbusto florido, mas próximo de um monte de palha.

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A partir dessa diferença, Patka começou a comparar a nova cópia com imagens do calendário de Josef Mánes. Ele relatou ter encontrado cerca de 20 alterações espalhadas pela roda.

Entre as mudanças estavam 10 rostos modificados, brincos acrescentados e um novo cachorro. Uma personagem feminina ligada ao signo de Aquário foi transformada em homem, enquanto outra figura passou a usar uma saia consideravelmente mais curta.

As comparações fotográficas tornaram as diferenças mais fáceis de perceber. Separadamente, a nova roda poderia parecer uma reprodução comum, mas as imagens colocadas lado a lado revelaram mudanças em características centrais dos personagens.

Calendário de Josef Mánes foi criado em 1866 e o original permanece protegido

Josef Mánes criou o calendário em 1866 para o relógio restaurado da Cidade Velha. A obra original deixou a área externa em 1882, quando uma cópia foi colocada em seu lugar para evitar danos causados pelo clima.

O calendário original passou a ser preservado no Museu da Cidade de Praga. A peça instalada na torre, portanto, não era a pintura de Mánes, mas uma reprodução destinada a manter sua aparência diante do público.

Inspeção atribuiu falhas ao artista, à cidade e aos órgãos de preservação / Reprodução

Em 2018, o pintor e restaurador Stanislav Jirčík produziu uma nova cópia durante as obras do relógio. Essa versão permaneceu no Orloj até as diferenças ganharem atenção pública em 2022.

O fato de o original estar protegido não eliminava a necessidade de fidelidade. A cópia ocupava um monumento histórico e precisava representar com clareza a obra guardada no museu.

Restaurador afirmou que recebeu encomenda de uma cópia técnica

Stanislav Jirčík afirmou que o contrato previa uma cópia técnica, expressão usada para diferenciar o trabalho de uma reprodução totalmente fiel. O pintor declarou que se inspirou em desenhos preparatórios produzidos por Mánes.

O iROZHLAS, portal de notícias da rádio pública tcheca, registrou que Jirčík considerava necessário interpretar as intenções do artista original durante a produção da nova roda.

A Inspeção de Patrimônio do Ministério da Cultura rejeitou a ideia de que essa classificação permitia qualquer alteração. O órgão concluiu que mudanças evidentes e sem justificativa não pertenciam nem mesmo a uma cópia técnica.

Jirčík também havia estudado o calendário original guardado no museu. Para os responsáveis pela inspeção, essa análise tornou difícil compreender por que ele não preservou o mesmo estilo nos rostos e nas roupas.

Especialistas viram a nova roda apenas sete dias antes da reabertura

Os profissionais do Instituto Nacional do Patrimônio não acompanharam regularmente a produção da cópia. Integrantes do setor de restauração também não participaram de reuniões de fiscalização com Jirčík durante o trabalho.

Milan Patka encontrou cerca de 20 mudanças na nova cópia

A primeira visualização da roda ocorreu por meio de uma fotografia enviada em 21 de setembro de 2018. A imagem chegou no mesmo dia da última reunião de controle da reforma.

A Prefeitura da Cidade Velha foi reaberta em 28 de setembro de 2018, apenas sete dias depois. Esse intervalo não deixou tempo suficiente para uma análise cuidadosa ou para a solicitação de mudanças antes da apresentação pública.

A prefeitura de Praga também não possuía registros escritos das reuniões de fiscalização da produção. O material disponível estava limitado a três fotografias feitas durante uma visita ao ateliê do restaurador.

Inspeção atribuiu falhas ao artista, à cidade e aos órgãos de preservação

A Inspeção de Patrimônio do Ministério da Cultura concluiu que o resultado surgiu de uma sequência de falhas. A responsabilidade não ficou concentrada apenas no artista.

O pintor se afastou da aparência original, enquanto a cidade e os órgãos de conservação não fiscalizaram adequadamente o trabalho. O contrato também solicitava uma cópia técnica, e não uma reprodução fiel, escolha considerada incomum pela inspeção.

Após gastar milhões na restauração do relógio astronômico de Praga, a prefeitura descobriu que a nova roda do calendário continha personagens diferentes daqueles pintados em 1866.

Ninguém recebeu multa pelas falhas. A reprodução não envolveu uma intervenção direta na pintura original e o prazo para aplicar uma punição já havia terminado quando o caso foi analisado.

A falta de penalização não eliminou o problema. A investigação demonstrou que uma obra de alto valor cultural passou por diferentes responsáveis sem receber uma comparação final rigorosa com o original.

Cidade anunciou intenção de substituir a cópia criticada

Em julho de 2022, a administração de Praga informou que pretendia produzir outra roda para substituir a versão instalada em 2018. Naquele momento, análises técnicas e artísticas estavam em preparação.

A intenção era procurar restauradores reconhecidos pelo trabalho com as obras de Josef Mánes. A medida ainda estava em fase de planejamento naquela data e não poderia ser tratada como substituição concluída.

O caso do relógio astronômico de Praga mostrou que uma reprodução pode manter o formato geral de uma obra e, ao mesmo tempo, modificar detalhes essenciais. Rostos, roupas e personagens carregam parte da identidade criada pelo artista.

As alterações permaneceram expostas durante quatro anos porque a conferência aconteceu tarde demais. O episódio transformou uma restauração milionária em exemplo de como a ausência de fiscalização pode comprometer a reprodução de um patrimônio histórico.

Até onde um restaurador pode interpretar uma obra antiga sem modificar a identidade de seu criador? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

Fonte

iROZHLAS


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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