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Após racismo, senadora paraguaia acusa Mbappé de violência de gênero

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Após racismo, senadora paraguaia acusa Mbappé de violência de gênero

A senadora paraguaia Celeste Amarilla se pronunciou na noite dessa segunda-feira (6/7) sobre a polêmica em que está envolvida com Kylian Mbappé, craque da França. Após fazer um ataque racista contra o atleta, a parlamentar acusou o jogador de violência de gênero por ter sido chamada de “mulher desprezível”.

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Kylian Mbappé marcou gols na Copa do Mundo.

Al Bello/Getty Images

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Mbappé é craque da seleção francesa.

Patrick Smith – FIFA/FIFA via Getty Images

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Kylian Mbappé liderou a seleção francesa em confronto eliminatório diante do Paraguai

Alamy Live News / Latin Sport Images

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Senadora Celeste Amarilla

Reprodução / Instagram @celestesenadora

Em carta aberta na rede social X, Amarilla exigiu que Mbappé se retrate e ameaçou tomar medidas legais contra o atacante da seleção francesa (confira a íntegra no fim da matéria).

“Você não me conhece. Você não tem ideia de quem eu sou, e você não tem o direito de dizer que eu sou uma mulher desprezível, indigna do cargo que ocupa. Eu sou uma senadora da Nação Paraguaia, eleita pelo povo”, diz a parlamentar em trecho da publicação.

Em seguida, Celeste Amarilla acusa Mbappé de tê-la humilhado. Além disso, a senadora afirmou que o jogador praticou violência de gênero.

“Quem é você para me chamar de indigna ou desprezível quando nem me conhece? Isso é violência de gênero flagrante. Isso é violência política contra uma mulher que conquistou sua posição pelo voto democrático de seu povo. Você me insulta porque sou mulher. Você ataca minha dignidade como mulher e como representante política”, declarou Amarilla.

Senadora é racista com Mbappé

Após a eliminação do Paraguai para a França na Copa do Mundo, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou nas redes sociais mensagens de teor racista contra Kylian Mbappé, craque da seleção francesa.

Em diversos posts na plataforma X, antigo Twitter, poucas horas após a derrota do Paraguai por 1 x 0 nas oitavas do Mundial, a parlamentar atacou a aparência do atleta e a origem de Mbappé.

“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”, diz uma das publicações.

Em outra mensagem, Amarilla direcionou as ofensas à origem do camisa 10. Mbappé é filho de pai camaronês e mãe argelina. No entanto, nasceu em Paris, na França.

Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio”, afirmou a senadora.

O que disse Mbappé

Nessa segunda-feira (6/7), Kylian Mbappé usou as redes sociais para responder à senadora do Paraguai, Celeste Amarilla, após ser alvo de ofensas racistas. Em publicação no X, o atacante disse que a política é “desprezível” e “indigna do cargo”.

“Madame Celeste Amarilla, você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição”, respondeu Mbappé.

“Por sua inconsciência e seu racismo escancarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico realizados por seus jogadores nesta Copa do Mundo para dar lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país. Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”, completou o atacante da França.

Confira o pronunciamento da senadora na íntegra:

“O problema é entre você e eu. Eu nunca disse nada contra a França. Pelo contrário, eu me posiciono ao lado da França. Estudei em uma escola francesa desde os 2 anos até os 17, onde completei minha educação. Eu sou quem sou graças ao Collège de l’Immaculée Conception e à educação que ele me proporcionou. Nós cantávamos La Marseillaise e honrávamos a bandeira francesa ao lado da nossa. Eu falo francês e amo visitar a França. No último Natal, passei as férias com minha família em Courchevel, e nós celebramos o Ano Novo em Saint-Tropez. Isso não tem nada a ver com a França. O problema é com você.
Sua arrogância e desprezo me irritaram muito antes da partida, quando você disse: ‘Se tivermos que colocar as mãos na sujeira, então vamos fazer isso.’ Nós não somos estúpidos. Entendemos perfeitamente que, com ‘a sujeira’, você se referia à equipe paraguaia, e a equipe paraguaia representa todos nós. Depois, você disse que ia remover nossa maquiagem. Nós entendemos isso também. Todo o Paraguai ficou em silêncio, inclusive eu. Nós aguentamos.
Durante a partida, sua arrogância foi óbvia. Seu desprezo por cada jogador paraguaio era claro, como se eles estivessem abaixo de você. Sem nem cobrir a boca, você gritou: ‘La concha de tu madre’, um insulto extremamente ofensivo na América Latina, e você sabe disso.
Finalmente, você demonstrou total desrespeito pela saúde do nosso goleiro. Isso é algo que simplesmente não se faz. O respeito entre rivais após uma partida é quase sagrado, na guerra e na paz, na derrota e na vitória. No entanto, você se recusou a apertar a mão dele e gritou sua vitória na cara dele. Em um único momento, você exibiu desprezo, arrogância e falta de maneiras. Isso me machucou, machucou todo o meu país e machucou profundamente. A França deve responsabilizá-lo porque é uma nação de honra, com séculos de história e savoir faire (saber fazer).
Meus posts foram escritos no calor do momento, com meu sangue fervendo, o sangue de uma herança mista, uma bela mistura de ancestralidade indígena e espanhola que corre em minhas veias. Eu os escrevi enquanto via você zombar daqueles extraordinários jogadores paraguaios que lutaram como iguais até o apito final. No entanto, eu me arrependi imediatamente de responder a você com os mesmos insultos que eu mesma recebo. Percebi que estava repetindo exatamente o comportamento que desprezo, então deletei o post. Eu entendo que minhas palavras o ofenderam porque a humilhação dói.
Agora eu exijo que você também retrate suas declarações e se desculpe comigo. Eu não tolerarei sua violência também. Você não me conhece. Você não tem ideia de quem eu sou, e você não tem o direito de dizer que EU SOU UMA MULHER DESPREZÍVEL, INDIGNA DO CARGO QUE OCUPA.
Eu sou uma Senadora da Nação Paraguaia, eleita pelo povo. Antes disso, eu fui uma Deputada Nacional, também eleita pelo povo. Milhares de homens e mulheres paraguaios votaram em mim e me consideram sua voz. Meu dever primordial é falar pelo povo paraguaio, dizer o que eles não podem dizer e defender meu país com minha vida, se necessário.
Eu represento meu país porque fui livremente eleita. Fui escolhida em eleições democráticas para ajudar a fazer suas leis e ser sua voz. Você não tem ideia do que significa ser eleito para defender sua nação e representar seu povo.
Quem é você para me chamar de indigna ou desprezível quando nem me conhece? Isso é violência de gênero flagrante. Isso é violência política contra uma mulher que conquistou sua posição pelo voto democrático de seu povo. Você me insulta porque sou mulher. Você ataca minha dignidade como mulher e como representante política.
Retrate suas declarações, honre sua cidadania francesa e peça desculpas. Caso contrário, eu posso buscar ação legal por violência de gênero.”

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