Belo Horizonte – A Igreja Matriz de São Bartolomeu, no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, voltou a receber fiéis e visitantes após permanecer fechada desde 2019 para obras de restauração. A reabertura foi marcada por uma missa na última terça-feira (7/7), precedida por uma procissão e apresentação do Coral de Itabirito.
Construída em 1721, a Matriz de São Bartolomeu é uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais. O templo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde a década de 1960 e integra o conjunto histórico protegido do distrito.
Além da recuperação da estrutura arquitetônica, a igreja recebeu de volta 11 imagens sacras restauradas pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). Entre elas está a escultura de Nossa Senhora do Carmo, do século XVIII, atribuída ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Também retornaram aos altares as imagens de São João Nepomuceno, Santa Efigênia, Sant’Ana, Nossa Senhora do Pilar, São Benedito, Nossa Senhora das Candeias, um Crucificado e um Divino Espírito Santo.
Igreja apresentava graves problemas estruturais
A degradação da igreja chegou ao conhecimento do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em 2003. Ao longo dos anos, a ação do tempo e a falta de conservação comprometeram a estrutura do imóvel.
Antes da restauração, o templo apresentava infiltrações, danos em pilares de madeira, problemas na cobertura e na rede elétrica, além do risco de incêndio. O Iphan chegou a instalar estruturas provisórias para proteger os forros artísticos da ação da chuva e dos ventos.
As primeiras intervenções emergenciais começaram em dezembro de 2022 para conter o avanço da deterioração e garantir a segurança da edificação.
Investimento de R$ 7,6 milhões
As obras foram realizadas por meio do Programa Minas para Sempre, com recursos gerenciados pelo Ministério Público de Minas Gerais e execução do Instituto Joaquim Artes e Ofícios.
Ao todo, foram investidos cerca de R$ 7,6 milhões na recuperação da igreja, incluindo a restauração da estrutura, dos elementos artísticos e do acervo histórico.
Entre os destaques preservados está um raro sino esculpido em madeira, localizado na torre esquerda do templo.
Comunidade celebra retorno
A reabertura foi marcada por emoção entre os moradores. Nascida no distrito, Custódia Serenice da Costa afirmou que entrar novamente na igreja restaurada representou a realização de um sonho da família.
O pároco Harley Carlos de Carvalho Lima destacou que a reabertura simboliza a retomada da vida religiosa e cultural da comunidade. Já o promotor de Justiça Marcelo Maffra afirmou que a recuperação do templo representa não apenas a preservação de um patrimônio histórico, mas também da memória, da fé e das tradições da população local.
Segundo o MPMG, os recursos utilizados na restauração são provenientes de medidas compensatórias, ações de combate à lavagem de dinheiro e da recuperação de impostos sonegados. O Programa Minas para Sempre já destinou mais de R$ 68 milhões para a recuperação de 56 bens culturais em 30 municípios mineiros.

