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Arqueólogos que acompanhavam as obras de 19 turbinas eólicas encontraram joias da Idade do Bronze enterradas havia mais de 3.300 anos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/07/2026 às 17:46
Ciência e Tecnologia
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Conjunto descoberto perto de Ahlum reúne colares rígidos, espirais de braço, ornamentos metálicos e alfinetes de disco atribuídos a pelo menos três indivíduos femininos; pesquisadores investigam uma possível deposição ritual da elite local.
Obras para instalar 19 turbinas eólicas perto de Ahlum e Dettum, no norte da Alemanha, revelaram um depósito de joias da Idade do Bronze com mais de 156 contas de âmbar e adornos datados de 1500 a 1300 a.C.
O conjunto foi encontrado durante a preparação do terreno destinado a um dos aerogeradores. Logo na primeira retirada de solo com uma escavadeira, objetos de bronze e âmbar apareceram concentrados em uma pequena área.
Por causa da fragilidade das peças, os arqueólogos retiraram o material juntamente com a terra ao redor. A chamada remoção em bloco permitiu que a escavação detalhada fosse realizada posteriormente, sob condições controladas de laboratório.
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Depósito reúne joias de pelo menos três indivíduos femininos
Segundo o Escritório Estadual de Preservação de Monumentos da Baixa Saxônia, o depósito reúne diferentes conjuntos de adornos associados a pelo menos três indivíduos femininos.
Entre os objetos estão colares rígidos parcialmente decorados, espirais utilizadas nos braços, ornamentos produzidos com lâminas metálicas e pelo menos dois alfinetes de disco. Também foram recuperados fragmentos de agulhas e uma pequena espiral interpretada como adorno para o cabelo.
A peça mais impressionante é um colar composto por mais de 156 contas de âmbar. Uma das contas fotografadas pelos pesquisadores apresenta quatro perfurações, característica que poderá ajudar a compreender como o ornamento foi montado e utilizado.
Os materiais foram datados do período entre 1500 e 1300 a.C. Isso significa que estavam enterrados havia aproximadamente 3.300 a 3.500 anos quando foram localizados pelas equipes responsáveis pelo acompanhamento arqueológico.
Joias não foram retiradas de diferentes túmulos
O conjunto foi classificado como um depósito arqueológico isolado, e não como um grupo de sepultamentos humanos. A atribuição a pelo menos três indivíduos femininos resulta da quantidade e das características dos conjuntos de adornos identificados.
As instituições responsáveis não informaram a descoberta de esqueletos humanos junto às joias. Por isso, não é possível afirmar que três mulheres tenham sido enterradas no local ou que os objetos tenham sido recuperados de túmulos distintos.
Os arqueólogos consideram provável que as peças tenham sido colocadas intencionalmente no solo. Uma das hipóteses é que o depósito tenha sido realizado pela elite local por motivos religiosos, mas essa interpretação ainda não foi comprovada pelas análises.
Área de quase 93 mil metros quadrados foi examinada
A construção envolveu 19 turbinas eólicas instaladas pela SAB WindTeam GmbH nas áreas de Ahlum e Dettum, próximas à cidade de Wolfenbüttel, no estado alemão da Baixa Saxônia.
Embora nenhum sítio arqueológico fosse conhecido exatamente na área das obras, as autoridades avaliaram que existia uma possibilidade elevada de encontrar vestígios ainda não registrados. Por isso, determinaram que a construção tivesse acompanhamento especializado.
A empresa Arcontor Projekt GmbH, de Braunschweig, ficou responsável pela investigação, realizada entre agosto de 2024 e setembro de 2025. De acordo com a Prefeitura de Wolfenbüttel, foram examinados 92.780 metros quadrados.
Ao todo, os arqueólogos documentaram 412 contextos ou estruturas preservadas. Esse número não representa apenas objetos individuais, mas também marcas de construções, fossas, concentrações de materiais e outros vestígios registrados no terreno.
Maior achado individual de âmbar da região
O depósito de Ahlum foi apresentado pelo órgão estadual como o maior achado individual de âmbar da Idade do Bronze já documentado na Baixa Saxônia.
Também é o primeiro depósito desse período encontrado no norte do sopé do Harz desde 1967. Segundo os responsáveis, é ainda o único dessa categoria na região escavado e documentado conforme os padrões científicos modernos.
A presença de tantas contas em um único conjunto demonstra o elevado valor atribuído ao âmbar. O material circulava por extensas redes de troca que ligavam diferentes comunidades europeias durante a Idade do Bronze.
Um estudo da Universidade de Aarhus analisou a distribuição do âmbar e as mudanças no fornecimento de metais entre aproximadamente 2100 e 1200 a.C. Os resultados indicam que os dois materiais percorreram trajetórias comerciais relacionadas.
Os pesquisadores concluíram que o âmbar provavelmente era trocado por metais utilizados pelas comunidades escandinavas. O estudo também identificou importantes rotas e pontos de conexão que mudaram entre o início e a fase intermediária da Idade do Bronze.
Obras revelaram vestígios de diferentes períodos
As joias não foram os únicos materiais encontrados. No sul da área examinada, os arqueólogos identificaram as plantas de duas construções ligadas à cultura da Cerâmica Linear, considerada a primeira cultura de agricultores estabelecida na atual Baixa Saxônia.
Essas estruturas e as amostras recolhidas podem fornecer informações sobre a ocupação da região desde meados do sexto milênio antes de Cristo.
Vestígios dos primeiros séculos depois de Cristo também apareceram. Entre eles estão fossas contendo cães enterrados, cerâmicas produzidas em torno segundo modelos romanos e objetos metálicos.
Outro destaque é um pente de três camadas, quase completamente preservado, datado dos séculos IV ou V. A peça possui decoração circular e rebites de bronze.
Restauração e estudos continuam
A restauração das joias e do colar de âmbar ainda estava em fase inicial quando o conjunto foi apresentado publicamente. Novas análises de materiais foram planejadas em colaboração com a Universidade Técnica de Clausthal.
Esses estudos poderão acrescentar informações sobre a composição e as características dos objetos. Até a conclusão das análises, a interpretação do conjunto como uma deposição religiosa realizada pela elite local permanece uma hipótese arqueológica.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

