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Até 10 anos de duração: barreiras de bambu podem transformar o combate às areias movediças na China, reduzir os custos gerais em mais de 20% e aproveitar até mesmo a chuva escassa para levar água às camadas profundas do solo
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/07/2026 às 17:47
Atualizado em 27/07/2026 às 17:53
Ciência e Tecnologia
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Feitas com material renovável e biodegradável, as estruturas foram testadas em áreas desérticas da China e podem substituir grades de palha e plástico, ampliando a durabilidade e reduzindo os custos gerais em mais de 20%.
Pesquisadores da Academia Chinesa de Silvicultura testam barreiras de bambu para conter areias movediças na China, com vida útil estimada em até uma década e redução superior a 20% nos custos gerais.
Barreiras de bambu substituem palha e plástico
A tecnologia utiliza estruturas de bambu trançado para estabilizar a areia e criar barreiras contra o vento. O sistema também inclui bandejas destinadas a captar a água da chuva e conduzi-la para camadas mais profundas do solo.
A proposta busca substituir grades de palha, que apresentam curta duração em ambientes desérticos, e estruturas feitas de plástico sintético, capazes de permanecer no ambiente como resíduos não biodegradáveis.
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Segundo informações publicadas pelo South China Morning Post, os sistemas de bambu renovável podem prolongar a duração das barreiras de alguns anos para até uma década. A expectativa também é reduzir os custos gerais em mais de 20%.
As estruturas trançadas podem permanecer funcionais entre três e dez anos. No limite superior dessa estimativa, a durabilidade seria até três vezes maior que a apresentada pelas grades tradicionais de palha.
Além da vida útil prolongada, o bambu é renovável, biodegradável e resistente aos raios ultravioleta. Essas características eliminam o risco de poluição por microplásticos associado ao uso de grades sintéticas.
Desertificação afeta 27,4% do território chinês
A desertificação já alcança 27,4% da área territorial da China e afeta diretamente aproximadamente 400 milhões de pessoas. O processo transforma terras secas férteis em áreas improdutivas, com perda de vegetação, nutrientes e capacidade agrícola.
Entre os fatores associados ao avanço do problema estão o sobrepastoreio, o desmatamento e as pressões climáticas. Nas regiões áridas do norte chinês, diferentes métodos foram empregados para impedir que a areia avançasse sobre áreas ocupadas e estruturas estratégicas.
As medidas anteriores incluíram cercas, grades de palha, barreiras de plástico e o plantio de arbustos. Cada alternativa, porém, apresenta limitações relacionadas à durabilidade, à geração de resíduos ou aos efeitos sobre populações próximas.
No Deserto de Taklimakan, considerado o segundo maior deserto móvel do mundo, o deslocamento da areia pelo vento provoca interrupções constantes em uma rodovia importante para a exploração regional de petróleo e o desenvolvimento socioeconômico de Xinjiang.
Sistemas mecânicos de controle foram instalados para proteger a rota, mas as condições extremas fazem a palha se transformar em pó dentro de dois ou três anos.
Mais de 70% dessas barreiras se degradaram e perderam a funcionalidade. Desde 1999, a rodovia tem sido frequentemente soterrada e bloqueada pela areia, de acordo com as informações apresentadas.
As grades de plástico sintético duram mais, mas deixam resíduos não biodegradáveis. Já arbustos como a artemísia estão associados a surtos graves de alergia sazonal entre moradores de áreas próximas.
Barreiras de bambu passaram por testes em duas regiões
A equipe desenvolveu técnicas para processar e trançar o bambu bruto em quadrados estruturais destinados à fixação da areia. Também foram produzidas barreiras mais altas para reduzir a ação do vento sobre o terreno.
As bandejas coletoras de água são fabricadas com uma mistura de fibras de bambu e madeira. O objetivo é aproveitar até mesmo volumes reduzidos de chuva, ajudando a água a penetrar em camadas mais profundas do solo.
Testes de campo foram realizados na província de Qinghai e na região autônoma da Mongólia Interior. Os resultados informados indicam que as estruturas suportaram condições desérticas rigorosas sem quebrar ou apodrecer precocemente.
O desenvolvimento ocorre dentro da demanda chinesa por tecnologias mais duradouras e ambientalmente adequadas para conter o avanço da areia nas regiões áridas.
O Programa de Proteção Ambiental das Três Regiões Norte da China abrange milhares de quilômetros no noroeste, norte e nordeste do país. O plano quinquenal de conservação de Pequim reforçou a procura por soluções de fixação de areia com maior durabilidade.
Pesquisadores também testam fungos em solos arenosos
Os estudos não estão limitados à instalação das estruturas. Os pesquisadores também experimentam cultivar fungos comestíveis em solos arenosos localizados sob as zonas protegidas pelas barreiras de bambu.
A finalidade desse teste é acumular nutrientes orgânicos no solo. As informações disponíveis, entretanto, não apresentam resultados definitivos, escala de aplicação ou prazo para o eventual uso mais amplo desse cultivo.
O bambu está sendo avaliado como matéria-prima por crescer rapidamente e permitir a fabricação de estruturas renováveis. A tecnologia combina contenção mecânica da areia, redução da força do vento e aproveitamento da pouca chuva disponível nas áreas desérticas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

