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Áudio citado pela PF leva Corregedoria a abrir apuração sobre delegado

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Áudio citado pela PF leva Corregedoria a abrir apuração sobre delegado

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo abriu um procedimento interno após o delegado Fabio Pinheiro Lopes, atual diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), ser mencionado em um áudio anexado a um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a apuração foi aberta assim que a instituição tomou conhecimento dos fatos. Segundo a pasta, o procedimento também vai analisar o compartilhamento de informações com a Polícia Federal.

“A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a apuração dos fatos e a garantia dos direitos de todos os envolvidos”, afirmou a SSP.

A menção ao nome do delegado aparece em um relatório da Polícia Federal que embasou uma operação contra um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, deflagrada nesta sexta-feira (3/7).

Segundo a investigação, Fabio Pinheiro Lopes, conhecido como “Fabio Caipira”, é citado em uma mensagem de áudio, enviada em maio de 2024 pelo advogado Romany Cutolo Bonente, conhecido como “Roma”. Para a PF, ele atuaria como intermediário entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder do esquema investigado.

De acordo com a transcrição do áudio reproduzida na decisão judicial que autorizou a operação, Roma afirma: “Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou”.

O áudio foi enviado na madrugada de 15 de maio de 2024. Na mesma gravação, o advogado também afirma que Shimada teria utilizado de forma indevida dinheiro pertencente a um homem conhecido como “Ratão”, descrito por ele como uma pessoa de alta periculosidade.


Investigação


Sanção dos Estados Unidos

Na ultima quarta-feira (1º/7), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou Victor Shimada e Stella Stefanie por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo autoridades da Polícia Federal (PF), a decisão atrapalhou as investigações contra os suspeitos, que estavam em andamento há alguns meses.

Os mandados foram deferidos pela Justiça Federal em junho, mas ainda não haviam sido cumpridos porque a equipe de investigação ainda tentava descobrir o paradeiro exato de Shimada, principal alvo, e traçar a melhor estratégia para capturá-lo.

“A foto dele saiu em tudo o que é jornal. Isso não ajudou muito. O caso é anterior à sanção. Ele (Shimada) não estava no local”, afirmou uma autoridade da Polícia Federal ao Metrópoles no início da tarde desta sexta.

Outra fonte acrescentou que teria havido descoordenação entre o FBI e a PF. Caso tivessem avisado à corporação, afirma, certamente a operação poderia ter sido deflagrada em conjunto.

“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação”, declarou o diretor da PF, Andrei Rodrigues.

Sem informação sobre elo com PCC

Principal autoridade do Ministério Público de São Paulo (MPSP) nas investigações sobre o PCC, o promotor Lincoln Gakiya descartou que o órgão tenha informações que relacionem o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada à facção criminosa.

“No caso do Ministério Público de São Paulo, a gente não tem qualquer informação ligando esses dois indivíduos [além de Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa nesta sexta-feira] ao PCC”, afirmou Gakiya. Stella também é apontada pelas autoridades norte-americanas como integrante do esquema.

À reportagem, o promotor afirmou que eventuais provas reunidas pela Polícia Federal Estadunidense (FBI), pelo Departamento de Estado ou por outra agência dos Estados Unidos sobre a suposta ligação ainda não foram compartilhadas com o MPSP.

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