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Áustria e Itália estão furando os Alpes para abrir um túnel ferroviário de 55 quilômetros que vai destronar o suíço Gotthard e se tornar a mais longa travessia subterrânea de trem do planeta

Áustria e Itália estão furando os Alpes para abrir um túnel ferroviário de 55 quilômetros que vai destronar o suíço Gotthard e se tornar a mais longa travessia subterrânea de trem do planeta

4 min de leitura

Áustria e Itália estão furando os Alpes para abrir um túnel ferroviário de 55 quilômetros que vai destronar o suíço Gotthard e se tornar a mais longa travessia subterrânea de trem do planeta

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 27/07/2026 às 19:28

Atualizado em 27/07/2026 às 19:38

Economia

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Sob uma das passagens de montanha mais movimentadas da Europa, uma obra de bilhões de euros avança na rocha para tirar caminhões da estrada e ligar o norte ao sul do continente em linha quase reta.

No coração dos Alpes, entre a Áustria e a Itália, tuneladoras gigantes e cargas de dinamite estão abrindo caminho por dentro da montanha. O objetivo é montar um corredor de trem que passa por baixo dos picos em vez de subir por eles.

Quando ficar pronto, o Túnel de Base do Brenner terá 55 quilômetros de extensão e vai roubar do suíço Gotthard o posto de mais longa travessia ferroviária subterrânea do mundo.

Um túnel plano por dentro de uma cordilheira

A expressão túnel de base descreve bem a ideia. Em vez de acompanhar a subida e a descida da serra, o traçado corta a montanha pela parte de baixo, mantendo o trilho quase plano de uma ponta a outra.

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Isso muda tudo para um trem de carga. Rampas suaves permitem composições mais longas e pesadas, puxadas por menos locomotivas, com menor gasto de energia e menor risco.

O Brenner liga a região de Innsbruck, na Áustria, a Fortezza, no norte da Itália, atravessando a fronteira inteiramente por baixo da rocha.

55 quilômetros que viram 64 e superam o Gotthard

O túnel principal terá 55 quilômetros. Somado a uma ligação ferroviária subterrânea já existente do lado de Innsbruck, o percurso contínuo por baixo da terra chega a cerca de 64 quilômetros.

É esse número que garante o recorde. O atual detentor do título, o Túnel de Base de Gotthard, na Suíça, tem 57 quilômetros e reina como o mais longo desde que foi inaugurado.

O Brenner passa à frente e se junta a um seleto grupo de megaobras que preferem atravessar cadeias de montanhas por dentro em vez de contorná-las por cima.

Duas galerias e um túnel de exploração embaixo

A obra não é um buraco único. São dois tubos principais paralelos, um para cada sentido de tráfego, ligados entre si por passagens transversais a intervalos regulares, usadas para segurança e resgate.

Abaixo deles corre ainda um túnel de exploração, escavado à frente das galerias principais. Ele serve para estudar a rocha antes da escavação definitiva e, depois, para drenagem e manutenção.

Essa arquitetura em camadas é o que permite tocar a obra com mais previsibilidade, reduzindo surpresas geológicas ao longo de dezenas de quilômetros.

Tuneladora e dinamite contra a rocha alpina

A escavação combina dois métodos. Em boa parte do trajeto entram as tuneladoras gigantes que avançam mordendo a rocha e revestindo o túnel à medida que andam.

Nos trechos de geologia mais complicada, a equipe recorre ao método de perfurar e detonar, abrindo a rocha em ciclos controlados de explosivos e remoção de entulho.

Por cima de tudo isso, o maciço alpino chega a somar cerca de 1.700 metros de rocha entre o teto do túnel e o topo das montanhas, uma das razões pelas quais a obra é tão lenta e cara.

O alvo real é tirar caminhão da estrada

O Brenner não é uma obra de vaidade. A passagem que leva seu nome é uma das rotas de travessia dos Alpes mais usadas pelo transporte rodoviário de carga, com filas de caminhões e forte impacto ambiental sobre os vales.

A ideia é transferir boa parte desse fluxo para o trilho. Um corredor plano e rápido por baixo da montanha torna o trem competitivo contra o caminhão, o que promete menos poluição e menos congestionamento nas estradas de encosta.

Para o passageiro, o efeito aparece no relógio: a viagem de trem entre o sul da Alemanha e o norte da Itália deve encurtar de forma sensível quando a linha entrar em operação.

Uma obra de bilhões que só termina no fim da década

Nada disso é rápido nem barato. O projeto envolve investimento na casa dos bilhões de euros, dividido entre Áustria, Itália e a União Europeia, e se arrasta por mais de uma década de escavação.

A previsão é que o túnel entre em plena operação por volta do fim desta década, depois de concluídas as galerias, a instalação da via e os longos testes de segurança exigidos antes de qualquer trem circular.

Até lá, o Brenner segue como uma das maiores obras de engenharia em andamento no mundo, cavando em silêncio o recorde que vai tirar do Gotthard o título de mais longo túnel ferroviário do planeta.

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Fonte

BBT SE (Galleria di Base


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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