Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Avô, pai e neta subiram juntos ao palco da mesma formatura, e o mais velho tinha voltado à sala de aula depois de 42 anos parado, sem saber que os três terminariam o curso ao mesmo tempo

Avô, pai e neta subiram juntos ao palco da mesma formatura, e o mais velho tinha voltado à sala de aula depois de 42 anos parado, sem saber que os três terminariam o curso ao mesmo tempo

7 min de leitura

Avô, pai e neta subiram juntos ao palco da mesma formatura, e o mais velho tinha voltado à sala de aula depois de 42 anos parado, sem saber que os três terminariam o curso ao mesmo tempo

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 31/07/2026 às 14:18

Curiosidades

Formatura reuniu avô, pai e neta no mesmo palco nos EUA. O mais velho voltou a estudar depois de 42 anos e os três só descobriram a coincidência no fim. (Fotos de Kendall Tidwell).

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Richard, Kenneth e Kaitlin Rochford receberam os diplomas na mesma cerimônia da Liberty University, nos Estados Unidos. Os três estudaram em fases completamente diferentes da vida e só descobriram poucos meses antes que concluiriam os cursos ao mesmo tempo.

A formatura de três gerações da mesma família aconteceu na 52ª cerimônia de entrega de diplomas da Liberty University, nos Estados Unidos, conforme publicação da própria instituição. Richard Rochford, o filho Kenneth e a neta Kaitlin subiram juntos ao palco na manhã de sexta feira, durante a solenidade da Escola de Governo Helms, em maio de 2025.

Cada um chegou ali por um caminho diferente e em um momento distinto da vida. Kaitlin recebeu o diploma de bacharel em justiça criminal, Kenneth concluiu um mestrado em Direito enquanto trabalhava fora do país e Richard finalizou um mestrado em estudos interdisciplinares. O detalhe que transforma a cena em história é que ninguém planejou isso: a coincidência só foi percebida poucos meses antes da cerimônia.

Três matrículas, três fases de vida diferentes

A ordem de entrada é o que explica melhor o desenho. Kaitlin foi a primeira a se matricular, chegando ao campus como estudante residente, seguindo o caminho do pai na área de formação voltada ao serviço público. Ela cursou a graduação no formato tradicional, morando na universidade.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Kenneth se matriculou alguns anos depois da filha, mas em modalidade completamente diferente. Ele estudou pelos programas on line da instituição enquanto acumulava a rotina de trabalho no exterior, e concluiu o mestrado em Direito à distância.

Após 42 anos, Richard Rochford (ao centro) voltou a estudar para concluir seu mestrado em estudos interdisciplinares. O reitor da Escola de Governo Helms, Jason Q. Bohm (à direita), e o titular da cátedra da Escola de Governo Helms e ex-secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (à esquerda), entregaram os diplomas aos formandos durante a cerimônia.

Richard entrou quase na mesma época que o filho, também no formato remoto, mas com uma diferença que muda a escala do desafio. Ele estava voltando a estudar depois de 42 anos fora da sala de aula, intervalo que costuma assustar qualquer pessoa que pensa em retomar a formação depois de uma vida profissional inteira.

Quarenta e dois anos fora e a volta pelos estudos religiosos

O curso escolhido por Richard não foi aleatório. Ele concluiu um mestrado em estudos interdisciplinares com foco em religião, música e adoração, formação escolhida para prepará lo melhor para o trabalho voluntário que já exercia na Associação Evangelística Billy Graham, em Charlotte, na Carolina do Norte.

Ele não escondeu que as dificuldades iniciais existiram. Voltar ao ambiente acadêmico depois de mais de quatro décadas significa reaprender método de estudo, prazos, formato de trabalho acadêmico e, no caso dele, também a operação de plataformas digitais. Segundo o próprio relato, o maior benefício de todo o processo foi a possibilidade de seguir aprendendo e de enxergar assuntos por ângulos que ele nunca havia considerado.

O apoio institucional apareceu na conta. Ele destacou o trabalho dos consultores acadêmicos e do suporte de tecnologia, estrutura que faz diferença justamente para o aluno mais velho, que costuma ter mais dificuldade com a parte técnica da educação a distância do que com o conteúdo em si.

O folheto em uma formatura anterior que mudou tudo

A decisão de voltar a estudar nasceu de um episódio quase banal. Richard estava assistindo à formatura da nora quando recebeu um folheto sobre os milhares de estudantes que se formavam pelos programas on line da instituição.

O material apresentava exatamente o que ele precisava saber: que havia um caminho compatível com a rotina de quem já tem a vida montada, sem exigir mudança de cidade nem abandono das atividades. Ele mencionou a acessibilidade do formato e o interesse pelos cursos oferecidos entre os motivos da escolha, ao lado da identificação com a missão cristã da instituição.

O gatilho não foi um discurso motivacional, foi uma informação prática entregue no momento certo. É um detalhe que se repete em muitas histórias de retomada de estudo na maturidade: a pessoa costuma já ter a vontade, e o que falta é descobrir que existe um formato viável.

O agente federal que estudava a partir de Dakar

Kenneth Rochford é agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e está lotado em Dakar, no Senegal. Foi de lá, na costa oeste da África, que ele cursou o mestrado em Direito pelos programas on line da universidade.

A logística desse arranjo merece atenção. Estudar a distância já exige disciplina para quem está no mesmo país da instituição. Fazer isso a partir de outro continente, com fuso horário diferente e uma função que envolve responsabilidades de segurança pública federal, adiciona uma camada de dificuldade que não aparece no diploma.

Na cerimônia, ele desviou o foco de si mesmo. Disse estar feliz por se formar ao lado da filha e do pai, mas deixou claro que considerava aquele o dia dela, e destacou o orgulho de vê la se formar com o mesmo diploma que ele próprio havia recebido e começar a vida adulta e a carreira profissional.

A competição saudável entre pai e filho separados por um oceano

O trecho mais divertido dessa história é o que aconteceu entre Kenneth e Richard durante os cursos. Como estudavam ao mesmo tempo, os dois criaram uma rotina de comparação de notas que virou combustível para ambos, mesmo estando em continentes diferentes.

A cada tarefa entregue e a cada nota divulgada, um ligava ou mandava mensagem para o outro para saber como havia se saído. Kenneth descreveu o período como uma experiência de união, uma competição saudável que fortaleceu ainda mais uma relação que já era próxima.

Ele também registrou algo que muitas famílias reconhecem. Acompanhou o pai melhorando as habilidades com computador e com as ferramentas on line ao longo das disciplinas, aprendizado paralelo que não estava na ementa de nenhum curso e que talvez tenha sido tão importante quanto o conteúdo formal.

A neta que começou a corrente sem saber

Kaitlin foi a primeira da família a se matricular, e o caminho dela começou pela pesquisa comum de quem está escolhendo faculdade. Ao procurar programas de justiça criminal, a instituição aparecia com frequência nos resultados de busca, o que ela interpretou como um indicativo de que valia a pena olhar mais de perto.

A decisão se fechou depois de participar de um programa de visita ao campus, formato em que o candidato passa alguns dias na universidade antes de se matricular. Para ela, o ponto alto da experiência como estudante foi a convivência, com amizades que descreve como duradouras, além da qualidade do ensino e do suporte da equipe do curso.

Na cerimônia, ela resumiu bem por que a cena chamou tanta atenção: não é comum alguém se formar junto com um dos pais, e mais raro ainda fazer isso com pai e avô ao mesmo tempo.

A descoberta de que os três terminariam juntos

O ponto que dá a esse episódio o caráter de coincidência é o calendário. Os três se matricularam em momentos diferentes, em cursos diferentes, com cargas e níveis distintos, e só perceberam poucos meses antes da cerimônia que os prazos convergiriam para a mesma data.

Foi a partir dessa descoberta que a família começou a organizar a participação conjunta. A instituição oferece acomodações para famílias com mais de um formando na mesma solenidade, o que permitiu que os três atravessassem o palco juntos em vez de participarem de cerimônias separadas.

Na entrega dos diplomas estavam Jason Q. Bohm, reitor da Escola de Governo Helms, e Mike Pompeo, titular da cátedra da escola e ex secretário de Estado dos Estados Unidos. A cena final reuniu, na mesma fila, um estudante de graduação e dois mestrandos com décadas de diferença entre eles.

O que vem depois para cada um dos três

Terminada a formatura, os planos seguem em direções distintas. Kaitlin avalia cursar uma pós-graduação, continuando a trajetória acadêmica logo após a conclusão do bacharelado.

Kenneth pretende se aposentar da função atual dentro de alguns anos e mira uma posição na área de proteção de propriedade intelectual, movimento que dá sentido direto ao mestrado em Direito que acabou de concluir. É o tipo de planejamento que explica por que alguém decide estudar já em fase avançada de carreira.

Richard segue com o trabalho voluntário na organização religiosa em que atua, onde participa das equipes de resposta rápida, atua como capelão e presta atendimento a visitantes da biblioteca mantida pela instituição. Segundo ele, os estudos enriqueceram diretamente as conversas que tem nesse trabalho, que era exatamente o objetivo quando decidiu se matricular.

Uma foto que resume três formas de estudar

O que torna essa história compartilhável não é apenas o afeto da cena. É o retrato de três modelos completamente diferentes de acesso ao ensino superior convivendo na mesma família e na mesma cerimônia: a graduação presencial de quem sai de casa para morar no campus, o mestrado a distância de quem estuda entre uma jornada de trabalho e outra, e a volta à sala de aula de quem parou por mais de quatro décadas.

E você, voltaria a estudar depois de 40 anos parado se aparecesse uma oportunidade compatível com a sua rotina? Já dividiu sala de aula com alguém da própria família? Conta nos comentários se você se formaria ao lado do seu pai, da sua filha ou do seu avô.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile