Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Barragem gigante em Gibraltar, novas cidades e terras agrícolas: o plano de um alemão para reduzir o Mediterrâneo por um século e unir Europa e África

Barragem gigante em Gibraltar, novas cidades e terras agrícolas: o plano de um alemão para reduzir o Mediterrâneo por um século e unir Europa e África

4 min de leitura

Barragem gigante em Gibraltar, novas cidades e terras agrícolas: o plano de um alemão para reduzir o Mediterrâneo por um século e unir Europa e África

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 24/07/2026 às 14:51

Atualizado em 24/07/2026 às 14:52

Curiosidades

Assista o vídeo
Imagem: Ilustração

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Criado por Hermann Sörgel em 1928, o plano previa baixar o Mediterrâneo em até 200 metros, gerar energia, criar cidades, ferrovias e áreas agrícolas, além de aproximar fisicamente os continentes europeu e africano por terra

O projeto Atlantropa, apresentado em 1928 pelo arquiteto alemão Hermann Sörgel, pretendia controlar a entrada do Atlântico com uma barragem no Estreito de Gibraltar, reduzir o nível do Mediterrâneo e transformar o fundo marinho exposto em terras para cidades, ferrovias, indústrias e agricultura.

Assista o vídeo

O vídeo reúne trechos de um filme de 1951 sobre o projeto, com representações históricas da barragem e das transformações planejadas. O vídeo está em alemão

Projeto Atlantropa usaria evaporação para reduzir o Mediterrâneo

Hermann Sörgel nasceu em 1885 e trabalhava em Munique quando começou a divulgar o plano. Para ele, uma intervenção continental poderia enfrentar desemprego, falta de terras, crescimento da demanda por eletricidade e conflitos entre países europeus.

Apesar de ser frequentemente apresentado como uma tentativa de drenar o Mediterrâneo, o projeto Atlantropa não previa eliminar completamente o mar.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A proposta consistia em restringir a entrada de água do Atlântico e permitir que a evaporação reduzisse seu nível gradualmente.

Diferentes versões do planejamento calculavam uma queda próxima de 100 metros ao longo de um século.

Em determinados setores do Mediterrâneo, o rebaixamento poderia chegar a 200 metros, redesenhando costas, ilhas, deltas e áreas portuárias.

Assista o vídeo

Apresenta o funcionamento do plano, o bloqueio do Estreito de Gibraltar e animações que ajudam a visualizar a redução do Mediterrâneo.

Barragem de Gibraltar produziria energia e afastaria o litoral

A principal construção seria uma gigantesca barragem hidrelétrica no Estreito de Gibraltar. Além de controlar a água que entrava pelo Atlântico, a estrutura produziria eletricidade para abastecer uma extensa rede continental.

Com a redução do Mediterrâneo, grandes áreas do antigo fundo marinho ficariam expostas. Essas superfícies seriam aproveitadas para novas planícies agrícolas, cidades planejadas, indústrias, estradas e ferrovias ligando regiões da Europa e da África.

A mudança também criaria enormes dificuldades. Como a costa recuaria durante décadas, portos existentes ficariam distantes da água. Canais de navegação e estruturas portuárias precisariam ser reconstruídos para acompanhar o novo limite do mar.

A barragem de Gibraltar seria apenas o centro de um conjunto maior de obras. Sörgel também imaginava uma ligação entre a Sicília e a Tunísia, separando partes do Mediterrâneo e aproximando fisicamente os dois continentes.

Outra barragem seria instalada na região dos Dardanelos para controlar a ligação com o Mar Negro. Na África, o plano previa intervenções nos rios Congo e Chade, formação de grandes reservatórios e implantação de sistemas de irrigação no Saara.

Alterações atingiriam ecossistemas, portos e populações

O projeto Atlantropa transformaria ambientes construídos e ocupados durante milhares de anos. A redução da água aumentaria a salinidade e modificaria correntes, temperaturas e habitats marinhos em toda a bacia mediterrânea.

As mudanças poderiam prejudicar a pesca, deslocar comunidades costeiras e alterar praias, deltas e ilhas. Populações instaladas nas áreas atingidas também poderiam ser removidas, enquanto cidades portuárias deixariam de permanecer junto ao litoral.

O planejamento ainda carregava uma visão colonialista. Embora defendesse a união continental, Sörgel tratava grande parte da África como território disponível para ocupação, extração de recursos e organização europeia.

Os interesses das populações africanas e dos países banhados pelo Mediterrâneo apareciam pouco nas decisões.

A proposta concentrava o controle territorial, econômico e energético nas mãos dos responsáveis europeus pelo planejamento.

Custos, guerras e disputas impediram a execução

Entre 1928 e 1933, centenas de artigos divulgaram mapas, barragens e cidades imaginadas para Atlantropa.

Arquitetos, artistas e desenhistas participaram da apresentação pública do projeto, que ganhou visibilidade, mas não recebeu apoio suficiente para começar.

Nenhum governo assumiu os custos, a coordenação internacional ou os efeitos territoriais de uma intervenção que levaria mais de um século.

As crises políticas, o nazismo e a Segunda Guerra Mundial reduziram ainda mais qualquer possibilidade de execução.

Sörgel continuou defendendo Atlantropa até morrer em um acidente, em 1952. O instituto criado para promover o projeto foi dissolvido em 1960, deixando mapas e documentos sobre uma proposta que pretendia redesenhar dois continentes.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações do material-base fornecido sobre Atlantropa e Hermann Sörgel, com dados, números e descrições preservados conforme o conteúdo consultado.

Fonte

https://catracalivre.com.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

Sair da versão mobile