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Bilionário transforma água residual do petróleo em aposta de US$ 7,5 bilhões para atrair gigantescos data centers de IA ao deserto do Texas

Bilionário transforma água residual do petróleo em aposta de US$ 7,5 bilhões para atrair gigantescos data centers de IA ao deserto do Texas

5 min de leitura

Bilionário transforma água residual do petróleo em aposta de US$ 7,5 bilhões para atrair gigantescos data centers de IA ao deserto do Texas

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 25/07/2026 às 15:39

Petróleo e Gás

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Imagem: Ilustração

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Empresas da Five Point processam milhões de barris de água por dia, controlam terras, dutos e energia e planejam investir US$ 5 bilhões para transformar o oeste do Texas em polo de inteligência artificial gigante

A água residual do petróleo, antes tratada apenas como rejeito, tornou-se o centro de uma estratégia bilionária para levar data centers de inteligência artificial à Bacia do Permiano. Empresas ligadas à Five Point já investiram US$ 2,5 bilhões e planejam aplicar mais US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos.

A aposta acontece em uma das regiões mais áridas dos Estados Unidos. No oeste do Texas, há poucos rios e lagos, mas a exploração de petróleo retira diariamente um volume de água muito superior ao de óleo.

A Bacia do Permiano produz cerca de 7 milhões de barris de petróleo e 25 milhões de barris de água por dia.

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O volume hídrico equivale a aproximadamente 1 bilhão de galões, semelhante ao consumo diário de toda a cidade de Nova York.

Parte da água vem de aquíferos e é usada no fraturamento hidráulico. Uma quantidade ainda maior, porém, retorna à superfície junto com o petróleo, carregada de sal, minerais e produtos químicos.

Esse material não pode ser utilizado diretamente. Durante anos, as operadoras pagaram para transportá-lo e injetá-lo a quilômetros de profundidade, transformando a água em um custo permanente da atividade petrolífera.

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Água residual do petróleo sustenta operação de grande escala

David Capobianco, de 57 anos, cofundador da gestora de private equity Five Point, construiu uma rede para coletar, processar, transportar e descartar essa água residual.

As empresas ligadas ao grupo processam diariamente 6 milhões de barris de água. A estrutura inclui mais de 8 mil quilômetros de dutos e mais de 300 instalações espalhadas pelo Texas e pelo Novo México.

Segundo Capobianco, a água é indispensável para a indústria petrolífera. Sem uma rede capaz de movimentar e tratar o líquido, as empresas não conseguem manter normalmente a produção de petróleo.

A estratégia partiu de uma constatação simples: apesar de ser tratada como resíduo, a água existe em enorme quantidade dentro de uma região marcada pela escassez hídrica.

Agora, a Five Point busca aproveitar essa estrutura para atender também aos data centers, instalações que precisam de água, energia, grandes terrenos e conexões de alta capacidade para processar informações.

Quase 400 data centers estão em funcionamento ou planejados somente no Texas. Além da disponibilidade de água residual, o oeste do estado oferece terra barata e gás natural de baixo custo.

Empresas de água formam rede no Permiano

Capobianco fundou a Five Point em 2012, utilizando US$ 15 milhões do próprio bolso. Desde então, criou oito empresas, a maioria voltada à consolidação de ativos de água, dutos e instalações de processamento.

Entre elas estão a WaterBridge, que atua no sudoeste da Bacia do Permiano, a San Mateo Midstream, localizada no Novo México, e a Deep Blue, concentrada na região de Midland, no Texas.

Em vez de construir toda a infraestrutura do zero, a Five Point procurou petrolíferas que já possuíam sistemas próprios para transportar gás natural e água produzida pelos poços.

Em 2017, a gestora pagou US$ 175 milhões à Matador Resources para formar a joint venture San Mateo. A empresa passou a coletar e processar o gás natural e a água gerados pela produtora.

A operação registrou US$ 290 milhões em Ebitda no ano passado. Agora, a San Mateo está adquirindo outra empresa de processamento de água por US$ 750 milhões.

A Deep Blue, por sua vez, pagou US$ 675 milhões à Diamondback Energy, em 2023, por uma participação de 70% nos ativos hídricos da companhia.

Analistas projetam que essa joint venture gere US$ 300 milhões em Ebitda neste ano. Os números mostram como a água, antes considerada apenas um problema operacional, passou a integrar negócios avaliados em centenas de milhões de dólares.

Terras conectam água, energia e futuros data centers

Outra peça da estratégia é a LandBridge, fundada por Capobianco em 2021. A empresa controla 320 mil acres distribuídos por seis condados do Texas e do Novo México.

O terreno mais estratégico é o antigo rancho Hanging H, com 70 mil acres na fronteira entre os dois estados. A área foi comprada por US$ 210 milhões.

Sua localização permite transportar água residual do Novo México, onde as regras de descarte são mais rígidas, para o Texas, que possui uma regulação considerada mais branda.

Capobianco abriu o rancho para empresas de energia. Atualmente, mais de 100 companhias alugam partes da propriedade para diferentes atividades ligadas ao setor.

A EOG Resources paga US$ 8 milhões por ano para retirar areia utilizada no fraturamento hidráulico. As empresas de Capobianco já obtiveram US$ 80 milhões em receita operacional com o Hanging H.

A Five Point pretende usar uma área de 10 mil acres da LandBridge, no condado de Reeves, para criar um complexo de data centers.

O condado possui apenas 12 mil moradores distribuídos por 6.734 quilômetros quadrados. Para Capobianco, a baixa densidade populacional pode reduzir a resistência local à instalação de grandes empreendimentos.

Fibra óptica e usinas completam o projeto

Terra, água e gás natural não são suficientes para operar um data center. A infraestrutura também exige eletricidade, fibra óptica, trabalhadores especializados e empresas interessadas em contratar a capacidade instalada.

Para atender parte dessas necessidades, a LandBridge enterrou centenas de quilômetros de tubulações com 15 centímetros de diâmetro.

Os dutos poderão receber cabos de fibra óptica e conectar futuros centros de processamento à internet.

A Five Point também criou a PowerBridge, divisão destinada à geração de eletricidade com gás natural. O plano prevê um investimento de US$ 1 bilhão.

Capobianco considera que existe demanda para o modelo. Em junho, a Microsoft fechou um acordo de 20 anos com a Chevron para construir um data center na Bacia do Permiano abastecido pelo gás da petrolífera.

A Five Point ainda precisa garantir um cliente hyperscale, ampliar a rede elétrica e atrair profissionais para a região de Pecos, cidade de 10 mil habitantes no condado de Reeves.

Capobianco aposta em formandos das universidades Texas Tech e Texas A&M. Ele também projeta mais de US$ 500 bilhões em investimentos em data centers na região.

O empresário estima que Pecos poderá chegar a 150 mil moradores antes do fim da década, impulsionada pelos novos empreendimentos e pelos empregos ligados à infraestrutura de inteligência artificial.

A Five Point já mantém cerca de US$ 9 bilhões em ativos sob gestão. A LandBridge vale US$ 6 bilhões, enquanto a WaterBridge está avaliada em US$ 4,3 bilhões.

A estratégia também ajudou Capobianco a acumular patrimônio estimado em pelo menos US$ 1 bilhão. Ele controla 70% da gestora responsável pela Five Point.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações, dados, números e declarações presentes no material-base fornecido pelo usuário, preservados conforme o conteúdo consultado.

Fonte

https://forbes.com.br/for


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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