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Botijões chineses invadem o Brasil após Gás do Povo, saltam de 29 mil para 515 mil unidades e colocam indústria nacional em alerta
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 24/07/2026 às 12:48
Economia
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Compras vindas da China saltaram de 29 mil para 515 mil unidades, enquanto fabricantes pedem tarifa de 25% e distribuidoras alegam falta de entrega rápida após aumento da demanda pelo programa federal Gás do Povo
As importações de botijões chineses saltaram de 29 mil unidades em todo o ano de 2025 para 515 mil apenas no primeiro semestre de 2026. O avanço, associado ao aumento da demanda provocado pelo Gás do Povo, abriu uma disputa entre fabricantes nacionais e distribuidoras sobre capacidade produtiva, preços e tarifas de importação.
Em um mercado brasileiro que movimenta cerca de 2 milhões de botijões por ano para reposição, o volume importado representa uma mudança relevante.
Pelos números compilados pela Mangels, maior fabricante nacional do produto, pelo menos um em cada quatro recipientes vendidos atualmente no país vem da China.
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A empresa pediu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio que a tarifa de importação dos botijões seja elevada dos atuais 12,6% para 25%.
As distribuidoras, representadas pelo Sindigás, contestam a medida e afirmam que recorreram ao mercado externo porque não receberam rapidamente os volumes necessários.
Gás do Povo ampliou a necessidade de botijões
A alta das importações ocorreu durante a reorganização do mercado provocada pelo Gás do Povo. O programa federal garante botijões de 13 kg gratuitamente para cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda.
Os vales são liberados no dia 10 de cada mês e podem ser trocados em revendas credenciadas. Para acompanhar o aumento esperado no consumo, distribuidoras passaram a reforçar estoques e procurar fornecedores dentro e fora do Brasil.
Meses antes da atual disputa, o próprio Sindigás havia defendido a suspensão temporária da tarifa de importação dos recipientes.
Com a entrada acelerada de botijões chineses, a indústria nacional passou a pedir o movimento contrário, com o aumento do imposto.
Fabricante aponta desequilíbrio nas tarifas
A Mangels afirma que existe uma assimetria na política tarifária. Segundo a companhia, a Câmara de Comércio Exterior elevou para 25% a tarifa aplicada a chapas de aço e outros insumos usados na fabricação dos recipientes.
Ao mesmo tempo, o botijão pronto importado continua sujeito a uma alíquota de 12,6%. Para a empresa, essa diferença favorece a compra do produto acabado no exterior e aumenta a pressão sobre quem produz em território brasileiro.
O aço corresponde a aproximadamente 72% do custo das matérias-primas e a 57% do custo total de fabricação dos botijões, conforme a Mangels.
A empresa sustenta que taxar mais o insumo do que o produto final prejudica a produção nacional.
A fabricante também compara a escala das siderúrgicas dos dois países. A China produziu 991 milhões de toneladas de aço em 2024, enquanto o Brasil fabricou 31,5 milhões de toneladas no mesmo período.
Segundo a Mangels, a indústria brasileira teria capacidade para produzir até 8 milhões de botijões por ano. Esse volume, na avaliação da empresa, seria suficiente para atender às necessidades criadas pelo Gás do Povo sem depender das importações.
A defesa da elevação tarifária também conta com o apoio de outras siderúrgicas e do Instituto Aço Brasil, entidade representativa do setor.
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Distribuidoras dizem que faltou entrega imediata
O Sindigás afirma que capacidade industrial instalada não significa disponibilidade imediata de produtos. Para o presidente da entidade, Sérgio Bandeira de Mello, uma fábrica não consegue ampliar sua operação para três turnos de um dia para o outro.
Segundo ele, os problemas começaram no fim de 2025, quando fabricantes nacionais reduziram entregas já programadas.
As distribuidoras teriam sido obrigadas a procurar fornecedores internacionais para complementar os estoques.
Mello afirma que não existe interesse em substituir permanentemente a produção brasileira. Ele também diz que os recipientes importados chegaram ao país custando mais do que os produtos comprados no mercado nacional.
O dirigente contesta ainda o argumento relacionado à tarifa sobre o aço. Segundo ele, a fabricação brasileira de botijões utiliza majoritariamente chapas produzidas no próprio país. Para o Sindigás, o gargalo está na entrega efetiva, não na disponibilidade do insumo.
Pedido sobre botijões chineses está em análise
O Mdic informou que a solicitação apresentada pela Mangels está em análise técnica. Após essa fase, o processo deverá passar pelo Comitê de Alterações Tarifárias e pelo Comitê Executivo de Gestão da Camex.
Esse último órgão será responsável pela decisão final sobre uma eventual elevação da tarifa de 12,6% para 25%.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que o assunto não está dentro de suas atribuições e, por isso, não comentou a disputa. O Instituto Aço Brasil não havia se manifestado até a publicação do material consultado.
Esta matéria foi elaborada com base em informações publicadas pela Folha de S.Paulo, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://iclnoticias.com.b
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

