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Brasil aboliu a escravidão há mais de um século, mas suas prisões ainda carregam uma antiga lógica de punição, abandono e exclusão racial

Brasil aboliu a escravidão há mais de um século, mas suas prisões ainda carregam uma antiga lógica de punição, abandono e exclusão racial

3 min de leitura

Brasil aboliu a escravidão há mais de um século, mas suas prisões ainda carregam uma antiga lógica de punição, abandono e exclusão racial

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 24/07/2026 às 01:36

Curiosidades

Imagem ilustrativa de uma pessoa algemada em ambiente prisional, símbolo do encarceramento, da repressão e dos desafios enfrentados pelas prisões brasileiras.

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Sistema prisional brasileiro reproduz violações históricas, racismo institucional e mecanismos de repressão criados durante os períodos colonial, imperial e republicano.

O sistema prisional brasileiro representa um dos sinais mais evidentes da falência institucional do país.

A privação de liberdade, na prática, tornou-se uma pena acompanhada por sofrimento, abandono e violações de direitos fundamentais.

Em outubro de 2023, o Supremo Tribunal Federal reconheceu um “estado de coisas inconstitucional” nas prisões brasileiras.

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A decisão ocorreu durante o julgamento da ADPF 347 e confirmou a existência de problemas estruturais em todo o sistema.

Entre as principais violações estão:

História ajuda a explicar o colapso das prisões

A compreensão do cárcere atual exige uma análise da formação social e política brasileira.

Nesse contexto, o sistema prisional surgiu dentro de uma estrutura construída durante séculos de escravidão.

Até o século XVIII, as punições atingiam diretamente o corpo das pessoas condenadas.

Castigos físicos, sofrimento público e suplícios funcionavam como instrumentos de intimidação, disciplina e controle social.

Durante o século XIX, a chamada prisão moderna começou a substituir gradualmente esse modelo.

A nova proposta prometia abandonar a violência corporal e transformar moralmente o indivíduo condenado.

Sob influência do Iluminismo, a pena passou a ser apresentada como um instrumento de regeneração.

O isolamento social, a prática religiosa e o trabalho manual seriam usados para produzir disciplina e arrependimento.

A expectativa previa o abandono da criminalidade e a adoção de comportamentos considerados produtivos.

Na prática, porém, esse projeto de ressocialização nunca foi plenamente concretizado.

Abolição não encerrou os mecanismos de repressão

A evolução das penas no Brasil recebeu influência direta da escravidão.

Durante o Império e os primeiros anos da República, o Estado assumiu parte do controle antes exercido pelos senhores de escravizados.

A Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, extinguiu oficialmente a escravidão no país.

A população recém-liberta, entretanto, permaneceu afastada das oportunidades de trabalho formal e inclusão social.

Em 11 de outubro de 1890, o Código Penal da República passou a criminalizar práticas associadas à cultura africana.

A capoeira esteve entre as manifestações perseguidas pelo poder público.

Dessa maneira, milhares de pessoas negras continuaram como alvos preferenciais da repressão estatal.

A mudança política, portanto, não eliminou as antigas estruturas de controle e exclusão racial.

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Viviane Alves

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Novo sistema penal nasceu com velhos problemas

A seletividade permanece presente em toda a cadeia da Justiça criminal brasileira.

Esse processo aparece na elaboração das leis, na abordagem policial, no processo penal e na execução das penas.

Homens e mulheres negros continuam associados à criminalidade, à ociosidade e à marginalidade.

Esses estigmas foram construídos historicamente e nunca receberam uma resposta efetiva do Estado.

Como consequência, a população negra permanece entre os principais alvos da repressão penal.

O legado escravocrata ainda influencia quem será investigado, preso, punido e excluído.

Herança ultrapassa os muros das prisões

A lógica de criminalização também alcança o cotidiano das periferias brasileiras.

Nesse cenário, a violência policial, a morte de jovens e as violações de direitos humanos reforçam um ciclo de exclusão social.

O enfrentamento dessa realidade exige mudanças profundas no sistema de Justiça criminal.

A redução do superencarceramento, o combate ao racismo institucional e a proteção das garantias fundamentais precisam ocupar o centro do debate.

Somente a ruptura com a herança colonial e escravocrata permitirá construir um sistema orientado pela inclusão, dignidade e justiça.

O país precisa deixar de administrar o sofrimento e o abandono de populações historicamente marginalizadas.

Na sua opinião, qual mudança deveria ser adotada primeiro para transformar o sistema prisional brasileiro? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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